15 de ago. de 2026

-nº135/nº44-


 

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– A arte não é sobre glamour, a arte é sobre trabalho, trabalho duro, não é sobre sentar aqui nessa cadeirinha, é sobre vestir uma roupa rústica e amarela, carregar uma pequena caçamba amarela, e varrer e varrer uma rua por muito tempo, e varrer de novo debaixo de enchente, rajada de vento, e nunca parar de varrer; daí um belo dia, eu chego até o final da rua e vejo a rua limpíssima, daí passa uma mulher, com um vestido branco lindíssimo, com um sapato de salto belíssimo, eu vou até ela, a cutuco, e digo

– Está vendo essa rua limpíssima? Fui eu que varri!

Não! Não! Não é para ela, não é para os outros, é para mim! Antes de me perguntar se valeu a pena, tente me perguntar para quê? Para que me raspei tanto nesse esforço? Mesmo que eu tenha gostado de observar a rua tão limpa apenas por alguns minutos? É que mesmo assim ainda se morre, posso morrer amanhã ou daqui há poucos anos, as condições de vida podem piorar, e daquela rua ninguém vai mais lembrar, e meus olhos vão chorar

 

do I carry on?

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– No primeiro dia na minha casa nova, pedi para um dos moradores, um louro de mais de 1,90m para conversar; eu o interrompi no corredor e disse começando a começando com pausas quebradas, '"É...", "Ã...",

– Preciso falar com você

– Pode falar, aconteceu coisa?

– Não, é que, se você não se incomodar, eu queria te pedir para te dar o telefone da minha mãe, se você não se importar

– Claro

Ele tira o celular do bolso, e eu dou, falo o número e ele salva o número errado; ele dá um sorriso corporativo; enfia o celular no bolso; a vida como ela é, coisa nenhuma, a cozinha é pequena demais para nós dois, saí do banho e ele já estava atrás da porta como se já tivesse esperado três horas, todas as vezes em que nos cruzávamos, ele sempre olhava só para frente, talvez fosse modelo, e se olha pra frente nunca me nota, visto que tenho 1,75m, a minha inexistência servia para treinar a inexistência de todos os outros

O que temos aqui é a anticrônica; o garoto do sul, tarde naquele mesmo dia, assistia televisão enquanto bebia cerveja artesanal e conversava consigo mesmo

– Nem conheço essa mulher, como vou dar meu celular pra ela? Eu posso estar sendo o pior dos escrotos, mas eu não vou virar babá desse cara; mais alguns goles e ele pensa

– E se algo de algo mesmo acontecer? Vou me perdoar como?

No outro quarto, o filho da mamãe destilava ódio;

– Nem quis me dar o telefone dele, nem deve ter anotado o da minha mãe, eu sou um lixo mesmo! Ele deve ter nojo de mim, mesmo sem eu ter feito nada pra ele, só existir do jeito que eu existo, já é nojento; e assim, uma lágrima que teimava em não cair, desceu

– Desde então, o silêncio pairou naquela casa, o altíssimo garoto se arrependia cada vez mais, mas era tímido demais para consertar o que fez, Ygo, sentiria aquela lepra para todo o sempre; sendo assim, não haveria, nem nunca haverá avença

 

O pai: já faz mais de mês que não alugam aquele terceiro quarto

A mãe: seria tão bom que alguém entrasse com boa energia e todos passassem a se dar bem

O pai: ou então ficariam piores

A mãe: uma mulher seria tão bom naquela casa

O pai: e por que uma mulher?

A mãe: porque mulheres são mães, porque mulheres criam, porque mulheres harmonizam

O pai: mulheres também matam

 

 

– Tá, logo chega dois meses e você vai ter dinheiro, a mesma quantia para publicar o livro novo em Portugal, lhe parece muito mais tenra

– A vida que não é tenra, Eduardo

– Você tem tentando há anos reunir essa verba, teve vários empregos fixos para agora dar um coice? Não faz sentido, não é semântico, pode não tentar mais uma vez de novo?

– Tentar, tentar, tentar, tentar e morrer, é como a vida se comporta

– Pode ser fácil, mas quando chega a hora, muita gente desiste... não teve paciência

 

– Dois meses de empresa depois, Ygo se encontrou com o traficante para a entrega da encomenda, ele já o esperava de moto na frente do prédio da empresa; o vi todo galante em pé ao lado da moto sem a viseira, me deu um capacete

– Vai acertar agora?

– Sim, te passo agora

Ele olha para o celular e diz

– Preparado?

– Preparadíssimo!

Os dois chegam á uma região de mata, o traficante ensina Ygo o básico sobre como atirar com sua nova arma, diz ao colega

– Acho que já está bom, não preciso mais do que isso

– Tem certeza?

– Absoluta!

– Tá certo, se precisar de outra aula, só me chamar

– Tá certo, Emerson, muito o obrigado

 

Ygo, no caminho para casa não sabia ainda se estava feliz ou triste por estar vivendo o último dia de sua vida; é claro que tudo foi planejado para que estivesse feliz, mas daí um talvez ecoa, talvez algo bom está esperando por mim muito em breve, toda tentativa de suicídio dá medo, o problema é que dessa vez não vai falhar, dessa vez é fim da linha;

Ygo chega em casa, e lá está Bob na cozinha, Ygo passa por ele como se ele é que não existisse, larga a mochila no chão, se senta na cama, começa a tocar na arma, tocá-la como e fosse um objeto de desejo; Bob achou estranho que Ygo não foi tomar banho, Ygo havia pesquisado que a melhor forma de se suicidar com uma arma é dar um tiro no céu da boca, mas estava lhe faltando coragem para enfiar a arma na boca; Bob foi ao banheiro, que porta com porta com o quarto de Ygo, e foi na mesma hora em que Ygo conferia as balas e esse é um som característico do revólver, Bob foi e voltou ao banheiro rapidamente e a arma disparou; Bob entrou no quarto, viu Ygo recuperando a arma do chão

– O que aconteceu?

– Não foi nada! – disse ríspido

– Como nada? Você não pode ficar com uma arma disparando aqui!

– Cuida da sua vida!

– Me dá essa arma! – ele dava um passo à frente

– Sai daqui!

– Me dá essa arma! – ele dava outro passo à frente

– Sai daqui!

– Me dá essa arma! – ele dava outro passo à frente

A cada diálogo o tom aumentava, e quando Bob estava prestes a tomar-lhe a arma, Ygo atirou, no peito, três vezes; ao vê-lo cair no chão, na certeza de sua morte, ficou maravilhado, olhou para aquela bela cena e pensou “Eu quero ir para o mesmo lugar que ele”; não titubeou, inseriu a arma no céu da boca e atirou, sem hesitação

 

do I carry on?

