8 de jun. de 2026

"((Nº135)Nº39))"

 


39

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– Hoje mesmo pensei no nobel, tinha 1 centavo na conta, bebia refrigerante em um copo de medidas, até os copos ele esconde, de todas as formas que uma pessoa consegue ser pobre: ele é pobre, quando ele chegar do outro lado, chegará nu, e será recebido pelo saco de gatos que matou, que lhe arrancarão a pele, e ele sentirá a dor que será só o mínimo; verá, que tinha o coração do tamanho de uma abelha
– Tá ocupada?
– Tô
– Vamo lá bater no Hugo comigo?
– Não

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– Como também há lugares para esconder dentro do corpo, eu abandonei meu sorriso; como não há nenhum lugar na internet que se saiba, onde eu possa expor o corpo sem me defender, eu abri mão da ilusão dessa liberdade, só eu é quem pago malas de dólares e ganho algumas moedas, aliás;
– Depois de mim, que é no começo a produção de mim, nem isso me sustenta boiando na enchente, ele, bonito demais, passa a não mais conversar comigo, começa a ser entrevistado, e depois, pior, começa a fazer o "favor" de responder, e o pior é que, nem sei se é o pior, é que hoje eu já percebo esse movimento muito mais cedo, e é melhor assim, não correr o risco de ir até ele e mostrar o que há de mim sem produção, porque onde há movimento o tempo todo não há produção, e é onde a vida é feia, por isso eu decidi me afastar da vida por uma semana, afastar-me do jeito que eu a conheço
– A reputação pode se ocultar, mas a conduta não é ilibada, a natureza humana não é ilibada, e tampouco a sua consciência;
– E então eu já chego à tal determinada idade da vida, não é uma "certa" idade da vida, é "determinada" idade da vida, pois se em um momento “qualquer” da vida você estipula casa, estipula marido, quando você "determina" a vida, a vida é errada
– Você sim, consegue perceber a idade, o que o tempo fez com você, mas o terror é tanto, que o corpo se defende dessa lástima e, mesmo naqueles momentos em que você percebe, logo você rebate, achando que sua inteligência, sua cultura, seu nível intelectual, sua negligência, sua maturidade seletiva e principalmente seu dinheiro, é triste, mas sobretudo seu dinheiro, compensa o rosto, o corpo e os dentes que você não reconhece e não quer reconhecer
– Você não quer juntar velhice; o fato de ter prosperado merece um casaco de general cheio de anéis, e isso significa um garoto vinte anos mais jovem e, sim, eles aparecem, é só mima-los com coisas caras, se o sexo que você oferece não for bom o bastante, eles tem muitos amiguinhos por aí que resolvem isso; até que vocês puxam o barbante até o final, e lá vocês se encontram muito bem vestidos na praia para se casarem, com as testemunhas compostas com aquelas famílias fraturadas, que sorriem só com a metade do rosto, parecem estar ali fazendo um favor, são famílias esburacadas, se não são de coração são de alma, de A ou B, ou ambos, já que ao inventarem a palavra “alma”, pretendiam se referiam ao melhor do ser humano, mas nesses tempos, parece que a alma ainda não chegou lá, não é mesmo? Um tio solta um pensamento no ar:

– Que situação... Sempre foi um menino escandaloso, minha irmã deve estar morta de vergonha... Deus me livre aparecer alguém conhecido por aqui, Será que vai ter troca de aliança? Beijo? Eu não vou sair em foto nenhuma! Vou pegar minha mulher e ir embora na ponta dos pés!

– É sempre assim, o novinho que não é lá tão novinho, levou tempo, mas você descobriu que ao invés de dezenove ele tem trinta, bem para algumas pessoas, a boa genética fomenta a prática desse tipo de enganação; o novinho vê a grossa aliança de ouro e o primeiro pensamento é vendê-la; os pedidos quando se fecha os olhos antes de se dizer “sim” no altar? O velho quer amor e quer casa, o novinho quer dinheiro e quer casa, na realidade, aquela que se está atrás do para-brisa, o que ele quer é a sua morte e que seja rápida, para ficar com tudo o que você tem, para aí sim, ter a oportunidade de casar por amor; por enquanto, sejam felizes! Felizes? Ou melhor: aproveitem o quanto dure

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– Quando vou fechar o plano, você abre esse sorrisinho sacana, veste esse shortinho minúsculo, de putinho fácil, parece que só tem esse, quando vou cancelar o plano, você faz uma cara de cu e pergunta o meu nome, como se eu não tivesse nome, mas você sabia meu nome, você não merece sentar nessa cadeirinha, você merece ter nascido em Ruanda, merecia estar lá, lá não tem São Paulo para você migrar, o inferno está apertando, a ereção começa a ficar mais difícil, e acho que é melhor assim, sabe de uma coisa? Eu nem lembro da última vez em que um homem me abraçou, é tudo tão rápido, dura minutos, tanto que aprendi com eles para fazer com os outros, não porque eu também quis ser ruim, é porque eu não vejo mais relações entre homens que não são mais vazias assim, e nós aprendemos o que vemos
– "Quem não deve, também teme", vi hoje essa frase com letras garrafais pintada na lateral de um prédio aqui em Pinheiros, eu tinha acabado de sair da estação Faria Lima, e o prédio ficava em uma rua quase na esquina com a Avenida Faria Lima, o contexto é sempre implacável, naquela Avenida, todos os que devem, nada temem, e você, não se atreva a dizer o contrário, "Quem não deve, não treme", será que essa faz mais sentido?

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– Muitas vezes, ao abrir os olhos, não se trata de um dia de vida, pois se não é vida para todos, se é morte para muitos, então é problemática, ou então é ignorar a morte cegamente até que ela surpreenda, mas o que ela implica não é só um buraco, é um abalo sísmico, e ante a morte do vizinho, as senhoras budistas começam a chegar, uma a uma, sempre muito sorridentes, para mais uma reunião, mais uma "celebração" da vida, ou uma renovação de energia e paciência para continuar aturando os maridos; o jovem vizinho da casa em frente morre de enfarto em uma cidade do interior do estado, ofereceram muitos trabalhos de corridas de aplicativos por lá, mas ficamos sabendo há casal de dias atrás que ele foi encontrado morto na casa onde estava, ele tinha uns vinte e cinco anos e nós já sabemos o que mata jovens de enfarto, não é mesmo? Claro que soube que alguns vizinhos disseram coisas desagradáveis, maldosas, apenas por hábito, mas e a memória, e os votos pelo descanso? Onde ficam? Em nosso tempo mais e mais certas palavras se tornam "ofensivas", caem em desuso, assim como a palavra "cadávil" evolui para "cadáver"
– Só três atletas tem direito à última tentativa nas provas de campo nas etapas da Diamond League de atletismo agora, não? E nos outras que ficam de fora, pintam com um lápis preto grosso uma lágrima em cada olho, um risco que sai do ângulo do olho e vai quase até a mandíbula; eu, eu mesmo, raramente ficava entre os três melhores, e não tinha lápis preto escuro nenhum para desenhar as lágrimas, depois de ouvir risos após gritar ao soltar o dardo da mão para ajudá-lo a ir mais longe, eu tinha medo por não saber por que riam, nunca soube e eu engolia um vômito escuro no lugar

