7 de nov. de 2026

nº135/nº48


 


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– E você qual o seu nome?

– Sabrina

– Pois bem, já que não preciso de uma coisa que não para quieta, é melhor uma que fica escondidinha lá sob os pelos

– Aprendemos, aprendemos e aprendemos e seguimos subtraídos na nossa moral

– A hora de recuar está disponível, é só ter o raciocínio de que a opção do homem moderno, de viver uma vida satisfatória, sozinho criando gatos, é vantajosa, pelo menos do ponto de vista vascular, é; do que ter um relacionamento podre, com um homem podre, que vai te trocar por outro por uma vantagem qualquer, nem se trocam mais por outra pessoa

– Sexo? Sexo se faz com a própria mão

 

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– Foi uma pena, mas uma de ganso, pelo menos de pata, eu diria

– Certa vez passei vinte e quatro horas com um homem, que contava quatro anos a mais de idade do que eu, além de muito prazer carnal, também trocamos muito cultura, e eu me senti tão bem naquela rara oportunidade, de mostrar minha cultura, em diversas áreas do conhecimento, e não obrigação, mas por curiosidade para com o mundo; o homem também tinha muito conhecimento, mas me parecia que o conhecimento só era, sobretudo, interessante se o traria desenvolvimento financeiro; no que eu discordava, eu preferia me calar

– De qualquer forma, o que fizemos ali foi amor, creio piamente, você discorda? É por discordar de relacionamentos de pessoas do mesmo sexo, de odiar pessoas trans, é que você deixa de cuidar da sua vida, não é? E o seu relacionamento hétero corretíssimo, acaba em os piores tipos de assassinatos, não é verdade?

– Pois bem, eu e o André, quando não estávamos copulando, estávamos conversando sobre o desenvolvimento da Etiópia, até que fomos embora

– Pois mal, um dia depois, André me disse que estava com câncer, e que tinha pouco tempo de vida; honestamente, achei que ele estivesse mentindo, que só estava me dispensando porque eu não gostar de tomar banho e por mentir a idade; aceitei, não era a primeira vez que eu era dispensado; porém, por acaso, ao ver a foto do WhatsApp dele e me assustar, lá estava o convite para a missa de sétimo dia do André, que seria em 27 de outubro

– Morreu-se a cultura

 

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– Uma vez comprei dois jalecos

– Não, nunca fui médico

– Comprei para ser auxiliar de necropsia

– Por bem, não fui nem uma coisa nem outra

 

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– A determinação de fato é determinação quando ela se torna ódio

 

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– Completando a frase: "A teoria da sociedade moderna, de que um homem pode viver satisfatoriamente sozinho, refutando a tese da sociedade padrão, essa teoria é derrubada pelo nosso instinto animal, que se baseia no acasalamento"

 

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– Voltei à musculação, contanto que fosse leve; ao atingir um bom nível, os professores me encorajaram a dar um soco em uma parede de alvenaria, usando equipamentos muito bons, é claro

– Não, eu não quero

– E por que não?

– Acho que não tenho mais força pra isso

– Apenas tente, você verá que nada é impeditivo

Eu concordei e tive uma fratura exposta

 

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– Sim, eu sou um ator. Mas talvez eu só consiga interpretar papéis de onde a vida não está; ter que sobreviver tentando interpretar papéis para sobreviver, faz de mim "um homem de pequenos golpes"

– O azar e a velhice travam uma batalha diária de cabo de guerra, e quase sempre o azar vence

– Como acha que é ter um diploma, ter pisado em duas faculdades públicas, ser autodidata em inglês e ser coagido pela minha mãe a me inscrever em certos "processos"; desculpe, mas repetir coisas com uma antena na cabeça não atende ao meu perfil. E é recíproco, esses lugares só tem gente burra, conservadora, provavelmente por todas serem gordas e invejosas, gente que não tem cultura, porque, claro, não passaram pela educação; sim, eu preciso "fingir" ser alguém assim, porque minha mãe me disse que eu deveria, mas logo adiante eu disse não! Eu não vou mais ser a deputada cabeça de bosta com flores na cabeça que chicoteia as próprias costas, desculpe, mas eu não vou! Não vou!

 

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– Hoje, quando vou me deitar, não me importo mais se vou acordar vivo ou morto

 

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– Pareceu que o transatlântico da Clarice passou sobre mim hoje cedo; fui receber o entregador no portão e desabei sobre ele, visto que eu não tinha comido quase nada no dia anterior... logo gritou "ajuda" e logo eu estava com as calças mijadas e cinco pessoas na minha garagem;

– Será que o dessa ou daquela droga te faz homem mais ou menos conservador? Ou apenas escroto mesmo? Já ouvi várias coisas de pessoas sobre a cocaína

– Se ele é cracudo, você é farinheiro!

– E você é um alcoólatra, sua poc poc do caralho!