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– Sim, eu definitivamente prefiro primeiro a diversão e depois a obrigação; minto, eu não gosto da obrigação, mas eu sucumbo à obrigação, por medo, por viver com muito medo do provável eterno refugo ao suicídio, e acabar na maior miséria; por isso hoje, mesmo acordando tão triste, mesmo porque existem coisas que me deixam tristes além do estudo, um estudo forçado, o que me enfastio, que me cansa já quando me sento para cansar, pelo menos inventaram a lógica, que é algo que gosto, resolvi às cinco questões diárias que homens confiáveis que mandaram, tenho certeza que acertei quatro, a quinta só chutei porque não me ensinaram aquela matérias, mas ainda posso acertar com o chute, e vou estudar mais logo de noite para acertar os noventa por cento que acho digno, já que as empresas privadas me veem como algo que chegam à assustar, ou talvez eu é que me assusto com a forma deles ao se apoucar, tal relação trabalhista não funciona assim, desse motivo, me emparedei à prestar um concurso público, o qual teste, provavelmente se dará neste novembro, eu não serei feliz depois que passar, não serei feliz depois que for empossado, mas não morrerei na maior miséria, por isso ontem à noite, o medo da miséria ia me mover a estudar com afinco, como se o medo já não movesse a minha vida

 

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– Sonhei, contando à minha mãe, mas contei; estávamos em um grande evento de dramaturgia, muitas, muitas pessoas famosas, não sei o que eu estava fazendo lá, minha mãe talvez, no principal local de confraternização, de troca, era um lugar bem grande e, pasmem, a maioria das pessoas se sentavam no chão; a coisa mais parecida que eu tinha visto com aquilo em arte foi na FLIP, estranhamente, algumas mulheres começaram a passar e olhar para mim, eu ainda era bonito, mas não para ser flertado daquele jeito, uma eu não sabia o nome, depois apareceu a Aline Midley, olhou misteriosamente ao passar por mim, mas era um olhar frágil, ela simplesmente se sentou, encostou no meu ombro e começou a chorar, não fiz nada, apenas a deixei ter aquele momento; peguei um livro, tinha imagem e textos, eu folheava o livro para ela ver, era um livro bem grande, em uma página eu comentei

– Essa página só tem imagens... espere... não, tem texto também – disse com o meu "defeito de voz"

Ela levantou e foi embora, mas eu já estava acostumado, para uma mulher eu não sirvo para nada, afinal, um homem gay não é um homem, é uma imitação de homem

 

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– A vida que eu conhecia acabou, a que estou vivendo agora eu não sei o que é

 

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– Eu ia dizer que meu relógio biológico voltou ao normal, e eu acordei às dez horas, mas me deu uma de Thom Yorque e quero/decidi rejeitar tudo que é fácil; assim, nasceu "Ok Computer"

 

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– O pior de perder o emprego, é perceber que você também não tem casa

 

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– Apaga a luz, desliga a televisão, assim a vida se esconde, fica menos pesada, vá calcular o peso da escada, o perímetro e a área, eu até me arrisco, vá se acostumando com a sombra, é assim que a vida "some dos seus olhos"

 

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– Tem gente que envelhece, tem gente que estraga; eu estraguei; a vida insiste em fechar portas para mim, então eu passei achar inútil continuar batendo nelas; se decidi parar de viver por que não tenho sonhos? Pelo contrário, eu tenho muitos sonhos, só que eu enfiei minha perna em uma estrada de barro e eu não consigo sair, e a cada dia que passa, mais eu acredito que nunca vou tirar minha perna daqui, pois o barro seca, né? Isso faz muito tempo, amor de mãe tem limite, amor de pai não existe, e estou aqui "invadindo" o espaço dele, filho aqui não tem casa, filho aqui é no máximo agregado; carrego um medo imenso, diagnosticado com TAG, mas de morrer eu não tenho medo

 

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– Quando aparece você, até terremoto dá vontade de ver

 

xoxo


31 de jul. de 2026

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– Vamos falar de Mateus? Quando nos conhecemos ele tinha vinte anos, tinha vinte aninhos, no alto de seus 1,96m, lourão, lourão, mas era gordo; gordura nunca é problema para um homem de 1,96m, é muita altura para dividir a gordura e além do mais, Mateus também tem o pênis grande e gordo; alugava um quarto na casa do namorado, mas já falávamos por câmera, ele me acompanhava em tudo, filme de surdos-mudos, filme húngaro de três horas, e sempre, mesmo namorando com esse ou aquele, sempre acontecia quando nos encontrávamos, eu percebia que os outros namorados só preenchia o tempo e que, logo eu ia aceitar namorar com ele, até nos lançamentos dos meus livros ele ia! Até ter o trabalho de baixar "Melancholia" do Lav Diaz ele fez para mim, mas pra mim, um namorado não precisa ter "características", precisa ter sinos, e eles precisam bater, eu sabia o tempo todo que ele queria namorar comigo, mas fugia da minha alçada, durante boa parte da nossa amizade, uns dos namorados era quase marido, e ele admitia que era praticamente um “contrato”, um “acordo”, “uma segurança”, e ele até sabia que eu e Mateus transávamos, mas Mateus nunca conseguia emagrecer, e nunca me passou pela cabeça o quando Mateus seria se emagrecessem até que aconteceu a virada de chave; Mateus finalmente conseguiu emagrecer e, um homem bonito e magro de 1,96m chama muita atenção, pior: ele conseguiu um namorado bonito como um esquilo, monogâmico como um cachorro de rebanho de ovelhas, Mateus não foi ao lançamento do meu próximo livro, sequer o encomendou, o que me fez maquinar que ele só foi aos outros para me agradar, pior: Mateus usou um motivo banal para terminar a nossa amizade, o pensamento era que "Agora que eu sou magro, tô magro pra caralho, tenho um namorado gato pra caralho, eu preciso do Hugo pra quê?"; o problema não era ele ter um relacionamento monogâmico e que não íamos mais transar, a questão foi, "Quando eu era gordo, eu não servia para namorar, agora é o Hugo que não serve para namorar, e quer saber? Agora nem pra ser meu amigo o Hugo serve" 