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– O sete de junho mudou meu aniversário, a luz da lâmpada me faz ajustes importantes, a luz do sol me traz de volta alguém que eu nem lembro, mas até me orgulho; pena que todo dia vira noite
– Se eu aceito qualquer um daqueles que eu chamo de lixo só por causa da porcaria pesada que eles tem a me oferecer, então o lixo sou eu, não eles, não entendo porque demorou tanto para eu perceber; quando o absurdo acaba, quando se percebe quantas colheres de sopa de açúcar foram colocadas naquele café curto, você percebe que ligar um ponto ao outro, no caso você, em condições muito ruins, desde a sua casa, requer esforço, força de vontade, coragem, mesmo não havendo físico, não havendo psicológico para isso, e você só tenta porque o ponto de partida já se tornou insuportável, não é o corpo que vai, é a alma que puxa, quando não funciona ela empurra, mesmo eu sendo ateu, mesmo eu não acreditando, não sabendo, e não podendo descrever, desenhar a alma, talvez não seja nada, só um nome, mas ás vezes sim, algo além do meu corpo, às vezes me move
– Ligar um ponto ao outro? Parece fácil? Você já pensou nos seus trajetos diários? Da sua casa até o trabalho? Ao ensino? Os caminhos que escolhe? Quanto tempo leva? E quando volta? São os mesmos? Como você sobe uma escada? Sobe do jeito mais saudável? Mais rápido? Bem, são perguntas que ouço muito na área em que atuo profissionalmente enquanto não me torno best seller ou músico relevante; slogan como "ajudamos você a ligar um ponto ao outro da melhor forma possível", parece fácil? Não, é bem difícil, importar uma carga da Conchinchina e entregar no destino final aqui no nosso país, dá um trabalho do c******! E para ligar esses dois pontos, costumamos aplicar conceitos como melhoria contínua e otimização de processos

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– Existem pontos onde eu não quero chegar, mas o ponto onde eu estou é mil vezes pior

 

xoxo


25 de mai. de 2026

"((Nº135(nº38))"


38

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- Daniel?
- Presente
- Fabiano?
- Presente
- Maria?
- Presente
- Angústia de fragmentação?
- Pânico-like?
- Presente
- Presente
- Presente...
- Danilo?
- Presente
- Aline?
- Presente
- Anastácia?
- Presente
- Postura sorumbática?
- Presente
- Belle indifference?
- Presente

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- Meu amor foi embora, mas a carteira ficou, a piroca boa foi embora, mas o celular eu escondi, mandou uma carruagem para eu ir resolver seu problema, mas tive que ir embora de bonde-caveira, com direito à escala em Campos do Jordão, bem na noite em que previu-se um frio de -3, vestido com uma roupa fina toda furada, fui maltratado por todos no caminho, ou eu dormia no caminho ou eu escondia meu pênis inchado, e que coisa, Manauara, que coisa, toda vez que você usa uma imagem com drogas para me atrair até você, é porque até você sabe que, por si só, você não atrai ninguém sem elas, e o pior, as fotos das drogas sempre são temporárias, e não porque você tem vergonha delas, é porque você é contra elas e contra quem as consome, você é mais um conservador hipócrita, que odeia tudo o que secretamente, você também é, e o pior, da última vez que eu vi aquela foto porosa que você me mandou, eu percebi que se tratava de uma ratoeira; não se morre lá dentro, mas é difícil sair, e se for pra ser rato, eu prefiro queijo, queijo, queijo, e o pior ainda: não se usa ponto final nesse texto
- O bebê foi embora, mas a barriga ficou; um dia chegou, outro dia foi-se, será que aquilo foi culpa minha também?
-Acordei em uma feira de coisas velhas-dentro dela umas crianças dentro de uma feira de maconha-sob um chão de bonecas mortas despedaçadas e sujas sorrindo pela metade-eu fiquei sem minhas chaves, mas algum Bonnie ficou sem o Clyde-olha o passo do canibalzinho, veja como ele é feinho...

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- Andrea?
- Presente
- Cláudio?
- Presente
- Gustavo?
- Presente
- Mímica expressiva desanimada?
- Presente
- Predominância de ideias de ruína?
- Presente
- Otávio?
- Presente
- Sônia?
- Presente
- Regina?
- Presente
- Afetividade com ressonância diminuída?
- Presente
- Tônus afetivo diminuído?
- Presente
- Pragmatismo prejudicado?
- Presente
- A noite não convida para dormir, ela demanda, não se recusa o sono, se foge dele, faltou a voz gentil de uma mulher, a que me diria que era melhor sair para comprar sorvete e sairíamos para comprar sorvete, e então eu não compraria porcaria nenhuma, mas não havia mulher gentil nenhuma, e então eu não comprei sorvete nenhum, e então eu fugi do sono, e a noite foi uma porcaria
- Hoje, estou de frente para o museu do amanhã
- Será que vai ser hoje?
- Não, é só amanhã

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- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- Se eu tivesse a chance de vir ao mundo novamente, e tivesse alguns pedidos atendidos, será que seria o suficiente? Mesmo com essa manobra, será que, aquele ordinário e belo ser humano, que uma vez chamei pelo nome e sobrenome em uma descida ao inferno, prestaria atenção a essa minha segunda descida? Faria fazer sentido a ponto de eu gastar uma das minhas vidas em um jogo de azar? E o prêmio é um corpo, um corpo finito, e finita é a vida, you're the querido y finito, you're the querido, oh my corazón

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- Minha cicatriz atriz, meu frango em frangalhos, minha junta Júpiter, minha apoteose a paula Tina mente, á tartaruga madrugo, tempão e embutido

                                                     

                                                              xoxo 

8 de mai. de 2026

Leia "((Nº135)Nº37)"

 



37

 

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– E aquela língua enorme que sai do pescoço? Deveria sair pela boca...


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– Aquelas câmeras que ficam dentro daqueles pequenos armários funcionam como armas de fragmentação, mísseis que liberam diversos drones baratos, são baratos, mas caros para se defender, acabam sendo muito eficazes 

– A minha aura é clara e a minha energia é leve, só precisa limpar, um pano sujo serve para limpar a fuligem 

 

v

 

– Cansado dos homens desse raio de dois quilômetros, só porque é sábado e todos os outros homens estão sendo felizes por aí, eu achei que eu também deveria; dos que tinham disponíveis no App, um lourinho muito bonito, que usa muleta no braço esquerdo, era a melhor opção, mas o que logo me ocorre? Eu não mereço ter um homem inteiro? Sem problemas em nenhum dos membros? Mas não era isso, a questão é que qualquer um servia, que eu deveria ir tomar banho passar meu perfume francês e me deslocar por um quilômetro até a casa dele só para receber sexo oral; mas não é isso que eu preciso, não é um simples abate que vai me fazer feliz, a felicidade vem com o toque, com o frio na espinha, aquela vontade de juntar os corpos e não querer parar; o App me oferece uma lista de homens que não me responderam e que eu me corresponderam, escrever corretamente afasta todos esses homens que não sabem escrever, não fazem questão de saber, e usam essa característica para me excliur, sou muito diferente deles, eu sou muito para eles; talvez não seja o lugar, talvez seja eu, e que eu preciso logo tratar de me acostumar a viver sozinho, mas aí, eu mato meu sonho original desde que me descobri gay: ser amado, e ser amado por um homem, a carreira de artista de rock? Era só para ser mais conhecido e conseguir um homem mais fácil, mas e agora que não vai mais ter homem nenhum? Que o sonho acabou? Já posso tratar de comprar um revólver e deixar de viver uma vida que é cada dia mais insuportável? Estou preso desde 2018, já são oito anos, tenho nojo de tudo nessa cela, cada objeto, cada móvel, cada enfeite, os guardas dormindo, a minha mãe dizendo coisas terríveis e me falta coragem de dizer na cara dela

– Às vezes você é um monstro!