 

– Há quem dia que drogas sintéticas tomarão o lugar da cocaína, mas não lhes tomarão o coração... seja lá o que possa parecer

 

– O homem moderno: trajando um vestido de oncinha todo picotado. Poucos ossos na cabeça. Poucos cabelos

 

– Já eu sou um homem extremamente ultrapassado: ejaculando ao ver um vídeo de dois homens belíssimos transando; um deles em especial, e quantos mais não devem ejacular vendo aquele mesmo homem? Acontece que aquele homem ganha um bom dinheiro ao me fazer gozar atrás de uma câmera, mas e eu? Eu? Tenho certeza de que se eu cruzasse com aquele homem em uma calçada, ele agiria como se eu não existisse, afinal, o caixa do supermercado já faz a mesma coisa, e eu não devo/quero contribuir com mais um centavo dessa humilhação

 

– Extremamente ultrapassado

 

– Diabolicamente ultrapassado

 

xoxo


23 de out. de 2026

nº135/nº47

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- Depois que eu somei esses anos tão importantes, minha confiança foi lá embaixo, bateu no chão, caiu no ralo, já está fazendo amizade com os ratos 

- Fazer outra lista do que eu odeio ou estou odiando? Não, porque odiar não adianta, né? 

- Alguém me perguntou? Não, mas eu vou dizer mesmo assim; a maioria das pessoas acham "Titanic" de 1998 é um blockbuster bobo, bonitinho e estritamente comercial, mas não é; hoje eu o acho muito interessante, o filme não é sobre o desastre de um navio, também não é sobre a história de amor de Jack e Rose, é sobre insistir ou desistir da vida, uma das questões mais existenciais do ser humano; veja, primeiro aquelas pessoas precisam fugir do afogamento, o comandante deu um tiro na cabeça, ser rico o suficiente para entrar nos pouquíssimos botes, e nem assim isso era suficiente, procurar o lugar mais alto do navio após o naufrágio, luta corporal, conseguir nadar até a superfície e conseguir boiar em algum destroço, e esperar o resgate; ele veio para pouquíssimas pessoas, o que aconteceu com os que sobreviveram? Morreram de velhice; é daí que você pensa: será que valeu a pena todo aquele esforço?

- A mesma mudança de percepção me ocorreu com "O Show de Truman"; hoje a AI já diz que se trata sobre a vigilância e a especularização da vida privada, mas no lançamento, a maioria entendia que só se tratava de um programa de televisão que acompanhava a vida de uma pessoa, do início ao fim, 24 horas por dia, sem que ele soubesse; mas hoje pra mim isso é TMI! Todas as pessoas que falam com você são contratadas? Todas as pessoas a sua volta são figurantes? "O Show de Truman" é um filme sobre a paranoia! Paranoia pesada! 


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- Todo ano eu vou comemorar essa data


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- Bom dia, Hugo. Você está a caminho?

- Bom dia. Estou com uma celulite inflamada. Não vou poder estar comparecendo. 


- Assim que eu comprei as velas, eu percebi que comprei cedo demais

- Ao pensar em você, eu percebi que uma linha em branco era o suficiente 


- Garoto flerta com o garoto, mas logo tudo acabou

- Tudo ia muito lindo, até que Cher tropeça na calça 

1. Pretérito mais que perfeito?

2. Modo ou tempo?


- Hmmm nesse exato momento? Sim, eu estou a caminho e sim, eu consegui acordar às oito e vinte da madrugada sem a ajuda de ninguém, e eu também consegui tomar banho sem ninguém mandar, e consegui sair de casa cedo o suficiente para não me atrasar sem que ninguém precisasse me ligar mil vezes, e é por isso que eu estraguei a manhã dele, bateu porta e o caralho, ele detesta quando as coisas dão certo pra mim, sei que, secretamente, ele adora me ver reduzido a um saco de ossos em cima de um sofá 

- Tudo ia bem, até que uma recrutadora de baixíssimo nível envia um e-mail sugerindo que "uma boa leitura" poderia me ajudar, mas no parágrafo abaixo ela comete um erro primário de acentuação...


- Desistir? Bom, demora a se perceber que o ano acaba em outubro, "Sue Sue" vai ficar para o ano que vem, mas não, claro que não desisti dela e mais, eu não desisti de mim, mesmo porque agora não dá mais tempo para desistir, não deste ponto de onde cheguei


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- O cantor segura a mão de dois homens, então são três homens semi nus, e avançam em direção a montanha de lixo, e avançam em direção a areia movediça 


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A direita tentou, mas o Lula entregou a picanha.


- Dias atrás, um bolsonarista todo felizão, entrevistou o Ciro Gomes, para um desses canais podres de direita, achando que o Ciro ia descascar o Lula 

- O bolsonarista começou dizendo que o PT foi responsável pelo maior roubo do mundo (com dados do rabo dele), depois fez uma pergunta objetiva: 

- Quem é pior? O Lula ou o Bolsonaro?

- Ah, o Bolsonaro, com certeza! O Lula pode ter vários defeitos, ele gosta muito de mentir, etc.., mas o Lula é democracia, o Bolsonaro é ditadura, o Lula é um homem do diálogo, o Bolsonaro não tem empatia, o Bolsonaro é mau, o Bolsonaro é perverso.

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- Certa vez estive nu com um homem de cinquenta anos, de direita, em certo momento eu afirmei que as políticas sociais da esquerda eram, sobretudo sobre o combate à fome, então eu perguntei a ele:

- Você é a favor de que todas as pessoas do Brasil façam três refeições por dia? É basicamente sobre isso 

- Ele torceu o nariz, torceu a cara, como se duvidava, se basicamente me dissesse que era a favor da fome, ou seja, a guerra é contra pessoas assim 

- Você conhece caras assim em aplicativos, o cara fica chupando seu pau por horas, depois te fala uma coisa dessas...