– Vamos falar de João? Em determinados momentos as coisas estão calmas, de repente ele começa a gritar, pelos motivos mais banais possíveis; na segunda-feira Hugo Guimarães recreats Sepultura's "Rattamahatta" Baibouk garagym faveelah, baibouk garagym faveelah Fiubengah mehlouk booukadah, fiubengah mehlouk Boukadah! maloca bocada Mehlouk bookadah fiubengah, meehlouk boukadah Fiubengah, , po rrah Faveelah garagym baibouk, faveelah garagym baibouk Poh rrah... un, dos, trees, quatrou! Zee dou caixa-o, zambai, lamp-ao Zee do kaysh-ao, zombie, lamp-ao Zee do kaysh-ao, zombie, lamp-ao Hello uptown, hello downtown Hello midtown, hello Trinny town Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta Ratamahatta Ratamahatta Ratamahatta Hello uptown, hello midtown Hello downtown Hello midtown (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta Vamos falar de João? Em determinados momentos as coisas estão calmas, de repente ele começa a gritar, pelos motivos mais banais possíveis; aos setenta e seis já virou criança, descobriu que eu odeio quando ele canta, e desde então, canta o dia todo, e não canta baixo e sim, eu herdei dele a bipolaridade, é o máximo que ele vai me deixar, eu e a minha mãe estamos certos que ele precisa de um psiquiatra, de tomar estabilizador de humor, mas ele jamais aceitaria, ele não acredita em psiquiatria, ele diz que esses médicos inventam essas doenças para vender remédios e eu, nunca estive doente coisa nenhuma, que eu sou um vagabundo que não gosta de trabalhar e gosta de deitar no sofá para assistir televisão, eu queria que ele soubesse a tortura que é dividir os tetos com ele, nunca leu um livro de literatura na vida, certa vez disse na minha cara "eu acho os seus livros um lixo", acha meus livros ruins, mas lê Lair Ribeiro, não é? O mesmo que dá palestras para pessoas ricas ficarem mais ricas, minha tia avó (que é rica), que falou do tal Lair, ficou sim rica, e após todos esses anos, João continua pobre, por dentro e por fora, arrogante, grosseiro, e acha que entende de assuntos que não entende 


– Vamos falar da reparação? 

– Reparação de parede?

– Não

– Reparação de santo de gesso?

– Não

– E então?

– Reparação de injustiças!

– Ah, entendo...

– Entende seu rabo!

– (...) 

– Pois então, ainda não inventaram algoritmo para isso

– Para quê?

– Para identificar um perfil falso na rede de computadores antes mesmo que eles existam! – Será possível?

– Sim, será, só não sabemos quando, onde, de que forma, de que cor e com quantos svarovskys; é assim que se escreve? 

– Olha no chatgpt, homem!

– Nem morto! Se houvesse uma votação em que todos os cidadãos do mundo votassem em uma guerra permanente entre os Estados Unidos e a China, eu votaria nos Estados Unidos, é claro! Se eu precisar fazer uma consulta idiota como essa, eu uso o AI do Google, é a mesma coisa!

– O que isso tem ver com a injustiça, afinal? 

– Lá estava eu novamente feito um imbecil em aplicativo para homens gays encontrarem outros homens gays para transarem ou para brigarem, esses plurais estão certos? Consulte aí no AI do Google pra mim, e então, nebulosamente apareceu um perfil fake com o intuito de passar com uma britadeira sobre a minha autoestima; 

– Mas que horror! E com que intuito? 

 –Vou lá saber? Bom, o perfil, pela distância exata, estava em Madrid, porém, não deve ser difícil criar um perfil com uma localização falsa; cheguei em duas pessoas, o meu primeiro namorado, que era um psicopata, e minha ex amiga, já que ela mesma me deu um 'unfriend', ainda bem que não publiquei o texto descascando os dois, pois se tratava do tortinho, que vive "pela metade" e vive arrotando por aí que foi para Londres lavar pratos, mas se achava a rainha Elizabeth 


– Vamos falar de gente que não existe? 


– Vamos falar sobre ressocialização? Quando Fernando Haddad Maia foi prefeito de São Paulo, ele criou um programa para dar emprego aos cracudos; a imprensa foi lá e perguntou à uma mulher 

– O que você vai comprar com o seu primeiro salário? 

– Um desodorante, uma sainha de dez reais linda que eu vi e uma pedra da boa! 


– Vamos falar da vida pela metade? Mas só pra escrever o texto inteiro... 


– Vamos falar sobre deus? Deus não existe, tem gente demais no mundo, cada um que se resolva, cada um que se perdoe! 


xoxo

– (...) 

– Pois então, ainda não inventaram algoritmo para isso

– Para quê?

– Para identificar um perfil falso na rede de computadores antes mesmo que eles existam! – Será possível?

– Sim, será, só não sabemos quando, onde, de que forma, de que cor e com quantos svarovskys; é assim que se escreve? 

– Olha no c

16 de jul. de 2026

-nº135/nº42-

 




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– Aqueles pederastas que estragaram meu dia podem ter ido dormir belas, mas acordaram nos escombros nos terremotos na Venezuela; não vou perder mais nem um minuto de estudo por causa delas
– Todo o perímetro estabanado e encantado pode e se expande, mas o centro está devidamente, delineadamente e permanentemente expandido, e é por isso que eu preciso ou ser um porco mais magro ou encontrar uma cerca mais baixa
– Não me acho mais um homem; o que te faz um homem é um boné, não é um pênis mais; isso é causa ou efeito? Enxergo que é efeito

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– Vai entrar dinheiro? O que me vem à cabeça? O que me faz feliz quando tenho dinheiro, e poucas coisas me fazem feliz hoje; porém, pela primeira vez, eu lembrei que o conjunto dessas hastes que me erguem para aquele momento, percebo que ali estou fora da sociedade em vários momentos, um homem completamente nu naquele lugar e, se alguém reclamasse, a polícia militar seria acionada, ter contato, pagar e receber substância proibida pode resultar em um problema, o homem completamente nu não precisa necessariamente ser eu, não precisa mais ser necessariamente eu

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– A mulher me entrevistou com sua aula de articulação, ela na posição de julgar e eu na posição de ser julgado, depois eu fui chorar atrás do microondas; talvez fazer diferente não seja uma boa ideia se alguém já fez diferente antes
– Está cada vez mais difícil encarar o curso, ontem passei duas horas no médico com a minha mãe, depois passei tempo parecido fazendo uma entrega em um lugar longe, e essa soma de tarefas acabou com a minha energia; sei, eu sei que os professores dizem que é preciso estudar mesmo quando se está triste como eu, mesmo quando se está cansado como eu, mas eu acho que eles não sabem como eu fico como estou triste, como eu fico como estou cansado; ontem acabei não estudando, e a culpa que eu sinto é pesada demais, tão pesada quando uma laje em cima de você no terremoto na Venezuela, e eu sempre acho que aqueles socorristas fortes e bonitões não vão chegar a mim a tempo, talvez seja melhor eu ficar ali, ou uma vida que não seja baseada em pedir clemência, e que quando eu consigo ser atendido na clemência, ela não dure tão pouco
– Foi difícil, mas já estou em frente ao computador para começar a estudar, a TV a cabo não quis transmitir o jogo da segunda rodada entre Inglaterra x RD Congo, se há justiça no mundo a Inglaterra venceu por 2x1 e eu perdi os dois gols do Harry Kane, eu queria ver os dois gols do Harry Kane, mas eu também gostaria de estar sentadinho aqui para estudar, você achou bonitinho torcer para a RD Congo contra a Inglaterra? Sabe como é a vida de um cidadão LGBTQIa+ na DR Congo? Procurou saber, uma pessoa LGBTQIA+ na DR Congo sequer é cidadão, aliás, com raríssimas exceções,
– Os africanos não gostam de gays, mas os agridem e os afastam de qualquer tipo da cidade, gays na África devem nascer e morrer em segredo, a não ser que consigam fugir, a Nigéria, aqueles ladrões assassinos, que tem uma máfia de roubo de celulares no centro de São Paulo, exploram mulheres (as seduzem, as extorquem o quanto podem e depois somem), na Nigéria existe pena de morte por apedrejamento para gays, a África continua pobre e atrasada