– Aqui não tem lençol para se enforcar, nem Tereza para fugir, ano passado eu fiquei quarenta e cinco dias em condicional, esse ano mais trinta e um dias, e quando eu volto os cachorros me culpam, a culpa é sempre minha, quando eu cheguei no seu útero, eu fui colocado lá, eu nunca quis ir, nunca

 

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– Aposto na sua breve morte, nesse momento aguardo a sua breve morte, a lei da causa e efeito funcionou para você? Parece que sim, eu não seria um ser humano tão cruel a ponto comemorar a que ponto você chegou e desse não sai mais; você está aí neste ponto para pagar por toda a maldade que fez comigo e decerto, com outros por aí; aguardo a notícia da sua morte como alguém sentado em um bote, em alto mar, resgatado do Titanic; por que não tentou colocar outra calota depois de tanto tempo em que a calota nova rejeitou? Provavelmente, ou para explorar o governo, ou porque os médicos te disseram que não é possível colocar outra; e aquele boy barato vagabundo que se vende por cem reais, valor baixo demais, e os que cobram isso, não tem muito a oferecer, ao final da "hora" do garoto, você disse que o chamaria para atender você e seu marido ao mesmo tempo, falava incisivamente na minha presença, para me diminuir; porém, com aquele moleque, seu marido aceitaria o ménage e sabe por quê? Porque ele não ofereceria competição, diferente de mim, que seu marido nunca quis por ter ciúmes, e tem porque eu sou diferenciado, e eu não era um boy em serviço, eu sempre fui a nossos encontros, você oferecendo quarto em motel e drogas, e eu fazia coisas que seu marido não faz. Porém, é melhor usar uma peneira mais grossa para tapar o sol, acha que aquele moleque vai se despencar da Aclimação até esse buraco, depois de ver que você ainda usa fotos antes do AVC no aplicativos, contando brevemente sobre situação, e quando o boy chega, você abre a porta em cima de uma bengala, e se apoiando sobre ela mancando como uma velha, o boy nota a sua cadeira de rodas, e por mais que você tente esconder, dá pra ver o estado da sua cabeça, o rosto muito envelhecido comparado às fotos do app, e o boy vendo você se arrastando pela cama feito uma lesma, apesar de você estar tão seguro naquele dia, há a atuação, aquele boy só fez o que pode para receber o dinheiro, e nunca mais você o verá. Eu tenho um nível de psicose sexual, a sua condição não era um problema, e embora ele já tenha me oferecido os mesmos cem reais, nunca aceitei, eram bons os nossos encontros, eram sim, mas infelizmente o seu mau caráter estragou tudo


 


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– Após um pouco de raciocínio, um pouco de perspicácia e um pouco de inteligência, consegui ver uma luz no fim do túnel; após o elevador que peguei no fundo do poço, que me deixou em um subsolo que não sei se era o último, se estava perto ou tão perto do mais fundo, eu só sabia, eu só aceitava envolto a uma bruma, que eu não sairia de lá, é preciso muita força para o elevador subir 

– Além dos sonhos muito difíceis que eu estipulei para mim, poucos, mas muito difíceis, a ponto que só continuam vivos por causa de uma possibilidade mínima

– Eles fizeram mais que bullying, nunca precisaram fazer bullying e não precisam fazer bullying depois, e após tudo ter acabado, hoje, nove anos depois, quando todo mundo que era perfeito, ficou com a cara inchada, com olhos cansados, mas deixaram lixo pra trás, carregaram o cadáver, mas deixaram um pouco de sangue, sem a menor preocupação com a consequência 

– Me deixaram lá por nove anos, e a exposição não era o bastante, fizeram também legendas cruéis, que ameaçavam a minha segurança alimentar, retardaram a minha saída do cárcere, quiseram rasgar meu diploma; mas agora, tanto tempo depois, o crime está descoberto, talvez porque não existe crime perfeito, e agora, será que vou poder, eu mesmo rasgar meu diploma? Aquele canudo da tristeza? Só faltariam vinte anos para eu me aposentar, sei que nada será como antes amanhã...

– Esse bebê, esse bebê reborn que caiu no meu colo, eu vou cuidar muito bem, parece que ainda há tempo para sonhar 

 

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– Eu esperava encontrar chocolates dentro da minha caixa de madeira onde tem um monte de cabelo meu, que eu mesmo cortei quando eu olhava para o espelho e me odiava tanto 

 

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– Eu não consigo raciocinar, que a maior barata que tem no banheiro é maior do que eu, além das baratas muito jovens, que se parecem com formigas, mas são muito mais ageis, até que, nesse momento, não sei se as baratas muito jovens são três 

– Coloquei colocar na televisão da sala o filme "Quando eu era vivo" de 2012, baseado no livro "A arte de causar efeito sem causa", do Lourenço Mutareli, consegui arrastar minha mãe para a sessão, e ela até gostou, até saber que ela esperava que fosse acontecer alguma coisa, e no final não aconteceu nada; eu, dessa vez, fiquei interessado em saber mais sobre ocultismo 

– Sob os olhos do mundo, duas tenistas tiram foto uma do lado da outra em direção à arquibancada direita, depois viram-se para tirar foto de frente para a arquibancada esquerda, uma é do Cazaquistão e a outra é da China, aparece uma legenda na altura da barriga delas: "0% cocaína", as duas não se cumprimentam, dão as costas uma para a outra e vão cuidar da vida! Cuidar da vida!