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- Agora, em 2026, eu consegui bolar algo, sobre política, sim, nesses dias; desde 2019 eu não tinha mais de cinquenta likes em uma postagem, e nem mesmo em um reel eu tinha conseguido mais de mil visualizações; embora tenha sido em postagem com uso de muita perspicácia da minha parte; mas mesmo assim era lá um post do odiado Hugo Guimarães, com dez vezes de likes a mais, com mais de mil visualizações a minha;



Também vai ter maminha no churrasco da vitória.


[Demora, mas o ódio dos escrotos, dos semianalfabetos, dos leigos, dos que sequer compreendem o que estão odiando, dos que destroem reputações como forma de recreação, e todos os que acreditam nessas pessoas, e que constroem o "Tribunal do Facebook", e que por incrível que pareça tem o poder de destruir, pelo menos por um tempo, a reputação de pessoas, que são justamente o contrário, com nível cultural muito acima da média com histórico de contribuição importante para a sociedade]


Afinal, o ódio das pessoas ruins preescre, o das pessoas que os seguem também, 

além disso, pessoas boas que não quiseram se associar à imagem desses "cancelamentos", voltam, pessoas boas sempre voltam 


- E você, Lucas, em alguma das suas postagens mostrando seu corpinho e mostrando seus saltinhos, você conseguiu atrair mais de mil visualizações? Não. Sabe por quê? Porque é preciso massa cinzenta pra conseguir isso. Agora, que eu tenho uma saúde mental em dia, eu vejo o quanto você é comum, e o pior defeito de uma pessoa é ser comum. Você acha o máximo ser um atleta insignificante, não é? Eu não sou atleta, nunca fui, só fiz parte de uma pirâmide, a mesma na qual você está. Eu tenho alguns outros talentos além de você, que não é possível treinar 



Álcool também tá liberado na comemoração.


xoxo

26 de set. de 2026

n*135/n*46

 


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- Me assumi anti YouTube, a não ser por extrema necessidade. Sim, peguei os fones de ouvido antes de sair de casa para ouvir as mesmas músicas, enquanto as minhas músicas, não sei quantos meses, passam sem progresso; eu sempre tive certeza de que não sou capaz de cantar música de ninguém, mas também sempre tive certeza de que sou capaz de cantar minhas próprias músicas, mas a cela em que estou vivendo dificulta essas gravações, tenho que dividir o teto com um cachorro que não sai de casa nunca; levei um livro para ler no metrô ao invés do you tube, não li o livro, não entrei no you tube, dormi. Metade hipócrita, metade canyon > preâmbulo 


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- Então você me lê e me diz que é engraçado o quanto a minha vida está uma merda> a vida é nos dada para gastar; e você me diz o quanto eu estou feio> a beleza é nos dada para gastar; e a coragem? Você precisou de um perfil fake para me dizer tantas coisas horríveis. A vida é nos dada para gastar, e você ainda gasta a sua lendo este blog; certa vez, Lia Thomas foi a um restaurante simples nos EUA, preencheu o campo da gorjeta na conta e foi embora, a garçonete ficou emocionada ao ler o recado de Lia "O dinheiro foi nos dado por deus para gastar", e deixou uma gorjeta de seiscentos dólares; ou seja, todo o centavo que você me explorou já voltou para mim, não por ação de deus, mas pelos braços de Órion, Perseu e Sagitário 


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- Posso inaugurar o dicionário do Hugo?


Represália: o crime cometido na represa

Aliciamento: o crime cometido pela Alice

Negrigência: o crime cometido pelo negro

Latrocínio: o ato de ceifar a vida de uma lata

Filipeta: o documento do Filipe

Noitada: estar na rua à noite e ser agredido sem ser possível saber por quem

Locação: uma louca ação 


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- Você tem nove dias; eu não tenho nove dias? Sim, eu também, mas a diferença é que eu possuo essa consciência de uma forma tão clara como quanto nunca tive

- Ao tentar diminuir scrolling, mas fazendo scrolling dias atrás, eu vi um conteúdo muito interessante sobre como a classe média brasileira é, e como ela se enxerga; veja, eram dois quadros um do lado do outro, cada um deles mostrava uma espécie de "termômetro", tinha três marcadores móveis nesse termômetro e cada um deles apontava "pobres", "classe média" e "ricos"; os três marcadores deveriam mostram onde as classes estavam em uma escala de 1 a 100. No quadro da esquerda, as pessoas colocaram os marcadores na posição em que as classes sociais em que pertenciam estavam; resultado, os pobres ficaram todos no número 1 da escala, muito numerosos, a classe média bem longe deles, no número 50, e os ricos ficaram no 100, não numerosos como os pobres, mas onde era possível chegar; já o quadro da direita, foi feito por especialistas, mostrava os pobres no número 15 e a classe média no número 20, quase igualmente numerosos, os ricos apareciam no número 100 em quantidade muito menor do que a alienada classe média pensa; gostaram da história de hoje, pessoal?

- O segundo assunto de que precisamos falar antes dos nove dias é sobre pobreza, o que é pobreza e tipos de pobreza; dor de cabeça o condomínio caro, pobre nem casa tem, dor no rabo o IPTU, o IPVA, Aspen esse ano nem pensar, vai ter que ser Bariloche mesmo, daí eu me lembrei daquela senhora que vivia eu uma comunidade de barracos alagados em Manaus, ela dizia que ali era uma desgraça, só aparecia cobra, jacaré e rato, mas ela não tinha problemas com contas, nunca recebia conta de luz, nem água, IPTU e IPVA nem pensar, o que lhe tirava o sono não eram as contas, era o clima asqueroso da cidade onde vivia


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- Você gosta da Shakira? Em 1995 ela lançou essa música...