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– Um ventrículo diz "pegue dois pratos na copa para mim, por favor?"
– A copa acabou!
– Brasil, sil, sil, sil, sil
– Fuzil, sil, sil, sil, sil... ai, que porre! Pois a copa acabou-se, O Haaland, Haaland, Haaland... ah, se eu fosse escalado para marcar o Haaland, eu o seguraria direitinho... duvido que faria um gol; pelo quando o Brasil perde, aqui ninguém quer mais nem ouvir falar em copa, então as pessoas não gostam do esporte, não entendem dele, senão continuariam acompanhando a copa e, anotem aí, a semifinal entre Argentina x Inglaterra vai ser o melhor jogo da copa; por que então as pessoas gostam tanto da copa não entendem de futebol, e a maioria só assiste os jogos do Brasil? Por que no dia do jogo do Brasil as pessoas faltam ao trabalho! É isso! Não é sobre futebol, a coisa é sobre poder faltar ao trabalho! Além de faltar o trabalho de quatro em quatro anos, as pessoas podem se reunir com os amigos, familiares para beber, fazer comidinhas e assistir aqueles vinte e seis jogadores muito ricos, mercenários que, em sua maioria tem grandes patrocínios, precisam estar 100% na champions e se manter em um grande clube europeu; ou seja, vocês acham que eles iriam disputar uma copa do mundo como se fosse a última como os paraguaios fizeram? O Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis na segunda fase, e perderam para a França por apenas 1x0 (um mísero gol de pênalti do Mpbape), a partida mais difícil da França até agora
– Não acho ruim, acho bom, hoje o futebol masculino não é mais esporte, é negócio, é investimento que se espera retorno, e o quando os meninos que tem dez ou onze anos, os que se percebe que “vale a pena investir”, que tem "futuro", quem não tem futuro vive no passado, quando eu tinha dez anos de idade, meu pai foi me buscar de carro na escola e me contou como uma surpresa
– Adivinha uma coisa que você vai fazer três vezes por semana
– Não sei...
– Jogar futebol
– Se eu tivesse dentes mais fortes, eu teria criado coragem para dizer não, dentro do carro na mesma hora, mas já estávamos a caminho da escolinha para assinar o contrato, não pude recusar, encurralado como eu estava, aliás em qualquer situação perto do meu pai, eu sempre estava encurralado
– E assim era, os pais sonhavam em um crack, mas mal tinham cachimbo; um campo, um campo um "pouco" grande para uma criança correr, era de areia, eu treinava três vezes por semana e competia no final de semana, porém era difícil treinar a semana toda, e no fim semana e depois aparecer os alguns meninos muito bem alimentados, que não treinavam, e eu passava quase o jogo inteiro no banco de reservas... era o que eu posterguei, eu pensei no sonho, ninguém sonha, nem os pais nem as crianças, eles abrem o jogo: em certa idade, que usualmente é média dez anos
– Preciso conversar uma coisa com você
– O que eu fiz?
– Não fez nada
– Então o quê
– Você joga futebol na escola?
– O poder do convencimento, em súmula, abre nos olhos da criança um mundo de riqueza, viagens ao redor do mundo, fama, viagens de balão, iates, mulheres... é uma fantasia que a criança fica encurralada, fica sem saída para dizer não e, em pouco tempo já está no treino da escolinha de futebol sem mal conseguir vestir as caneleiras direito, e as crianças que não ganham nessa loteria? Carregam a culpa da amargura do pai pelo resto da vida; muitas crianças compartilhas o sonho do pai, até querem muito serem jogadores de futebol, até tem talento, mas em um esporte tão concorrido, isso é pouco; outras sequer querem estar ali, estão ali para "agradar" o pai ou para "obedecer" o pai, eu me encaixava na segunda opção, eu tinha talento para N esportes, mas meu pai queria que eu só fosse atleta se fosse de futebol, para qualquer outro esporte eu não poderia contar com ele, sobre isso e todas as outras coisas na minha vida, só a vontade dele importava, nunca a minha
– A copa continua e cada um que dá o passe e cada um que recebe passe, somando dá quantos milhões de euros? Muitas crianças estão sem escola por causa do terremoto na Venezuela, tive nota de que muitas caíram por completo, o triste é que elas caem rapidinho, mas para construir outras no lugar é bem devagarzinho, e se há problemas sérios de educação na Colômbia, tente imaginar como é na Venezuela

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– O que um homem precisa ter para te conquistar?
– Dois olhos, um nariz e uma boca
– Não seja tão monossilábico
– Um que também acredite que talvez o preâmbulo da constituição de 1988 esteja mal escrito



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– Não é o motivo que vai garantir que ele lhe dará algo em troca, será que tento de novo? Preferi ficar em casa pressionando os meus testículos; uma vez amanheci lá com ele, apareceu com um pacote de biscoitos de água e sal e perguntou se eu queria, era o café da manhã dele, eu não sabia que era tão pouco o que ele podia me oferecer; até que eu fiz o pedido que fiz, e eu ainda não sei se ele não o atendeu por não ser capaz ou porque eu não merecia, quando uma avalanche vem na sua direção, o que você faz? Fica amigo dela;
– Quando a Rita Lee foi expulsa dos Mutantes, ela declarou que torceu para que eles se fodessem, quando aquele homem me expôs aquela fragilidade, aquela inação, aquela bradicardia e uma vergonha que eu esconderia para sempre, eu desejei que alguns adolescentes abastados o ateassem fogo de madrugada; mas o ódio da Rita Lee logo passou, e o meu também
– Só porque eu ia até lá de noite, levava o que ele gostava, talvez ele pensasse que eu ia até lá para ser amigo dele, o quão amigo dele, e que, ao aceitar o que ele levava, ele retribuiria com um mero sexo oral, mas eu só ouvia rumores, nunca ouvia nada dele, talvez rumores sejam só rumores, e afinal ele tinha mais a oferecer do que seu pênis azedo, era gentil, conversava comigo, ao me formatar, eu pude perceber que eu não me lembro de alguém que conversasse comigo por uma noite inteira há muitos anos; eu não ia lá com frequência, talvez entre sete e dez dias, e ele ficava feliz, "fala, alemão do pó!", lembra da "baronesa do pó" da novela? Não é crime, é só uma brincadeira, prevista até no direito, o caso é que, quando eu voltei pra casa naquele dia, esses foram os pensamentos que dividi em uma rede, que renderam mais de duas mil e duzentas visualizações