 

xoxo


17 de abr. de 2026

"((Nº135)Nº36)"





36


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    - É de chorar, de desidratar, de se afogar, abrir os olhos e mais um se foi; eu adoraria ser cego, eu só não seria porque seria difícil escrever, se eu não escrevesse, eu adoraria; muito do que eu vejo, parte me dá nojo, parte me dá raiva


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    - Um mendigo pode ter um cachorro, eu não posso


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    - É possível ter esperança? De um futuro enfim próspero onde poderei viver com espaço, privacidade absoluta, um pouco de conforto onde se possa criar um cachorro feliz? A essa altura tenho medo por excesso de futuro ou tenho ansiedade pelo pouco dele que tenho? Em parte, também cabe a mim escolher, já estamos em abril, e a minha Sue Sue, a minha querida chu chu, já está ansiosa para saltar da tela para o papel, para sair dessa bolha e respirar os ares que merece, ares muito distantes daqui, desse ano não passa, embora o fato de termos ultrapassado um terço do ano me espanta, me acompanha um frio na espinha, hoje é sábado, ontem foi a sexta-feira do peixe, pra mim não faz sentido chamar de santa, eu não acredito em nada que é santo, sim, eu comi o peixe e, os finos filés de tilápia, por que não paramos com isso? O almoço se reduziu em três, eu (ateu), minha mãe (budista) e meu pai (crença indeterminada), onde um é desafeto do outro, uma páscoa em Isfahan; amanhã será o dia dos ovos de chocolate, nem galinha nem coelho põe ovo, eu comi meu ovo ontem de propósito, não me pergunte o que acontece com Jesus na páscoa, não me pergunte o que acho de uma religião em que os fiéis acreditam que um homem foi crucificado e depois ressuscitou; é impossível um homem ressuscitar, impossível! Como essas pessoas ficam cegas a tal ponto? Defender isso? Matar por isso? Há pessoas que afirmam que Jesus não foi crucificado coisa nenhuma, que ele fugiu para a Índia, quem está falando a verdade? Outras pessoas afirmam que Jesus sequer existiu..; e quanto a Bíblia? Aquele instrumento de manipulação que a igreja usa há milhares de anos como fonte de difusão, de medo e ódio contra qualquer um que vá contra todas aquelas histórias fantásticas, aquela miséria impraticável, um homem abrir uma fenda no mar para alguns velhinhos de bengalas passarem, isso não é escandaloso o suficiente para que essas pessoas tão pobres de recursos, também sejam tão pobres de raciocínio para perceber que algo está muito errado? Eu não sabia, juro que não sabia que as igrejas evangélicas tem CNPJ no Brasil; falar sobre aborto é um peso que não estou podendo carregar, e uma energia que não estou podendo gastar


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    - Eu sou tudo o que minha mãe sempre quis, um cachorro que não cresce


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    - Virou o ciclo e eu perdi a juventude, virei um monstro de cem anos vagando pela noite, identificado por uma lanterna no rosto por alguém encucado pela minha presença estranha rondando, e horrorizado com o que a luz mostra; no outro dia, minha mãe teve de procurar a didática para explicar que não virei o ciclo assim, que somente a aparência dentro de mim aflorou para o lado de fora, por fim, na luz do dia, preferi passar por dentre as nuvens pretas usando um capacete, ouvir a primeira música desse nesse deste novo ciclo? Acabei escolhendo "It's A Beautiful Day" do Pizzicato Five, sim são japoneses, é possível ser adulto e parar de odiar todos os japoneses só porque uma japonesa me fez mal? Eu não odeio chineses, apenas muitos deles; repeti "Adam Lives in Theory", não abri o App, e decidi não abrir mais, esse aplicativo é um jogo, e um jogo que vicia, onde você se oferece, oferece, e tem uma fração de respostas, os que entram em contato comigo parecem meme de feiúra, esses é o que tenho de aceitar? Será que sou tão feio quando eles? Depois de muito scrolling, na maioria das vezes fico sozinho, na maioria das vezes sou desmerecido, uma ou outra vez sou buscado em casa, para um encontro frio, rápido e que nunca mais se repetirá, será que é porque preciso emagrecer, ou porque aparento mais velho do a idade informada? Porém, eu parecia muito melhor do que aqueles dois últimos homens

    - Parecia certo que ao comprar cocaína de boa qualidade e boa quantidade, assim que recebesse dinheiro em breve, eu o usaria para isso; porém, eu tenho algum lugar no mundo para fazer isso em paz? Ficar nu em paz? Não, não tenho, aqui nessa casa onde vivo tem câmera no meu quarto, e quem pôs fez questão que eu soubesse que tem, e isso se chama terrorismo, ele faz isso porque não tem vida, por isso se empenha tanto em rastrear a vida dos outros, hackeia minha mãe e eu por ter uma vida vazia e por ainda achar que eu e minha mãe pertencemos a ele; mesmo com intensa vontade, não esqueci da cocaína, mesmo não querendo mais ter plateia nas minhas intimidades, além da câmera no meu quarto, o meu vizinho da janela da janela da frente consegue me ver nu pela minha janela de alumínio repleta de furos, não sei como; além do mais cansei de mandar imagens inadequadas para os meus contatos e depois entrar em App, jurando que não iria, e mandar minhas fotos estranhas para todos os homens daquela constatação, lamentação, já no caminho da descendente rumo à morte; eu plenamente sóbrio, há uma câmera escondida na sala de estar, nos armarinhos dos dois banheiros, e no meu quarto, por essa eu não esperava; paciência tem limite, nem mais um dia aqui


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    - Sim, eu finalmente peguei novamente a minha apostila de Ucraniano, vou retomar essa noite. Dessa noite não passa. O Duoligo insiste tanto para eu voltar, provavelmente porque eu já paguei pelo curso
    - About a Boy: bem, escolher a opção certa, de viver sozinho SEM precisar de um homem, é uma realidade que persigo há anos; o desespero é algo que transparece, a pressa também transparece, e outros homens percebem, quando você é um bosta, os caras vão te olhar como bosta, é o que tiver ao psiquiatra, conto o que acontece na sociedade, eu olho para um belo homem, mas ao mesmo tempo eu me ponho no lugar dele, e se estivesse no lugar dele, eu diria não para o Hugo, se eu diria não no corpo dele, é porque eu continuo não me aceitando, e essa auto rejeição, é um muro de concreto tão alto que eu não reúno forças mínimas para atravassar, há pessoas na Internet que prometem ter a fórmula mágica para escalar, passa-lo sem uma escoriação sequer, mas será crível começar um processo assim? E depois? Terei envelhecido mais três anos? Quando eu finalmente me aceitar, a psiquiatria vai cuidar das minhas rugas? Dos meus cabelos finos e brancos caindo dia após dia? Da perda progressiva da minha visão? Da demência que não vou escapar porque um psiquiatra passou a batata quente para o outro de fazer o meu desmame de ansiolíticos? Ou de nada disso acontecer porque ao invés de comprar aquela roupa bem cara, vou comprar um revólver antes como "passaporte"? O lugar me dá nojo, a pessoa me dá nojo, mas é preciso lembrar que eu não sofro contaminação, que eu não sou nojento


v


A vida é como tudo na vida
Começar bem
E acabar mal

xoxo




3 de abr. de 2026

"(Nº135)Nº35)"

 