"Se Quiere, Se Mata"


Braulio tem olhos grandes e cabelos escuros

Nunca come muito e sempre dorme vestido 

Sempre usa roupa cinza, e não discute

Acha que sempre busca o meio-termo



Dana é menina de bem, é o que dizem os seus pais

Nunca chega em casa depois das dez, nem muito muito além 

Braulio e Dana se amam como qualquer casal

Porém, um dia foram vítimas natureza


E dos seus próprios instintos

Não escaparam com sorte

Com fogo por dentro

E os hormônios presentes

Pela lei da atração

Juntaram-se os corpos

Mas se na hora do chá, nada acontece

Apenas se afastam de casa

Por ter trazido mais um habitante

A ingressar nesta cidade decadente 

Onde quem não se quer se mata


Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata


Nesse dia ela chegou um pouco além das dez

Mas o susto veio umas semanas depois

Quando se confirmaram as suas terríveis suspeitas

Uma criança nasceria e ela já sabia até a data


E antes de que o vizinho e a família soubessem

Foram até o doutor para acabar com o problema

Hoje o vizinho está em casa tomando outro chá

E alguém, dois metros embaixo da terra, vendo os vermes crescer


Mas se na hora do chá, nada acontece

Apenas se afastaram de casa

Por ter trazido mais um habitante

A ingressar nesta cidade decadente 

Onde quem não se quer se mata


Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata

Se mata


(Shakira Mebarak)


- Será que alguma dessas cantoras pop de hoje teriam coragem de tocar em um assunto como esse?


Então pega esse refrão!


Eu vou te dar

Eu vou te dar o quê?

Você vai se lascar...

Eu vou te dar

Eu vou te dar o quê?

Uma MADEIRA submersa!


- Namorando comigo e só trashing me, ele usava meu notebook e deixava o Facebook aberto em outro navegador achando que eu não iria ver, que burro, imbecil, cabelo de ariar panela do caralho... e eu lia todas as conversas dele, claro; namorando comigo e só trashing me! Trashing me grandão! Eu ficava pasmo com as mentiras que ele contava para toda a gente... eu também conto mentiras, lógico, mas eu minto dentro da margem de erro! 

xoxo





12 de set. de 2026

-nº135/nº45-


 

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– Se eu pudesse regredir e viver minha toda outra vez? Só se eu perdesse a memória; o problema não é a fome, o problema não é a exclusão social e nem mesmo o defeito da orientação sexual sendo acusada pelo outros como se optativa, cada um de vocês, eu queria que vocês provassem um dia desse inferno; o problema? O problema é o medo dos pais, o problema é o medo da escola, o problema é a outra de demônio sem precisar de capa vermelha, é você ô capa vermelha!

 

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– Logo eu percebo que não tenho sido lá digno da vida; a vida é propaganda, a vida foi feita por e para pessoas muito bonitas, assim logo eu compreendo, cada vez mais e mais cedo, a mudar para o canal onde mostram as pessoas feias

 

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– O que é mais difícil nessa vida toda que estou levando? Tomar banho todos os dias como se toma no Brasil, li há muito tempo que tomar banho todos os dias faz mal à pele, é, a sua pele que você entrega a sabesp, ela que, tudo o faz é pegar a agua do seu esgoto colocar um monte de químicos pesados até poder chama-la de “potável” e então jogar essa aguinha de volta para o seu chuveiro, para você se esfrega esfrega esfrega com essa água com essa água todo santo dia!! Pois quando você encontra turistas da Europa e nota o quanto a ´pele deles é linda! Claro que é linda! Eles não tomam banho..;  mas hoje finalmente consegui cortar as unhas, fazer a barba e tomar banho, com todo o esforço do mundo; importante é receber na residência um sinal dessa luta com este lutador com o qual é possível gozar pelo cu só de olhar; bem, ao contrário do que eu suspeitei, há pouco, de que minha vida tinha acabado, minha vida pode estar na metade, então é melhor eu comprar camisas novas e submeter o livro novo, e não, eu não cometo o ato falho de mandar o texto e dizer algo do tipo "eu escrevo tipo como o Guimarães Rosa", sabe por quê? Porque eu nunca dediquei tempo para ler Guimarães Rosa, e sabe por quê? Porque quem lê Guimarães Rosa não tem um chão pra passar pano, não tem um sofá pra limpar, não tem uma roupa pra por na máquina; sobre propaganda política? Toda criança precisa de comida, todo batente precisa de porta, todo fiapo precisa de olho ou de cabeça de dedo;

Eu falo:

– Quero um advogado! (falo assim bem afeminado), levo um soco na cara, desmaio e caio estirado no chão, outro funcionário vem e põe fogo em mim, na minha barriga, no meu peito e na minha camisa, queima o suficiente para os funcionários ficarem felizes e baterem palmas, a supervisora pede para apagar o fogo para não pegar nos móveis; na verdade estou finalizando uma gestação de um novo trabalho, enquanto tenho que aceitar que ela não tem mais paciência pra ficar comigo, ontem não confiou em mim para ler uma embalagem em inglês, teve que ligar para uma vizinha para ouvir ela falar a mesma coisa que eu disse, ela diz coisas desnecessárias e desagradáveis, como o quanto eu já estraguei uma catacumba em desuso, o ser temperamental já aprendi aqui na pirâmide, se eu voltar ao ramo em breve, vou ir trabalhar, em bem breve vou trabalhar com camisas pra fora da calça, sim, porque um "volume" pode ser confundido com um "boner", e as mulheres não sabem diferenciar, qualquer coisa pode ser assédio em tempo de má comunicação, e daqui a pouquíssimo tempo, peidar ao lado de uma mulher vai ser punido com a pena de morte; lá na Tailândia eu conheci uma japinha chamada Patuntupapáparapatarantan Tuntuntunpupurukutú;

– Você está pronto?