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Este foi o último final de semana, precisar de estimulantes para melhorar o sexo e assim sofrer uma psicose sexual, onde eu assumo uma sexualidade que não é minha, sempre nessa "recreação química", eu me comporto como um homem gay ativo, mesmo sabendo que a minha essência sempre foi ser um homem gay passivo, e isso, curiosamente, não tem a ver sobre a preferência da mecânica, nunca teve a ver; desde quando eu me descobri aos treze anos, eu tive a ideia de que o ativo protege o passivo, em casa, a figura paterna nunca significou proteção, só significou medo, meu pai nos agredia muito, tanto eu quanto à minha irmã, então a figura masculina do namorado ativo, serviria para "suprir", para "reparar" a figura masculina afetuosa que nunca existiu; ontem, eu fui rejeitado por um homem em situação de rua, o qual eu sempre dividi tudo de químico que eu levava para aquele lugar onde ele ficava; eu perguntei se eu podia fazer sexo oral nele, e não era algo romântico, pois ele deixava outro fazerem, e eu nunca ouvi um "não" mais seco que aquele, ou o que eu levava era pouco ou eu era pouco, eu posso ser uma pessoa horrível, mas ainda tenho sentimentos, eu nunca mais vou voltar para aquele lugar, e nunca mais vou dividir mais nada com ele.

 

Tomei a decisão de não precisar de sexo, nem de homens, eu sou esquisito, eu tenho idiocracias, e vendo os vídeos que tenho feito, olho para eles e não consigo me aceitar, acho que nunca vou me aceitar, e se não me aceito como vou me oferecer para alguém? Existe um elevador no fundo do poço, mas se você não apertar o botão, ele não vem, não tem a ver com demissexualidade, porque eu não aceito nem o sexo, nem o afeto; é possível viver sozinho? Muita gente vive, e muita gente morre.

11 de julho de 2026

 

A um amigo do Rio de Janeiro

– E por que você quer ter esse belo corpo daqui a um ano e meio? (é apenas uma curiosidade)

– É o tempo que acho que consigo, de três em três meses consigo uma mudança significativa, estou muito retido, como muito chocolate, acabei de pegar outra, minha mãe saiu, tem um cara do Hornet, passivo, mora perto, mas não tá dando fotos, tá pilhado ainda? Não, né?

No dia seguinte

– Oii, fui trepar com um casal, pagaram meu Uber moto kkkkkk

– Ontem eu decidi que vou parar de fazer sexo, e que a filosofia de que eu não preciso/dependo de um homem para "continuar vivendo" é a mais adequada pra mim

– Sério? Vou dar a atenção decida a esta ideia, já volto (...), nossa, é de ficar refletindo, tô terminando de ficar com a minha mãe, posso te perguntar sem ser inconveniente? Por que, Hugo? Esse assunto super me interessa, você sabe o quão sexuado sou e minha ligação com a psicanálise, se você puder dividir comigo suas ideias, irei gostar demais, tô livre

– É sobre a ideia de que nós, seres humanos, somos sozinhos, o nosso instinto é viver sozinho, e quanto ao sexo, para o homem moderno, virou uma guerra, nós sempre temos que estar buscando uma perfeição do corpo e da personalidade para satisfazer aos outros, e quase nunca a nós mesmos; então eu cheguei à conclusão de que pra mim não vale mais a pena, eu posso buscar afeto da minha mãe, de um animal de estimação, eu posso procurar prazer praticando um esporte, é uma mudança brusca, mas pra mim é uma opção de desviar, não enlouquecer de ver.

 

– Se eu for rico um dia? Um garoto vinte anos mais jovem irá se engraçar para o meu lado, um ou outros, e eu vou dizer não para cada um deles; quem come carne dura está de olho na vaca!

 

xoxo


4 de jul. de 2026

-nº135/nº41-

 


41

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– Hoje o Brasil vai dormir em primeiro lugar no grupo, e eu vou dormir no sofá
– Por conta disso milhões de pessoas vão dormir felizes, mas eu vou dormir triste e não vou nutrir uma esperança irresponsável
– Há duas semanas atrás tirei fotos onde eu podia ver juventude, beleza e sensualidade, ontem eu tirei fotos onde vi minha deterioração, e a plena velhice que se instala em quinze dias, ou pode ser odores do borderline voltando a somar a perturbação? Ou já eu estou buscando alternativas para negar a velhice? Não me falta juventude, me falta a full face ou a wooden face?
– Não se dorme de sono de tarde, se dorme de tristeza, então acabo por dormir muito
– Preciso ser entrevistado e chancelado, trabalhar calado, ter uma vida regular e triste e, mais do que isso: vestir roupas tristes; e quando tudo der certo e você conseguir a sua condicional? Vai continuar vestindo roupas tristes?
Mas é que eu já tô prontinho
Pra sair pra trabaiá
E depois comprar um lote
No resort Tayaya