35


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-- Eu não vou comer a carne, tampouco chupar a linguiça
- O garoto louro? Também faltou, e não trouxe atestado, e é melhor que seja assim, ele não embarcar, nem partir comigo
- Eu sim fui convidado para entrar naquele carro branco e, secretamente, mesmo na sua condição de empoderada, você também adoraria entrar
- Como pode um lugar chamar Vila Nova York e ter uma fábrica de cuba? Bem, faço aniversário no mês que vem, a única coisa boa? Sugerir o presente aos velhos; do lado da empresa que eu TRABALHAVA, ficava uma fábrica de cuba! Juro, e eu quero ter a imensa cara de pau, de ver o meu pai chegando na sala, me ver com as pernas cruzadas "Igual ao Silvio Santos", como ele mesmo diz, e perguntar "O que você quer de presente de aniversário?", vou olhar bem nos olhos dele, usar uma voz que não uso na vida real e dizer "Uma cuba!", realmente quero ver a feição de indignação e surpresa daquela cara grossa
- Se eu dei outras opções? Lógico! Pode ser outra gata ou uma réplica idêntica à da estátua da Huihui (a mesma que está na China)
- Nova York e não tem UM prédio sequer
- O que tinha muito naquele inferno de lugar era desmanche! Eu fiquei indignado, humilhado e a minha história que construí em todos esses ANOS, neste ramo desgraçado! Que eu odeio! Nessa PROSTITUIÇÃO, nessa área que me fez conviver com pessoas horríveis, HORRÍVEIS, MONSTROS, pois, ter chegado até aqui, olhe, nem vou me prolongar, melhor roteirizar, gente, eu nem sabia que existia desmanche de carro velho! Pois foi ali, no meio daqueles carros em estado realmente assustadores, que eu finalmente superaria Nana Gouveia e faria um ensaio melhor que o dela posando no meio daquelas carcaças queimadas


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- Eu não posso mais me oferecer para visitar um homem menos másculo ainda do que eu, uma bicha que mente para me encher de adjetivos que eu sei que eu não tenho (Slam + o mais artificial do radiante), disse a ele que eu ia fazer coisas que normalmente não faço, até que todos os adjetivos que ele me deu, simplesmente desmoronaram, as coisas inteligentes que eu dizia sofreram uma implosão, um razoável terremoto, ele cuidou da minha substituição com uma competência invejável, tinha aplicado SLAM, e disse na minha cara que estava cansado e precisava dormir, conseguiu dizer duas mentiras ao mesmo tempo, foi escroto, era escroto, é o pior tipo de homem que existe. É por isso que não se deve usar drogas modernas, elas te fazem uma pessoa pior do que você já é, obrigado, boa morte


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- Eu não desejaria, mas não me oporia que o banho o derretesse

- Eu já sei como o cracudo vai morrer, vai ter cinquenta anos, usuário de drogas, em situação de rua, em uma zona de baixada; em uma enchente, ele será levado pela correnteza até parar em um monte de lixo, afogado

- E você? Já sabe como seu ex-namorado vai morrer?

- E aquele outro? Já entrou com o pedido de recuperação anal?

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"A Vida Pela Metade" um conto de Hugo Guimarães

Em uma segunda-feira terrível, no banco, finalmente é chamada a senha da sra. Zhao para falar com o gerente

Gerente: Infelizmente só foi aprovado este valor para o seu crédito imobiliário
Zhao: Mas é a metade do que eu preciso para o financiamento
Gerente: Talvez a senhora deva reconsiderar seus planos

Na imobiliária, responsável pelo apartamento que Zhao pretende comprar, dois corretores ficam de plantão, Gilda e Carlos, na hora em que Zhao toma um ônibus para visitá-los, Gilda dorme sobre os braços em cima da mesa, e Carlos fuma um cigarro dentro da sala

Quem vê uma chinesa dentro do ônibus com uma cara tão boazinha, não imagina o filme dentro daquela cabecinha;

"É tão bonitinho aquele apartamento, né? Parece a muralha favelada! Mais bonito do que qualquer coisa na China, né? Trabalhei feito uma cachorra nesse país de merda, cheio de gente vagabunda, para quando eu precisar comprar um imóvel para cair morta, aquele gerente analfabeto negar o meu financiamento, que merda porca... trabalhei tanto... não é justo, não estou velha, não tão velha, eu quero e vou pagar aquela porcaria!"

Toca o interfone da imobiliária

Gilda acorda com um susto e um berro, Carlos dá uma cuspida
Gilda: Será que é a chinesa?
Carlos: Só pode ser
Gilda se levanta e desamassa a saia
Carlos se levanta e ajeita o pênis para a esquerda
Gilda e Carlos tapam os ouvidos, Zhao toca a estridente campainha, os corretores tremem e fazem careta, Carlos tira um sorriso do cu e abre a porta
Carlos: Como vai, sra. Zhao?
Zhao: Vou como posso...
Carlos: Pois sente-se! Quer um café?
Zhao: Não tem chá?
Carlos: Só de cadeira e de sumiço
Zhao: Então serve uma água gelada para aguentar o inferno
Carlos: Os seus conterrâneos ficam poluindo o mundo, agora aguente esses quarenta graus que está fazendo
Zhao: aquele arrombado daquele gerente do banco só liberou metade do meu financiamento
Carlos: compra só a metade!
Zhao: ué, mas eu quero o inteiro!
Carlos: mas se a senhora só pode pagar a metade, por que não compra só a metade?
Zhao: E pode?
Carlos: Dá-se um jeito

Em casa, Zhao ainda ouve música em micro system, em CD, cozinhava lámen enquanto ouvia uma compilação de sambas enredo, falava sozinha;
- O que tem de bom nesse país é samba e poder ser sapatão em paz, ainda bem que consegui sair da velha China cedo o suficiente antes de ser pressionada para casar, pior ainda seria ter filhos, tenho horror à criança catarrenta!
Zhao nota o telefone chamando, olha para ele e vê o número do corretor, diz para o telefone;
- Quer ver que esse bosta não pode me financiar nada por causa dos meus sessenta e seis anos?
Zhao: Pois não...
Carlos: Boa noite, dona Zhao!
Zhao: Boa
Carlos: Podemos visitar o apartamento amanhã?
Zhao: Visitar? Mas nós já não o visitamos?
Carlos: Sim, mas para a proposta que vou te fazer é preciso visitar de novo

Carlos desliga o telefone, estava com Gilda, no boteco mais barato da região
Carlos: Mas que mulher amarga!
Gilda: Amarga e meia!
Carlos: Espero que esteja mais bem-humorada amanhã...
Gilda: Carlos, você acha mesmo que vai conseguir vender meio apartamento para ela?
Carlos: Claro que sim!
Gilda: E por que você não me diz como? Lembra que é cliente minha e que vamos dividir a comissão
Carlos: Por isso mesmo que não te digo, para você não estragar tudo com o seu pessimismo
Gilda então, ao invés de dizer, olha para o ceu e pensa;
- Estranho o banco ter concedido metade do valor, que é um bom valor, financiado em trinta anos a uma mulher de sessenta e seis anos... que irá quita-lo aos noventa e seis... mesmo se tratando de uma oriental que vive muito, ele nunca teria de fato a sensação de posse, eu financiaria no máximo em trinta dias
Trinta minutos vezes três, o tempo em que Gilda triste... leva no transporte público via férrea para chegar em casa
Trinta colheradas, é o que Gilda leva para jantar sua comida enlatada, e olhar com medo para sua balança de chão

No dia seguinte, Carlos e Zhao dão entrada no prédio onde fica o apartamento onde a velha mulher pretende passar seus últimos dias. Zhao não tem cara boa, como na maioria do tempo, quando adentram o apartamento, a chinesa leva um susto;
- Esses móveis ainda estão aqui??
- Sim, estão! A senhora não gostaria de ficar com eles?
Zhao empina um rompante passeia pelo estar, analisa os móveis, a cara até melhora um pouco;
- Sim, eu gostaria de ficar com eles! - finalmente saiu um sorriso daquela inchada cara amarela!