– Ai, meu deus! Eu nem tomei café!

– Você está pronto??

– Tá, só vou dar esse livro do Fernando Henrique na sua cabeça

– O que você está buscando na sua trajetória?

– Eu quero é pegar o dinheiro, oras! Vou comprar um monte de chocolate, muito refrigerante, vou comprar muito hambúrguer vagabundo repleto de molho para sujar bastante minha boca e as minhas bochechas, vou comprar chocolate suíço no mercado livre, sim, aquelas barras de trezentos gramas! E eles entregam aqui na minha casa, e eu vou comer tudo! Mas não vou gastar um centavo naquele lugarzinho de putaria, não vou chupar o pau de ninguém! E não vou deixar ninguém chupar a minha rola!!

– Bem, eu acho que podemos encerrar essa conversa

– Ah, se acabou eu vou tirar a minha peruca

– Se acabou eu vou tirar a minha também

 

– Curte verbal?

– Curto, mano

– Curte Merval também?

– Vsf, seu escroto!

 

– Eae o que você acha?

– O que eu acho? Que todo mundo tem o direito de dar um tchauzinho antes de morrer, de modo que:

– Ah, sua pão com ovo cara chupada de nóia olho arregalado paranoica não tem nem um metro e sessenta e cinco, quer dar um tchauzinho? Sim, porque você vai morrer agora, dá um tchauzinho, vai!

 

– Você vai sim arrumar uma pessoa que lhe faça feliz, diferente desses indigentes que você se relacionou!!

– Negativo!!! Eu não preciso de outra pessoa para ter uma vida satisfatória!!! Isso é uma ideia ultrapassada!!!!! Eu posso muito bem viver sozinho! Dane-se que a sociedade pense o contrário!!

– Se bem que...

– O que foi, meu filho?

– Eu estive pensando no amendoim

– Amendoim??

– Pois

– Veja. A outra pessoa, por melhor que seja, vai ter defeitos muito irritantes, mas talvez seja melhor tolerar

– E por quê?

– Porque quando eu me engasgar com um amendoim, não serão os meus gatos que vão fazer o procedimento pra me desengasgar, vai ser o insuportável do meu marido!!!

– Se for o seu karma morrer engasgado, você morrerá com ou sem marido

– blá-blá-blá

 

– Vou pegar esse bife de picanha com sal e martelar na sua testa para ficar maior e mais fino

– Não faça isso, por favor!

 

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– Quer dizer então que o professor vai liberar a pistola para os três primeiros colocados no concurso? Eita! Prometeu está prometido, está gravado!! Daqui a duas horas eu é que vou liberar a pistola para o casado, eita! Sextou... boa noite e por hora é só, pessoal!

 

xoxo


15 de ago. de 2026

-nº135/nº44-


 

44

 

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– A arte não é sobre glamour, a arte é sobre trabalho, trabalho duro, não é sobre sentar aqui nessa cadeirinha, é sobre vestir uma roupa rústica e amarela, carregar uma pequena caçamba amarela, e varrer e varrer uma rua por muito tempo, e varrer de novo debaixo de enchente, rajada de vento, e nunca parar de varrer; daí um belo dia, eu chego até o final da rua e vejo a rua limpíssima, daí passa uma mulher, com um vestido branco lindíssimo, com um sapato de salto belíssimo, eu vou até ela, a cutuco, e digo

– Está vendo essa rua limpíssima? Fui eu que varri!

Não! Não! Não é para ela, não é para os outros, é para mim! Antes de me perguntar se valeu a pena, tente me perguntar para quê? Para que me raspei tanto nesse esforço? Mesmo que eu tenha gostado de observar a rua tão limpa apenas por alguns minutos? É que mesmo assim ainda se morre, posso morrer amanhã ou daqui há poucos anos, as condições de vida podem piorar, e daquela rua ninguém vai mais lembrar, e meus olhos vão chorar

 

do I carry on?

v

 

– No primeiro dia na minha casa nova, pedi para um dos moradores, um louro de mais de 1,90m para conversar; eu o interrompi no corredor e disse começando a começando com pausas quebradas, '"É...", "Ã...",

– Preciso falar com você

– Pode falar, aconteceu coisa?