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– Eu não te disse por que eu não gosto de Legião Urbana? É porque quando eu era criança, na hora em que minha mãe me levava de carro para a escola, ela ligava o rádio sempre na mesma estação e sempre tocavam uma música do Legião Urbana, sempre bem naquela hora, até hoje não sei o nome da música e não lembro nada da letra, mas lembro a melodia direitinho até hoje, e sabe o que aquela melodia me lembrava? Que eu ia apanhar na escola
– Como eu lidaria com isso? Talvez aprendendo a me impor, mas o problema é que eu apanhava em casa também
– Você sabe? Você sabe por que hoje todos os meus amigos da minha vida não admitem sequer falar comigo? Postar qualquer foto posando do meu lado? Que as que já tinham, apagaram? Lá os amigos foram todos embora, os colegas se já pouco importavam... tudo por causa daquela frase de 2020, uma análise sócio demográfica mal pensada, que apaguei meia hora depois e pedi desculpas, sim, se não me perdoaram depois de seis anos, a polícia já perdoou, a pena para o crime de xenofobia dura no máximo cinco anos, sendo assim, já terminei de cumprir a pena há mais de um ano, agora de nada adianta a inocência e agora posso dizer que a polícia é mais minha amiga do que todas as pessoas que afirmaram ser minhas amigas durante toda a minha vida, os civis não perdoam, não tem clemência e só não matam por causa da consequência, e sabe por quê? A coragem e o perdão não se misturam, não para pessoas comuns, e o que eu percebi é que eu estava rodeado de pessoas covardes, rasas, é uma preta que se acha branca, que se acha uma grande merda só porque passou anos juntando moedas para ir viver na Irlanda, ou é o povinho da literatura paulistana, que por conta da lama que cobriu minha imagem, essa lama que endureceu, passou a ignorar a minha existência, com um silêncio sistemático, que me aplicou uma morte sutil, ignorando o fato que eu já saí da lama duas vezes com livros excelentes, e a única coisa que esse boicote nunca vai me tirar é o meu talento, coisa que noventa por cento dessa “cena” que se senta nas mesinhas da mercearia, não tem a palavra “talento” nem para ouvir (porque não tem), e nem para dizer (porque tem inveja dos outros), não me perdoo por ter dado meu livro do proAC para aquela editorazinha fundo de quintal da Reformatório, para aquele conservadorzinho do Noceli, que me chamou de moleque, (isso mesmo que vocês leram), que bom que ele pode, eu só não posso chama-lo de moleque porque ele já deve ter mais de setenta anos, e é mais um editor/péssimo escritor, não entendo o descontentamento, todos os meus livro que ele imprimiu esgotaram... e eu tive que cobra-lo minha cota das vendas mostrando-lhe o contrato, do contrário, ele faria a “molecagem” de não me pagar; depois fiz pior, dei meu livro mais conhecido até hoje para aquele obeso, conservador, do Staut, que se juntou ao "povinho" do cancelamento, tirou meu livro das únicas duas livrarias que conseguiu colocar, e tirou do catálogo de sua editorazinha anã, que ele não assume ser independente, diz muito sobre ele, uma capivara que se olha no espelho e se enxerga em elefantinho, mutilou meu livro inteiro, fez uma edição péssima, sequer me mostrou a prova final, não sei se fiquei mais com raiva o com vergonha quando vi o livro pela primeira vez, e ainda me cobrou uma fortuna por esse “serviço”, ainda assim, meu livro chegou à segunda edição... nesse povinho de terceiro mundo não se encontra gente diferenciada, é perda de tempo esperar uma Madonna nos anos 1980 tendo a coragem de falar sobre AIDS na televisão, aqui ninguém lhe defende apenas pela convicção da sua inocência, pela desencargo da consciência de estar colaborando pela reparação de uma injustiça, não, só tem essa gentinha egoísta, mal educada, movendo-se para a direita, nivelando-se, perdendo (se é que já teve) o conceito de arte e principalmente o que é ser artista e, quer saber? Se vocês querer que eu me foda? Eu quero que vocês se fodam em dobro, espero que vocês morram queimados, morram pobres
– Eles todos, tenham o telefone celular incendiado espontaneamente, que estejam em frente à uma prateleira de supermercado, que o celular esteja no bolso de trás no momento da combustão, e ao notarem o fogo, a dor extrema no glúteo, irão procurar desesperadamente em círculo pela origem do fogo, sem nunca perceber que vinha do próprio glúteo, em determinado momento, o desespero muda, você sairá correndo em linha reta, naquela hora do dia, havia poucas pessoas no supermercado, menos ainda pessoas dispostas a ajudar, afinal, é melhor que seu glúteo vire carvão do que eu arriscar minha mão tentando um simples procedimento de abafar o fogo em alguém passando difícil situação; é difícil saber se é misantropia, se é covardia, se é medo ajudar os outros, colocar-se no lugar dos outros, às vezes nem é necessário;
– Lembro uma vez quando eu estava em um supermercado Pão de Açúcar, e uma mulher parda, nordestina, de certa idade, perguntou a um garoto louro bem jovem "quanto custa esse biscoito?", ele respondeu de uma forma muito rude "não sei!", custar? Não custava nada ele ter ensinado a mulher a consultar o preço no leitor de código de barras



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– Toda vez eu mantenho na boca ao invés de cuspir, tenho de manter o flúor por quarenta minutos, você escorre veneno porque é veneno demais para manter na boca
– Ai, que saco, não cai demonologia no concurso público
– Ai, que legal, eu posso entrar nos Estados Unidos e fazer a Gwyneth Paltrow enfiar o Oscar dela no cu, e eu só posso entrar porque eu tenho cara de americano, lá ninguém me retém, nem retém meu celular, nem me levam para a salinha para tirar toda a minha roupa, ninguém examina meu cu para ver se tem algo escondido dentro dele
– Inventaram uma daquelas caça níqueis para homens gays conseguirem transar com outros homens gays, mas ao invés daquelas máquinas grandes, é possível jogar no celular, não é necessário entrar em fundos de bares para jogar, mas o resultado é o mesmo, você joga, joga e quase sempre perde, homens começam a conversar com você e depois a conversa acaba em quinze minutos, ou melhor, quando uma conversa "desaparece", fruto de uma mentira, a mentira existe, a mentira é "palpável", aqui, a conversa "implode", a pessoa implode, e a mentira implode em cima de você, e mesmo você sabendo o estado que você fica lá embaixo, o tempo que você demora para sair de lá, e mesmo e mesmo cheio de escoriações, pontos, gesso no braço, ainda em cima de uma cadeira de rodas, você se sente pronto para voltar a jogar, não se compreende como é se mexer nas sombras dos escombrar, e como é raro, do raro ao impossível ganhar, e quando eu ganho, é tão pouco, que é o suficiente para comprar uma escova de dentes nova, sabe quem ganha sempre? Demora para perceber, sabe quem ganha sempre? Aqueles que nunca jogam
– Sabe o que não é jogo? Sabe o que é saudável? Flertar com o motorista do ônibus
– Essa cor não é sua, essas fotos todas são cheias do máximo de luz, e você mesmo assim acha que essas luzes te abonam, e quando a máquina me mostra uma sequência perfeita de bananas, você me encontra sem poder carregar as luzes das suas fotos tratadas e ainda me olha com prepotência, eu que não preciso de luz nenhuma, talvez de tanto usar aquelas luzes você já crê que você as carrega, e não é só você, é moda por aqui negar a própria cor, a Shakira é preta, a Anitta é preta, você sabia que elas enchem a cara de pó? Querer relacionar-se com a própria raça, a uma parte do bolo da sua raça que é um esquilo que vê um gato persa no espelho, eu mesmo sou um gato, e gatos não são desprezíveis assim



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– Não vai terminar o estudo do dia, Hugo? São vinte e duas horas
– Não, com tristeza eu não consigo, vou ter que aceitar essa lacuna do excel do cronograma
– Se já tomou café da manhã, por que não vai fazer o estudo da manhã? Já são onze horas
– Cuida da sua vida? Porque eu não quero, posso muito bem fazer essas duas horas depois, duas horas depois do almoço, até lá eu me consolo deitado no sofá embaixo do cobertor
– O professor disse que tristeza não é desculpa para não estudar
– Ele não sabe o que é tristeza braba, achei que o médico tinha esquecido de colocar o único antidepressivo que restou na minha receita, mas vim a saber que ele retirou mesmo, sei que é saudável ele retirar o maior número de comprimidos possível que eu tomo por dia, mas me deixar sem nenhum antidepressivo é irresponsável, é perigoso, sendo que na mesma consulta eu falei sobre intenções suicidas com a maior naturalidade
– E você disse isso à ele?
– Eu não preciso dizer, ele que é o psiquiatra, ele é quem percebe tudo, e não, eu não preciso ir à consulta com a minha pior roupa, com os cabelos dias sem lavar, sem escovar os dentes, sem responder os sorrisos dele, falar muito sobre muita morte, nada disso... isso é uma atuação barata, batida, que os psiquiatras estão cansados de ver, quando o doutor diz
– Oi, Hugo, tudo bem?
Mesmo nada estando bem, eu respondo
– Tudo bem!