Cozinhando outro lámen, logo mais à noite, Zhao recebe uma ligação de Carlos;

Zhao: O que quer?
Carlos: Compareça cedo amanhã ao imóvel!
Zhao: Para quê?
Carlos: Ora, você não quer morar nele?
Zhao: Ué, mas já mudo amanhã?
Carlos: Amanhã tomará posse!
Zhao: E qual a diferença?
Carlos: Você vai descobrir
Zhao: Levo mudança?
Carlos: Leve! Leve tudo!
Gilda: Olha, isso vai dar uma confusão dos infernos!
Carlos: Você vê outra forma de entregar pela metade do preço?
Gilda: As partes concordaram?
Carlos: Claro
Gilda: E a verba está onde?
Carlos: Com a imobiliária, é claro
Gilda: Então trate de desviar a nossa comissão logo
Carlos: Eu fiz mais que isso
Gilda desliga o telefone, vai até a janela do apartamento e dá um berro


v

- O inferno astral, que cessa daqui a doze dias, quando faço aniversário de novo, tenho planos que se inicie um ceu astral diferente; os piores seres humanos do sexo masculino, e sendo eles todos gays, eu acreditava ser uma questão dessa vizinhança asquerosa, mas eu estava errado, nas últimas duas vezes em que fiz sexo, na primeira vez fui expulso, na segunda vez fui humilhado, e ainda por cima por um sujeito com a cabeça amassada, que tem quarenta e oito anos, mas aparenta sessenta, mal consegue se sustentar em pé, metade dos membros estão comprometidos, algumas pessoas, parecem nunca ter levado um banho de realidade e quem você pensa que é? Você é insignificante, nem mais nem menos, nunca mais é pouco pra você, parecia radiante diante da oportunidade de me humilhar, e quando o fez, raspou a panela, lambeu o que caiu no chão, mas quer saber? Não fiquei nem vinte e quatro horas com ódio, nunca mais você vai encontrar outro igual a mim para humilhar, humilhante é você e o que o espelho te devolve, você consegue ser um monstro por dentro e por fora, você só consegue chupar um pau pagando e não por muito tempo, você virou o monstro que é por causa do abuso de drogas, e logo vai morrer por causa do abuso ainda mais intenso delas que pratica hoje, ou você pensa que o vigarista que dorme na sua cama gosta de você? Ele só continua porque é confortável, porque está só está esperando você morrer por conta do seu abuso para ficar com tudo o que você tem, algo tão flagrante, que só você e seu QI de chimpanzé não conseguem perceber; virando o inferno astral, eu colocarei o sexo na classe dos vícios, e os vícios são mazelas, um homem da minha idade, que toma os psicotrópicos que tomo, tem uma libido baixa, eu não preciso de sexo, porque percebi que tenho feito sexo para agradar os outros, e quem agrada à mim? É só uma questão de deixar a fissura passar, a ereção também passa rápido, é só esperar ela passar, e assim evita-se encontrar mais um homem gay totalmente desprovido de caráter, será que é possível perseguir uma meta de ficar pelo menos um ano sem sexo? Posso, eu posso, é uma questão de desmoronar todas as peças do lego e ver que é possível reorganizar a construção dos sonhos excluindo as peças que se referem aos homens e ao amor romântico; e a cachorra Olivia? Que me recebeu tão bem? Ela sim é o ser provido de coração e afeto naquela casa, não você, que vai aplicar SLAM no banheiro e volta parecendo Mr. Jekyll e Dr. Hyde, esse era o Ed, da Praça da árvore, que apesar de longe desse pântano, era um Macunaíma, não tinha nenhum caráter; eu prefiro perseguir uma medalha olímpica, pensa que é tarde? Mas não é, há sempre horizontes a serem descobertos quando a fumaça preta cessa


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- Hoje o homem vai voltar a lua, e quem vai para o centro da terra?

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- Não ter a sensação de estar vivendo a vida, não notar a presença da vida, significa estar "moralmente" morto; é possível viver quando se é dado a bênção de trabalhar com o que gosta, ser livre, o que inclui: sair de um ambiente familiar onde existe assédio moral, violência, medo, hackeamento... inclui ter uma vida sexual saudável e até poder ter um relacionamento, comprar uma arma e poder usa-la no momento certo


xoxo

17 de mar. de 2026

"(Nº135)Nº34)"

 




34


v


- O diabo hoje tá demais! Se alguém encontrar com ele, pode falar para ele dar uma maneirada, por favor? 

- Aviso sim, claro! O que anda fazendo?

- O de sempre 

- E o que é o de sempre?

- Pensando em coisas que não vão acontecer 


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- Mais um encontro com o medo, mais um fim de semana de medo, é medo que você quer? Hoje já nem precisa mais pedir; só me resta saber o modus operantis, o quão fundo vão empurrar a estaca, já arrancaram uma das minhas convicções suicidas, não são pensamentos nem comportamentos mais, são convicções, visto que elas não vêm mais do desespero, mas da organização, eles, ficaram contentes, o inevitável aconteceu, a ratazana amanheceu morta após as tentativas do meu pai, eu não compactuei, coitada da ratazana... teve o destino antecipado apenas por ter comido a metade de uma manga que estava em cima da geladeira do quintal, sim, a ratazana era uma visita asquerosa, mas... também era uma vida que se foi...


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- Já trabalhei com bobina e já trabalhei com biboca, aceite trabalhar com bobina, mas nunca aceite trabalhar com biboca 

- Esta semana o que aconteceu com esse firmamento pouco formal, nessas construções com fachadas pouco caprichadas, onde Vic Rail também mandou fechar todas as cantinas, consigo comparar o começo e o desfecho com o filme francês "Os Olhos Sem Rosto" (1959) de Georges Franju, no filme, um cirurgião plástico, tem um filha que possui uma condição de saúde rara que sofre uma deterioração progressiva na pele do rosto, e, para fazer uma cirurgia plástica de "transplante" de uma pele de rosto saudável, ele "sequestra" belas jovens, mas, depois das cirurgias bem-sucedidas, o rosto voltava a apodrecer dia após dia; eu, fui apodrecendo dia após dia, eles, parecem que sempre foram podres, e aqueles carros todos despedaçados por todos aqueles "estabelecimentos"? Eu estava lá porque aquela decadência espelhava a minha decadência? Que eu mesmo concordava com aquilo? Se você aceita entrar no chiqueiro, você é porco, mas se os outros porcos identificam que você não é porco, eles te empurram para fora do chiqueiro, e é assim é que é, e é assim é que foi 


v


Sobre a Pam;

- Vamos falar sobre a Pam?

- Qual Pam?

- A Pamela Rosa 

- Quem? 