– Não, é que, se você não se incomodar, eu queria te pedir para te dar o telefone da minha mãe, se você não se importar

– Claro

Ele tira o celular do bolso, e eu dou, falo o número e ele salva o número errado; ele dá um sorriso corporativo; enfia o celular no bolso; a vida como ela é, coisa nenhuma, a cozinha é pequena demais para nós dois, saí do banho e ele já estava atrás da porta como se já tivesse esperado três horas, todas as vezes em que nos cruzávamos, ele sempre olhava só para frente, talvez fosse modelo, e se olha pra frente nunca me nota, visto que tenho 1,75m, a minha inexistência servia para treinar a inexistência de todos os outros

O que temos aqui é a anticrônica; o garoto do sul, tarde naquele mesmo dia, assistia televisão enquanto bebia cerveja artesanal e conversava consigo mesmo

– Nem conheço essa mulher, como vou dar meu celular pra ela? Eu posso estar sendo o pior dos escrotos, mas eu não vou virar babá desse cara; mais alguns goles e ele pensa

– E se algo de algo mesmo acontecer? Vou me perdoar como?

No outro quarto, o filho da mamãe destilava ódio;

– Nem quis me dar o telefone dele, nem deve ter anotado o da minha mãe, eu sou um lixo mesmo! Ele deve ter nojo de mim, mesmo sem eu ter feito nada pra ele, só existir do jeito que eu existo, já é nojento; e assim, uma lágrima que teimava em não cair, desceu

– Desde então, o silêncio pairou naquela casa, o altíssimo garoto se arrependia cada vez mais, mas era tímido demais para consertar o que fez, Ygo, sentiria aquela lepra para todo o sempre; sendo assim, não haveria, nem nunca haverá avença

 

O pai: já faz mais de mês que não alugam aquele terceiro quarto

A mãe: seria tão bom que alguém entrasse com boa energia e todos passassem a se dar bem

O pai: ou então ficariam piores

A mãe: uma mulher seria tão bom naquela casa

O pai: e por que uma mulher?

A mãe: porque mulheres são mães, porque mulheres criam, porque mulheres harmonizam

O pai: mulheres também matam

 

 

– Tá, logo chega dois meses e você vai ter dinheiro, a mesma quantia para publicar o livro novo em Portugal, lhe parece muito mais tenra

– A vida que não é tenra, Eduardo

– Você tem tentando há anos reunir essa verba, teve vários empregos fixos para agora dar um coice? Não faz sentido, não é semântico, pode não tentar mais uma vez de novo?

– Tentar, tentar, tentar, tentar e morrer, é como a vida se comporta

– Pode ser fácil, mas quando chega a hora, muita gente desiste... não teve paciência

 

– Dois meses de empresa depois, Ygo se encontrou com o traficante para a entrega da encomenda, ele já o esperava de moto na frente do prédio da empresa; o vi todo galante em pé ao lado da moto sem a viseira, me deu um capacete

– Vai acertar agora?

– Sim, te passo agora

Ele olha para o celular e diz

– Preparado?

– Preparadíssimo!

Os dois chegam á uma região de mata, o traficante ensina Ygo o básico sobre como atirar com sua nova arma, diz ao colega

– Acho que já está bom, não preciso mais do que isso

– Tem certeza?

– Absoluta!

– Tá certo, se precisar de outra aula, só me chamar

– Tá certo, Emerson, muito o obrigado

 

Ygo, no caminho para casa não sabia ainda se estava feliz ou triste por estar vivendo o último dia de sua vida; é claro que tudo foi planejado para que estivesse feliz, mas daí um talvez ecoa, talvez algo bom está esperando por mim muito em breve, toda tentativa de suicídio dá medo, o problema é que dessa vez não vai falhar, dessa vez é fim da linha;

Ygo chega em casa, e lá está Bob na cozinha, Ygo passa por ele como se ele é que não existisse, larga a mochila no chão, se senta na cama, começa a tocar na arma, tocá-la como e fosse um objeto de desejo; Bob achou estranho que Ygo não foi tomar banho, Ygo havia pesquisado que a melhor forma de se suicidar com uma arma é dar um tiro no céu da boca, mas estava lhe faltando coragem para enfiar a arma na boca; Bob foi ao banheiro, que porta com porta com o quarto de Ygo, e foi na mesma hora em que Ygo conferia as balas e esse é um som característico do revólver, Bob foi e voltou ao banheiro rapidamente e a arma disparou; Bob entrou no quarto, viu Ygo recuperando a arma do chão

– O que aconteceu?

– Não foi nada! – disse ríspido

– Como nada? Você não pode ficar com uma arma disparando aqui!

– Cuida da sua vida!

– Me dá essa arma! – ele dava um passo à frente

– Sai daqui!

– Me dá essa arma! – ele dava outro passo à frente

– Sai daqui!

– Me dá essa arma! – ele dava outro passo à frente

A cada diálogo o tom aumentava, e quando Bob estava prestes a tomar-lhe a arma, Ygo atirou, no peito, três vezes; ao vê-lo cair no chão, na certeza de sua morte, ficou maravilhado, olhou para aquela bela cena e pensou “Eu quero ir para o mesmo lugar que ele”; não titubeou, inseriu a arma no céu da boca e atirou, sem hesitação

 

do I carry on?

v

 