Ele só quer que eu seja educado e responda “tudo bem”, mas ele já sabe que nada está bem antes de eu chegar lá
– Por que será que ele acha que você melhorou tanto a ponto de lhe tirar todos os antidepressivos?
– Provavelmente porque eu não tive algo ténebre para contar, além disso, para mim tristeza não é antônimo de gentileza nem de cortesia, e sabe qual é a cereja do bolo que culmina nessa manhã?
– Não
– Está fazendo treze graus em São Paulo



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– Seu banco realmente te realiza?
– Nem o banco nem a mesa
– Não entendo nada de veterinária
– Por quê?
– Você já viu algum boi dormir com história?
Tá que tá muito ruim
O dia
Vai ficar muito pior
Sem energia
– Se que bem que aquele sovina jamais compraria um aquecedor para essa casa e, se comprasse não deixaria ninguém ligar para não encarecer a conta de energia
– Ouve-se o som de um interruptor e em seguida ouve-se um exú dizendo
– Aqui ninguém é sócio da companhia elétrica!!
– Que boa energia!  Como você chama?
Eu começo a chorar tentando esconder os olhos com os dedos
Eles dizem "drama, drama..."




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– Woe... horas naquela merda de aplicativo cheio de bicha feia pão com ovo que se acham a última bolacha do pacote por causa dos filtros que colocam nas fotos e os corpinhos "malhados" de fome para se acharem padrãozinho, e eu nunca acho que tenho atenção porque dizem que pareço "fake", por que pareço fake? Porque uso fotos reais e não procuro ser quem não sou e muito menos "padrãozinho"; menos de um minuto e finalmente resolvi o problema, limpei a porra da barriga com o cobertor e fui fazer um belo café orgânico para ver o quarto final do jogo da Áustria contra a Argélia na copa, que me arrependo amargamente de não ter visto desde o começo por estar procurando agulha no palheiro nessa porcaria de aplicativo, parece até que esqueci que o nóia, o demônio do meu ex, encontrei nesse mesmo aplicativo; vamos desligar o botão da raiva? O que é a busca do parceiro, afinal? Imagine estar se prostituindo em uma vitrine em uma daquelas ruas de Amsterdã, você fica lá parado e as pessoas vão passando, passando, até que alguém para e contrata o seu serviço, não é bem alguém que você quer casar e ter filhos, mas você aceita pelo sexo, e o sexo só pela prática, é aceitável, é recreativo, além do mais, o sexo só pela prática, teoricamente serve para manter "o bom funcionamento" da genitália, com a teoria de que “máquinas que ficam paradas muito tempo, quebram”, mas a recreação só se repete e você acaba se esquecendo que o objetivo do sexo casual não é o mesmo do instinto animal do acasalamento, ou seja, de encontrar uma pessoa que você consegue enxergar dentro da sua vida, onde o afeto mandatoriamente deve vir/deve ser mais importante que o sexo
"Ninguém tem tesão em uma pessoa só para o resto da vida" (Cássia Eller)
"O sexo é muito melhor fora do casamento" (Maria Callas)
Saiba lidar com isso.
Porém, você pode ficar na vitrine por quinze minutos ou pela vida inteira, o que vai fazer/pensar? Vai dar a razão da sua vida a namorar? Casar? Ter filhos? Separar? Namorar de novo? Casar de novo? E as contas? Ganhou mais ou perdeu mais?
"E fui aqui ficando
Só para poder ver
E fui envelhecendo
Sem nunca perceber

O mar
O mar"
(Rebeca Matta)
Além do equívoco da equiparação do palavra "acasalamento" nós escolhemos o sexo, nós não precisamos dele, o que nós procuramos não é a mecânica, e sim o orgasmo, nós conseguimos isso sozinhos, muito facilmente
"Masturbação é o tipo de sexo mais seguro que existe"

(Cindy Lauper)
Eu já disse isso antes, você não "tem" um namorado, você não "tem" um marido, pois pronomes de posse não servem para seres humanos, as pessoas entram e vão embora da sua vida, as pessoas morrem, e como lidar com uma possível vida de amargura com essas vertentes? A grande maioria de nós procuramos alguém para dividir a cama e o teto, não para mostrar para si mesmo que é feliz, porque é tão difícil dizer para si mesmo que é feliz, que é mais fácil “terceirizar” essa tarefa colocando alguém na sua vida, e além disso, mostrar isso para a sociedade, para a sua rede de apoio, não importa se você está bem, o que importa é que os outros pensem que você esteja bem, "A sua irmã já casou, todos os seus primos já casaram e você nada... bem, aturar você não deve ser fácil", é o tipo de pérola que a sua mãe te diz vez ou outra, mas isso é só o buraquinho do vinil, a sociedade deve achar coisa pior quando você está sozinho, mas eu mesmo vejo coisas nas redes sociais... "Namorar com esse diabo só para dizer que está namorando?"; flerto com a ideia de permanecer sozinho para o resto da vida, essa não é uma filosofia nova, pensando bem, de fato, eu não preciso de um homem para nada, sabe para que serve o sexo casual? 1. Para um ficar reparando os defeitos do outro 2. Para satisfazer o outro, sem a menor preocupação em se satisfazer; contratar garotos de programa? Naqueles sites de acompanhantes eles são um presépio, quando chegam na sua casa é uma presepada e, pelo que já ouvi falar, quase todos são ladrões
– É possível ser feliz sozinho, eu não concordo com Tom Jobim, porque o raciocínio é muito simples, nós vivemos no único planeta do universo onde existe vida, e nós estamos nessa potência de solidão, nós seres humanos somos sozinhos, nascemos sozinhos e morremos sozinhos e não sabemos para onde vamos e a origem de todas as religiões é o desespero




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– Sim, pelo menos fiz minhas horas de estudos para o concurso e fiz o checked na minha planilha, e não carreguei nenhuma bicha malvada em algo que é bom para mim, aliás, tem lá na planilha uma célula que ontem marcava dez e hoje vai marcar onze, ou seja, convites para sexo, cocaína e abandono, eu não estou disponível! Eu não estou disponível!
– Do lado do sofá tem a minha mesinha, o que tem nela? Uma cartela de Zolpidem, um brinco (eram dois iguais, mas o outro eu perdi da última vez que passei vinte e quatro horas em um motel), um livro sobre budismo que minha mãe acha que eu vou ler e, noto a falta do meu livro da Adília Lopes, que foi retirado por algum motivo pelo qual, às vezes, como diversos outros, sou retirado de situações da vida

xoxo


18 de jun. de 2026

"((Nº135)Nº40))"

 




40

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– Pode encostar o carro na bomba
Então eu encosto
– Não precisa sair do carro
– Eu costumo sair carro, sei que existe risco de explosão durante o abastecimento
Ele ri
– Isso é quase impossível, moço
Mesmo assim prefiro esperar ao lado do totem da Elma Chips
– O que vai querer, amigo?
– Pode completar de inveja
Ele estranha, se certifica
– Mas já está completo, moço 
Eu fecho a boca e penso "Eu sabia..."