- Pamela Rosa, skatista brasileira, bicampeã mundial antes mesmo de o skate ser esporte olímpico 

- Hum

- Porém na primeira prova olímpica em 2021, lá estava Pam, apresentada como número 1 do mundo, já contava mais de vinte anos de idade, mas tinha outra brasileira, uma menina de treze anos que, "todo mundo já sabia que ia ganhar medalha", e essa menina era a Rayssa Leal; a prova começou e a Pam conseguia fazer as manobras, mas não conseguia aterrisar de pé no skate, Rayssa caiu só uma vez e subiu no pódio; depois, Pam postou em suas redes uma foto do estado de seu pé, completamente roxo, ela sequer tinha condições de competir, será que o Brasil perdoou a Pam? A Pam foi demitida, a Rayssa está na empresa até hoje, e eu? O que acontecerá comigo? Com o meu pé que ficava cada dia mais roxo, e o crime que cometi de ir ao médico e me afastar por dois dias?


v


- As cinco melhores jogadoras delas são melhores do que as nossas cinco melhores jogadoras, mas as nossas dez melhores jogadoras são melhores do que as dez melhores jogadoras delas, então vamos ganhar, o basquete é um jogo de dez jogadoras; no futuro não existirão mais atletas, as pessoas nascerão, crescerão e morrerão em frente ao computador, ganhando, viciadas em dinheiro 

- Os sócios parecem figurões 

- E o seu filho? Continua esfaqueando o próprio reto?

- Parei de investigar, sei que continua sujando chãos de banheiros de instituições de saúde com urina e esperma contaminado com HIV 

- E as mulheres da limpeza que tem de limpar aquilo cuidadosamente se expondo? Cuidadosamente não se expondo? Mas e a falta de pele de quem se expõe? Mas e a margem translúcida pura de quem se expõe? E os vasos sanguíneos que se mostram? E a dificuldade em se esconder visto que tais vasos, e onde estão esses vasos, mostram tal sujeito, tal sujeito 


v


- Pisei em uma academia oito anos depois, nem eram os mesmos donos, não tem mais aulas de lutas, e também não tem gente, mas homens passando por mim e agindo como se eu não existisse, ah sim, tinha muitos, homens que terminavam suas séries e tratavam de sair do lugar onde a professora me colocou;

- Aquele espírito obsessor? Aquela pão com ovo caipira que eu sustentei por quase um ano? Não foi ele que fez isso comigo, meu filho o que é esse sangue todo no seu nariz? Eu caí enquanto eu tentava montar em um porco 

- O último banco, que de forma tão generosa me concedeu um cartão de crédito, não reouve o investimento, dessa forma, vou ter que pedir para os meu pais o cartão deles para me matricular nessa academia; meu pai será contra, claro, não pode ver ninguém feliz que vai e estraga tudo, talvez a minha mãe, eu não consigo mais, nem lembro a data da última vez que chorei, embora ontem eu estava tristíssimo, agora eu não olho mais, os olhares de pena que os bonitos lançavam pra mim, eu apenas os olhava, e os respeitava, agora acabou, criança não sabe o que é ser suicida, agora eu sei muito bem, não olho para mais nenhum deles


v


- É melhor que eu faça, nem que eu tire o dinheiro do meu rabo para pagar essa terapia boa e cara, antes que eu corte a minha própria garganta e ainda por cima correr o risco de contratar um terapeuta homofóbico que irá comemorar minha morte, e bom que seja da forma mais doentia possível, ou ele mesmo pode acabar queimado dentro de um carro 

- Bom pra mim, não pra ele e seus projetos egoístas, afinal o que é a vida? 99% dela é perseguir sonhos e 1% dela é perceber que esses sonhos são impossíveis, e a perseguição desses sonhos é um caminho repleto de dor, desilusão, rejeição, exaustão, solidão, loucura, doença, raiva; ele me amarrou em cima do carro e demos um passeio por aí 


v

- A maldita cinco horas da tarde, que deveria ser a hora de sorrir, não é, as sete e meia da manhã de amanhã chega logo demais e o medo se renova; descendo a rua, um garoto belo, alto, esguio e jovem, me ultrapassou, só não pisou em mim pensando que eu era bosta porque conseguiu desviar a tempo; 

- Um garoto branco, muito jovem, bonito demais, com cara de rico me pede um cigarro às 23h30 na avenida Paulista, me arrependi por não ter dado dois cigarros, por não ter perguntado se ele estava bem, se foi assaltado, se não estava conseguindo ir para casa, a primeira imagem é que eu não tinha segundas intenções, mas os chifres vermelhos já me tinham crescido, até parece... que ao passar o scanner naquele garoto ele iria querer algo com um velho como eu; ele tinha o quê? Vinte e dois no máximo? É nessa idade que se sonha, que é possível sonhar, eu quero, eu ainda quero sonhar, mas nas condições que eu reúno, no fundo eu sei que para mim não dá mais pra sonhar, aos vinte e dois, ao invés de trabalhar tantas formas viáveis de sonhar, eu estudava por conta própria, sem um centavo de financiamento parental, para entrar em uma faculdade pública nojenta, construída em cima de um terreno que originalmente abrigaria um presídio, em um curso de exatas quando nem eu mesmo sabia o quanto sou 100% humanas, um curso que me renderia trabalho para ser infeliz para o resto da vida, aos meus queridos vinte e dois, eu estava arrumando confusão atrás de confusão como um chester com pernas de ema, mas eu não sabia que em cada dia que eu ultrapassava aquela catraca, eu já estava errado sem dizer uma palavra sequer, aos meus queridos vinte e dois, eu estava acabando com os meus joelhos jogando voleibol naquela quadra de concreto, construída para a recreação de presidiários, aquela rede em péssimas condições, judiada pelo clima, a quadra sequer era coberta, aqueles postes tortos tendendo para o meio, até que vimos que os postes não eram tortos, os buracos é que foram mal feitos, é possível falar mil coisas ruins daquele quadrângulo, mas só dizer que é muito ruim é o suficiente, redundância+quadradância=quadradância 

- Depois de bastante cansado de olhar para frente e para cima, e nunca receber um sim, eu aceitei que não havia moléculas naquele lugar, olhou pra mim ao me ver entrar, espiou quando me percebeu espiando, mas quando mostrei a mão e o gesto que fiz, chutou minha mão, saiu e esmurrou minha porta, tive que demonstrar uma masculinidade que eu não tinha para fazê-lo ir embora 

- Henrieth, uma garota plus size que passou por aquela quadra, disse que quando treinou voleibol na infância, a treinadora instruía as meninas para olhar sempre para a borda superior da rede, assim evitavam olhar para coisas que não queriam e de ser olhadas por olhares que queriam menos ainda, eu, que sou pequeno na altura e me apequeno ante a tudo que não tenho e que cobiço, me acostumei a andar sempre olhando para o solo, assim eu me defendo do tipo de olhar que os homens usam para me dizer que jamais olhariam para mim; a fila para a buseta estava grande, fui até o fim dela e percebi o garoto a dois postos à minha frente, alto, esguio, magro, bonito demais, vestia uma camiseta do Avenged Sevenfold, eu desconfiava que ele tinha uma curiosidade em mim, mas quem gosta de carne podre é abutre 