– Sim, eu definitivamente prefiro primeiro a diversão e depois a obrigação; minto, eu não gosto da obrigação, mas eu sucumbo à obrigação, por medo, por viver com muito medo do provável eterno refugo ao suicídio, e acabar na maior miséria; por isso hoje, mesmo acordando tão triste, mesmo porque existem coisas que me deixam tristes além do estudo, um estudo forçado, o que me enfastio, que me cansa já quando me sento para cansar, pelo menos inventaram a lógica, que é algo que gosto, resolvi às cinco questões diárias que homens confiáveis que mandaram, tenho certeza que acertei quatro, a quinta só chutei porque não me ensinaram aquela matérias, mas ainda posso acertar com o chute, e vou estudar mais logo de noite para acertar os noventa por cento que acho digno, já que as empresas privadas me veem como algo que chegam à assustar, ou talvez eu é que me assusto com a forma deles ao se apoucar, tal relação trabalhista não funciona assim, desse motivo, me emparedei à prestar um concurso público, o qual teste, provavelmente se dará neste novembro, eu não serei feliz depois que passar, não serei feliz depois que for empossado, mas não morrerei na maior miséria, por isso ontem à noite, o medo da miséria ia me mover a estudar com afinco, como se o medo já não movesse a minha vida

 

v

 

– Sonhei, contando à minha mãe, mas contei; estávamos em um grande evento de dramaturgia, muitas, muitas pessoas famosas, não sei o que eu estava fazendo lá, minha mãe talvez, no principal local de confraternização, de troca, era um lugar bem grande e, pasmem, a maioria das pessoas se sentavam no chão; a coisa mais parecida que eu tinha visto com aquilo em arte foi na FLIP, estranhamente, algumas mulheres começaram a passar e olhar para mim, eu ainda era bonito, mas não para ser flertado daquele jeito, uma eu não sabia o nome, depois apareceu a Aline Midley, olhou misteriosamente ao passar por mim, mas era um olhar frágil, ela simplesmente se sentou, encostou no meu ombro e começou a chorar, não fiz nada, apenas a deixei ter aquele momento; peguei um livro, tinha imagem e textos, eu folheava o livro para ela ver, era um livro bem grande, em uma página eu comentei

– Essa página só tem imagens... espere... não, tem texto também – disse com o meu "defeito de voz"

Ela levantou e foi embora, mas eu já estava acostumado, para uma mulher eu não sirvo para nada, afinal, um homem gay não é um homem, é uma imitação de homem

 

v

 

– A vida que eu conhecia acabou, a que estou vivendo agora eu não sei o que é

 

v

 

– Eu ia dizer que meu relógio biológico voltou ao normal, e eu acordei às dez horas, mas me deu uma de Thom Yorque e quero/decidi rejeitar tudo que é fácil; assim, nasceu "Ok Computer"

 

v

 

– O pior de perder o emprego, é perceber que você também não tem casa

 

v

 

– Apaga a luz, desliga a televisão, assim a vida se esconde, fica menos pesada, vá calcular o peso da escada, o perímetro e a área, eu até me arrisco, vá se acostumando com a sombra, é assim que a vida "some dos seus olhos"

 

v

 

– Tem gente que envelhece, tem gente que estraga; eu estraguei; a vida insiste em fechar portas para mim, então eu passei achar inútil continuar batendo nelas; se decidi parar de viver por que não tenho sonhos? Pelo contrário, eu tenho muitos sonhos, só que eu enfiei minha perna em uma estrada de barro e eu não consigo sair, e a cada dia que passa, mais eu acredito que nunca vou tirar minha perna daqui, pois o barro seca, né? Isso faz muito tempo, amor de mãe tem limite, amor de pai não existe, e estou aqui "invadindo" o espaço dele, filho aqui não tem casa, filho aqui é no máximo agregado; carrego um medo imenso, diagnosticado com TAG, mas de morrer eu não tenho medo

 

v

 

– Quando aparece você, até terremoto dá vontade de ver

 

xoxo


31 de jul. de 2026

-n135/n43-

 


43


– Vamos falar de Mateus? Quando nos conhecemos ele tinha vinte anos, tinha vinte aninhos, no alto de seus 1,96m, lourão, lourão, mas era gordo; gordura nunca é problema para um homem de 1,96m, é muita altura para dividir a gordura e além do mais, Mateus também tem o pênis grande e gordo; alugava um quarto na casa do namorado, mas já falávamos por câmera, ele me acompanhava em tudo, filme de surdos-mudos, filme húngaro de três horas, e sempre, mesmo namorando com esse ou aquele, sempre acontecia quando nos encontrávamos, eu percebia que os outros namorados só preenchia o tempo e que, logo eu ia aceitar namorar com ele, até nos lançamentos dos meus livros ele ia! Até ter o trabalho de baixar "Melancholia" do Lav Diaz ele fez para mim, mas pra mim, um namorado não precisa ter "características", precisa ter sinos, e eles precisam bater, eu sabia o tempo todo que ele queria namorar comigo, mas fugia da minha alçada, durante boa parte da nossa amizade, uns dos namorados era quase marido, e ele admitia que era praticamente um “contrato”, um “acordo”, “uma segurança”, e ele até sabia que eu e Mateus transávamos, mas Mateus nunca conseguia emagrecer, e nunca me passou pela cabeça o quando Mateus seria se emagrecessem até que aconteceu a virada de chave; Mateus finalmente conseguiu emagrecer e, um homem bonito e magro de 1,96m chama muita atenção, pior: ele conseguiu um namorado bonito como um esquilo, monogâmico como um cachorro de rebanho de ovelhas, Mateus não foi ao lançamento do meu próximo livro, sequer o encomendou, o que me fez maquinar que ele só foi aos outros para me agradar, pior: Mateus usou um motivo banal para terminar a nossa amizade, o pensamento era que "Agora que eu sou magro, tô magro pra caralho, tenho um namorado gato pra caralho, eu preciso do Hugo pra quê?"; o problema não era ele ter um relacionamento monogâmico e que não íamos mais transar, a questão foi, "Quando eu era gordo, eu não servia para namorar, agora é o Hugo que não serve para namorar, e quer saber? Agora nem pra ser meu amigo o Hugo serve" 