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– Quando eu lembro que eles escondem os doces no carro, eu lembro que isso também está ligado pelo fato de que faz tempo que eu não entro naquele carro, que eu sou um saco de carniça que eles não sabem jogar fora sem que ninguém perceba
– Quando eu alugar um pequeno lar para mim, e eu olhar para o espelho, eu não vou enxergar um ser humano, vou precisar olhar muitas vezes até eu conseguir enxergar um ser humano nele depois de tudo o que me fizeram passar, depois de toda a carniça que me disseram
– Por isso hoje, estou tão triste; por isso ontem, estava tão triste; por isso amanhã, estarei tão triste

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– Existe a pessoa, mas existe o sonho, se não tiver sonho não vale a pena, meu três ex-namorados sequer eram pessoas; toda morte é a interrupção de algo que poderia ter sido, não importa em que momento, evitar a decisão legítima do suicídio é desejar concluir o que deve ser, é o medo de se acusar de não ter tentado, como se existisse algo na vida que valesse a pena a dor de permanecer nela, não passa da covardia de perceber uma atemporalidade do desaparecimento e tampouco da insignificância do ser ante da imensidão, ante da pobreza de uma vida cinza
– Eu não sou biológico, meus pais me acharam no lixo, graças à não haver nenhuma guerra civil nesse país, não houve necessidade de esforço de fugirmos para Londres assim que me pegaram do lixo
– Quer saber? Se não me pagar, se me enganar, que se dane, a vida não será mais nem menos horrível por isso

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– E ver a beleza, e ver saltar a palavra "nunca" como um algoritmo, nunca diga nunca resulta em sempre? E se sempre diga sempre resulta em nunca?
– Eu não sou a guerra, mas sempre sou eu que tenho de esquecer do ataque e sugerir a paz; o ambiente fica mais leve, eu sento em uma nuvem por um tempo, mas as luzes se apagam de novo, os raios voltam a incomodar, na impossibilidade momentânea é onde a vida não presta, no sumiço do cartucho é onde a vida não presta, e principalmente na inércia, é onde a vida é horrível; amanhã vai fazer uma década que eu pedi o meu resgate, até agora ninguém nunca veio fazer o salvamento, eu continuo refazendo o pedido do meu resgate, não adianta ficar na grade esperando, eles nunca vem, todos os dias eu peço socorro pela internet, eles me entrevistam, me humilham, mas me ignoram, acham que a minha miséria não é o suficiente; tenho dificuldades de me mover de um cômodo para outro, meu peso real é muito maior quando tento me cuidar, quando tento progredir, é onde a vida coça

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– Ah, tá, é uma dopamina escorrida ralo sujo abaixo; sonho, se houver a mínima possibilidade de se tornar realidade, então não é sonho, sonhos foram feitos para serem impossíveis, sonho e realidade não se misturam, não há trégua, quando alguém diz que realizou um sonho, este não sabe o que é sonho, apenas perseguiu uma meta real, sabia o caminho para atingi-la e planejou o mapa e as contas para atingi-la, o sonho é outro fundo, é impossível saber como alcança-lo, o sonho é que faz contas para saber se você o merece e, na grandíssima maioria das vezes, o ser humano não merece viver um sonho, o ser humano nasce sonhando e morre sonhando, engana a si próprio e aos outros afirmando que é feliz, vivendo uma vida repleta de pesadelos reais, o ser humano ainda pretende vender uma imagem de que se aceita, mas essa imagem só serve para os outros, se o ser humano se aceita, não é necessário sonhar, mas como não se aceita, o sonho serve não mais como redenção, talvez, quando Plath disse que "uma vida sem sonhos é loucura", talvez seja sobre isso, todo mundo esconde a própria loucura, e a própria Plath acabou com a cabeça dentro de um forno de cozinha, vedando os filhos pequenos no quarto para os manter vivos, dando a chance ao marido; sonhos não envelhecem, mas nós envelhecemos, e é isso que nos deixam tão longe deles

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– Já me imaginei vivendo de várias formas, fazendo, sendo tantas coisas diferentes, se eu tivesse visto de trabalho para viver na Suécia, eu sequer passaria uma semana de férias no Brasil, mas olhando para a idade que eu tenho, agora não dá mais tempo de viver, só de sobreviver, visto que até o direito de morrer é dificultado, caio em saber que comprar um revólver no mercado negro custa bem mais do que eu esperava, é o mesmo valor que a editora pediu para publicar meu livro novo no Brasil e em Portugal, o que é mais sensato? Abreviar uma cilada ou investir em um sonho? Ficar lá esperando sentado em uma nuvem pesada, escura, balançando as pernas comendo pipoca de micro-ondas
– Quando você acorda, bom dia, vamos mascarar o dia? Os controles foram escondidos e os suecos estrearam melhor do que todos imaginaram no mundial de futebol, mas não consegui ficar acordado o suficiente para ver/ouvir isso, os processos ainda continuam acontecendo e eu ainda nutro pretensões empregatícias, chego ao quarto para fotografar objetos à que tenho afeto e encontro uma mesa suja
– Molham a ponta do cigarro da idosa para ela desistir de fumar, escondem os controles da televisão para eu levantar do sofá e me sentar em frente ao computador para produzir algo; no caso dela é para o bem, no meu é sempre para o mau
– Hoje eu vou tomar banho com ou sem a sua ajuda



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– Há uma semana atrás eu revivi o fato de que é possível buscar o meu perfil de aktep no kinopoisk, "aktep" significa ator em russo, kinopoisk é uma espécie de IMBD russo, lá é possível buscar meu nome de ator, os curtas em que atuei, e dar estrelinhas, mesmo eu não sendo uma estrelinha, se um russo ter me visto em uma telona, ou baixado algo em que colaborei, pode acessar o kinopoisk e, difícil alguém dá estrelinha, porque só dão estrelinha para quem é estrelinha, e eu sou atípico demais para isso, mas se deram o trabalho de fazer uma página para o "aktep" Hugo Rodrigo Guimarães, é sinal que há motivo
– O meu último convite para cinema, eu tive que recusar por conta do ex-namorado ciumento que me traía em aplicativos enquanto eu trabalhava para sustentar eu, ele e a casa

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– O dia mais feliz na terra não será quando a luz apagar dos seus olhos, vai ser quando a luz acender nos meus olhos

 

xoxo