                                                                   xoxo 






28 de fev. de 2026

"(Nº135)Nº33)"


 

33


v


- Lembram do jogo? Aquele que 63% das pessoas apostaram na minha derrota? Pois eu ganhei, eu que estava tão desanimado... só perdia, uma atras da outra... pois dessa vez todas as minhas principais jogadas, minhas principais armas foram mostradas, e mantive a calma para apenas devolver a bola quando fui atacado, fim de jogo e eu levantei o braço acenando para a torcida, pensando "Tooooma, trouxas!!"

v

- É preciso diferenciar a vida da indução da vida;

v

- Como você chama?
- Maria
- Maria do quê?
- Maria do Rosário
- Ah, tá... pode soltar, nem vale a pena estuprar, pode soltar os braços, nem vale a pena o esforço de bater nele, nem castigo ele merece... você tem cheiro de velho e você tem cheiro de carne podre, você não cuida dos dentes e você cheira à pobre
- E você? O que você já produziu na vida até chegar à sua escolinha? Seu escrotinho adestrado!
- É mesmo? E você é best-seller, por acaso? Quantas pessoas leem aquelas coisas doentias que você escreve?
- Não importa, não mesmo, se muito ou pouco, o importante é que seja lido, que meu texto está alcançando alguém, que a comunicação está sendo feita, e que aquele texto tenha tocado os leitores de alguma forma, nem que seja por minutos, e você? Quem te ouve? A sua namorada presta atenção nas babaquices que você fala? Talvez você só sirva para fazer sexo... você tem pai e mãe? Será que eles realmente não tem tempo pra você ou te evitam? Por você ser tão desagradável e fútil?
- Ah é? E mesmo eu sendo tudo isso, se eu te pedisse em casamento, você aceitaria, seu hipócrita! Você não age como tal, mas você é igualzinho aquele seu amigo lourinho bichinha que só aparece no treino para procurar marido, e nós, e os médicos somos os alvos preferenciais, não é mesmo?
- Eu e ele somos bem diferentes, eu sim venho para treinar, eu poderia aceitar o seu pedido de casamento se fosse antes de você abrir a boca
Ele me dá um soco na boca, todos eles vão embora, eu me sento em um vaso dentro de box com a boca sangrando, ouvindo "Spit, don't swallow"

v

- Eu não quis esse diagnóstico, mas o doutor o deu para mim, e eu aceitei; um dos principais, com certeza o que me tortura mais: o medo; não tenho só medo do que fiz, tenho medo do que os outros pensam que eu fiz, trabalhei meus quatro primeiros dias, comecei na terça-feira, pensei que na sexta-feira no final do dia iriam me demitir, ao invés disso, me deram cinco camisetas do uniforme da empresa no fim do dia, bem, não dão cinco peças de uniforme à um funcionário demitido... porém, logo após, no churrasco da empresa, meu nariz estava destruído, gripe, insolação... passei o churrasco inteiro constipado, e mais uma vez tenho de tolerar uma copeira que acha que é dona dos banheiros e sócia da empresa; após a sexta-feira começou o carnaval, cinco dias em casa com medo, nada festivo, hoje é segunda-feira e até quinta-feira, quando voltarei a trabalhar, estarei em pânico, ouvi dizer que os meninos estão andando de cuequinha no metrô, nem isso vai me fazer levantar da cama, também tive dois convites para duas orgias regadas a drogas e sexo, mas eu não estava com a menor vontade, daí lembrei que eu aceitava esse tipo de convite para agradar aos outros, antes de pensar se realmente seria bom para mim,  além do mais, sempre é muito ruim para alguém, como da última vez (como o macumbeiro negro que se retirou da quarto da orgia e foi pateticamente dormir no chão da cozinha após ser rejeitado pelos três garotos brancos que ficaram no quarto) e a boníssima química entre eu e o novinho, que "fechamos" a cama, ainda assim, o meu principezinho do Líbano decidiu por não me ligar nunca mais, diferentes danos ao coração... quando um amontoado de homens nus se juntam, não é para somar, é para se dividir

v

- Quando os operários participam do churrasco, um deles, o mais sexy, se senta no chão e apoia as costas, tira as botas e mostra aqueles pés grandes e lindos, ao invés de ignorar, eu olho e aceito a sedução, e assim eu induzo a vida
- Esse mesmo operário, também é perturbador quando anda para lá e para cá, sim, a calça é folgada, mas parece ter mais pano balançando especialmente sobre seu pênis, eu poderia ter olhado para o queijo coalho, para o pão de alho, para a coca-cola, para as facas, para as facas... mas caí novamente na indução da vida
- Quando eu sou presa de um vício e não quero nem ver aquelas pessoas, tampouco falar, eu cedo à indução da vida, e não adianta eu querer meu dinheiro de volta
- Quando eu levo em conta só o que os empregadores me pagam todos os meses e me vejo obrigado a me dar por satisfeito por isso, é uma indução à vida; que me escraviza, que me leva à estafa, que me faz estar disponível a ele por treze horas diárias, e ainda ser motivo de chacota pelos funcionários de um "certo" setor, apenas por ser diferente, muitas vezes é difícil incomodar os outros apenas por existir, pagar uma conta apenas por existir
- Como é a sua relação empregador/empregado?
- Eu tomo a iniciativa e tento ajudá-lo a resolver um problema, e ele me diz "Você estagiário, volta para seu lugar!"
- Como é a sua relação empregador/empregado?
- Eu, jogado em uma calçada, como um saco de lixo esquecido, tento dormir por alguns minutos antes de voltar ao trabalho, e o chinês chega, outro belo carro, pediu para que eu abrisse o portão




v

- Ainda assim, meu pai de setenta e cinco anos, que já voltou a ser criança, acha que eu nunca vou deixar de ser criança; mesmo tendo vivido já quatro décadas, ele ainda me dá bronca, estipula a hora que tenho que dormir, minha mãe não está muito atrás, está se esquecendo de tudo, minha avó morreu de Alzheimer, tive uma conversa com ela, disse que hoje tem remédio, tem tratamento, que ela é jovem, mas parece que ela se esqueceu de procurar o tratamento também; sinto muito, papai, mas hoje vou ao cinema para ver a atuação da Rose Byrne, e vou com o meu dinheiro! Até me lembra o Lucas Décio (o homem mais bonito do Brasil), que fez um vídeo com um fatiador de maçã, e ele, que é um monstro de forte, teve de fazer força para fatiar a maçã inteira... ou seja, aquilo só serve para homens fortes, e depois, demonstrou-se comendo os gomos da maçã dizendo "Aqui está, o fatiador de maçãs que eu comprei com o meu dinheiro"
- Rose Byrne ganhou o globo de ouro de melhor atriz de drama esse ano, todos sabem que a favorita ao Oscar desse ano é a Jessie James, e estou louco para ver Hamnet também, mas por hoje eu vou fazer pior, só pegar a última sessão do filme com a Rose Byrne e chegar em casa depois da meia-noite

v

- Me assustei a ponto de saltar do carrossel em movimento e torcer um pé, mas não havia algodão doce nenhum


xoxo