– Vamos falar de João? Em determinados momentos as coisas estão calmas, de repente ele começa a gritar, pelos motivos mais banais possíveis; na segunda-feira Hugo Guimarães recreats Sepultura's "Rattamahatta" Baibouk garagym faveelah, baibouk garagym faveelah Fiubengah mehlouk booukadah, fiubengah mehlouk Boukadah! maloca bocada Mehlouk bookadah fiubengah, meehlouk boukadah Fiubengah, , po rrah Faveelah garagym baibouk, faveelah garagym baibouk Poh rrah... un, dos, trees, quatrou! Zee dou caixa-o, zambai, lamp-ao Zee do kaysh-ao, zombie, lamp-ao Zee do kaysh-ao, zombie, lamp-ao Hello uptown, hello downtown Hello midtown, hello Trinny town Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (hello) Ratamahatta Ratamahatta Ratamahatta Ratamahatta Hello uptown, hello midtown Hello downtown Hello midtown (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta (Hello) ratamahatta, ratamahatta, ratamahatta Vamos falar de João? Em determinados momentos as coisas estão calmas, de repente ele começa a gritar, pelos motivos mais banais possíveis; aos setenta e seis já virou criança, descobriu que eu odeio quando ele canta, e desde então, canta o dia todo, e não canta baixo e sim, eu herdei dele a bipolaridade, é o máximo que ele vai me deixar, eu e a minha mãe estamos certos que ele precisa de um psiquiatra, de tomar estabilizador de humor, mas ele jamais aceitaria, ele não acredita em psiquiatria, ele diz que esses médicos inventam essas doenças para vender remédios e eu, nunca estive doente coisa nenhuma, que eu sou um vagabundo que não gosta de trabalhar e gosta de deitar no sofá para assistir televisão, eu queria que ele soubesse a tortura que é dividir os tetos com ele, nunca leu um livro de literatura na vida, certa vez disse na minha cara "eu acho os seus livros um lixo", acha meus livros ruins, mas lê Lair Ribeiro, não é? O mesmo que dá palestras para pessoas ricas ficarem mais ricas, minha tia avó (que é rica), que falou do tal Lair, ficou sim rica, e após todos esses anos, João continua pobre, por dentro e por fora, arrogante, grosseiro, e acha que entende de assuntos que não entende 


– Vamos falar da reparação? 

– Reparação de parede?

– Não

– Reparação de santo de gesso?

– Não

– E então?

– Reparação de injustiças!

– Ah, entendo...

– Entende seu rabo!

– (...) 

– Pois então, ainda não inventaram algoritmo para isso

– Para quê?

– Para identificar um perfil falso na rede de computadores antes mesmo que eles existam! – Será possível?

– Sim, será, só não sabemos quando, onde, de que forma, de que cor e com quantos svarovskys; é assim que se escreve? 

– Olha no chatgpt, homem!

– Nem morto! Se houvesse uma votação em que todos os cidadãos do mundo votassem em uma guerra permanente entre os Estados Unidos e a China, eu votaria nos Estados Unidos, é claro! Se eu precisar fazer uma consulta idiota como essa, eu uso o AI do Google, é a mesma coisa!

– O que isso tem ver com a injustiça, afinal? 

– Lá estava eu novamente feito um imbecil em aplicativo para homens gays encontrarem outros homens gays para transarem ou para brigarem, esses plurais estão certos? Consulte aí no AI do Google pra mim, e então, nebulosamente apareceu um perfil fake com o intuito de passar com uma britadeira sobre a minha autoestima; 

– Mas que horror! E com que intuito? 

 –Vou lá saber? Bom, o perfil, pela distância exata, estava em Madrid, porém, não deve ser difícil criar um perfil com uma localização falsa; cheguei em duas pessoas, o meu primeiro namorado, que era um psicopata, e minha ex amiga, já que ela mesma me deu um 'unfriend', ainda bem que não publiquei o texto descascando os dois, pois se tratava do tortinho, que vive "pela metade" e vive arrotando por aí que foi para Londres lavar pratos, mas se achava a rainha Elizabeth 


– Vamos falar de gente que não existe? 


– Vamos falar sobre ressocialização? Quando Fernando Haddad Maia foi prefeito de São Paulo, ele criou um programa para dar emprego aos cracudos; a imprensa foi lá e perguntou à uma mulher 

– O que você vai comprar com o seu primeiro salário? 

– Um desodorante, uma sainha de dez reais linda que eu vi e uma pedra da boa! 


– Vamos falar da vida pela metade? Mas só pra escrever o texto inteiro... 


– Vamos falar sobre deus? Deus não existe, tem gente demais no mundo, cada um que se resolva, cada um que se perdoe! 


xoxo

– (...) 

– Pois então, ainda não inventaram algoritmo para isso

– Para quê?

– Para identificar um perfil falso na rede de computadores antes mesmo que eles existam! – Será possível?

– Sim, será, só não sabemos quando, onde, de que forma, de que cor e com quantos svarovskys; é assim que se escreve? 

– Olha no c