4 de jul. de 2026

-nº135/nº41-

 


41

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– Hoje o Brasil vai dormir em primeiro lugar no grupo, e eu vou dormir no sofá
– Por conta disso milhões de pessoas vão dormir felizes, mas eu vou dormir triste e não vou nutrir uma esperança irresponsável
– Há duas semanas atrás tirei fotos onde eu podia ver juventude, beleza e sensualidade, ontem eu tirei fotos onde vi minha deterioração, e a plena velhice que se instala em quinze dias, ou pode ser odores do borderline voltando a somar a perturbação? Ou já eu estou buscando alternativas para negar a velhice? Não me falta juventude, me falta a full face ou a wooden face?
– Não se dorme de sono de tarde, se dorme de tristeza, então acabo por dormir muito
– Preciso ser entrevistado e chancelado, trabalhar calado, ter uma vida regular e triste e, mais do que isso: vestir roupas tristes; e quando tudo der certo e você conseguir a sua condicional? Vai continuar vestindo roupas tristes?
Mas é que eu já tô prontinho
Pra sair pra trabaiá
E depois comprar um lote
No resort Tayaya



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– Eu não te disse por que eu não gosto de Legião Urbana? É porque quando eu era criança, na hora em que minha mãe me levava de carro para a escola, ela ligava o rádio sempre na mesma estação e sempre tocavam uma música do Legião Urbana, sempre bem naquela hora, até hoje não sei o nome da música e não lembro nada da letra, mas lembro a melodia direitinho até hoje, e sabe o que aquela melodia me lembrava? Que eu ia apanhar na escola
– Como eu lidaria com isso? Talvez aprendendo a me impor, mas o problema é que eu apanhava em casa também
– Você sabe? Você sabe por que hoje todos os meus amigos da minha vida não admitem sequer falar comigo? Postar qualquer foto posando do meu lado? Que as que já tinham, apagaram? Lá os amigos foram todos embora, os colegas se já pouco importavam... tudo por causa daquela frase de 2020, uma análise sócio demográfica mal pensada, que apaguei meia hora depois e pedi desculpas, sim, se não me perdoaram depois de seis anos, a polícia já perdoou, a pena para o crime de xenofobia dura no máximo cinco anos, sendo assim, já terminei de cumprir a pena há mais de um ano, agora de nada adianta a inocência e agora posso dizer que a polícia é mais minha amiga do que todas as pessoas que afirmaram ser minhas amigas durante toda a minha vida, os civis não perdoam, não tem clemência e só não matam por causa da consequência, e sabe por quê? A coragem e o perdão não se misturam, não para pessoas comuns, e o que eu percebi é que eu estava rodeado de pessoas covardes, rasas, é uma preta que se acha branca, que se acha uma grande merda só porque passou anos juntando moedas para ir viver na Irlanda, ou é o povinho da literatura paulistana, que por conta da lama que cobriu minha imagem, essa lama que endureceu, passou a ignorar a minha existência, com um silêncio sistemático, que me aplicou uma morte sutil, ignorando o fato que eu já saí da lama duas vezes com livros excelentes, e a única coisa que esse boicote nunca vai me tirar é o meu talento, coisa que noventa por cento dessa “cena” que se senta nas mesinhas da mercearia, não tem a palavra “talento” nem para ouvir (porque não tem), e nem para dizer (porque tem inveja dos outros), não me perdoo por ter dado meu livro do proAC para aquela editorazinha fundo de quintal da Reformatório, para aquele conservadorzinho do Noceli, que me chamou de moleque, (isso mesmo que vocês leram), que bom que ele pode, eu só não posso chama-lo de moleque porque ele já deve ter mais de setenta anos, e é mais um editor/péssimo escritor, não entendo o descontentamento, todos os meus livro que ele imprimiu esgotaram... e eu tive que cobra-lo minha cota das vendas mostrando-lhe o contrato, do contrário, ele faria a “molecagem” de não me pagar; depois fiz pior, dei meu livro mais conhecido até hoje para aquele obeso, conservador, do Staut, que se juntou ao "povinho" do cancelamento, tirou meu livro das únicas duas livrarias que conseguiu colocar, e tirou do catálogo de sua editorazinha anã, que ele não assume ser independente, diz muito sobre ele, uma capivara que se olha no espelho e se enxerga em elefantinho, mutilou meu livro inteiro, fez uma edição péssima, sequer me mostrou a prova final, não sei se fiquei mais com raiva o com vergonha quando vi o livro pela primeira vez, e ainda me cobrou uma fortuna por esse “serviço”, ainda assim, meu livro chegou à segunda edição... nesse povinho de terceiro mundo não se encontra gente diferenciada, é perda de tempo esperar uma Madonna nos anos 1980 tendo a coragem de falar sobre AIDS na televisão, aqui ninguém lhe defende apenas pela convicção da sua inocência, pela desencargo da consciência de estar colaborando pela reparação de uma injustiça, não, só tem essa gentinha egoísta, mal educada, movendo-se para a direita, nivelando-se, perdendo (se é que já teve) o conceito de arte e principalmente o que é ser artista e, quer saber? Se vocês querer que eu me foda? Eu quero que vocês se fodam em dobro, espero que vocês morram queimados, morram pobres
– Eles todos, tenham o telefone celular incendiado espontaneamente, que estejam em frente à uma prateleira de supermercado, que o celular esteja no bolso de trás no momento da combustão, e ao notarem o fogo, a dor extrema no glúteo, irão procurar desesperadamente em círculo pela origem do fogo, sem nunca perceber que vinha do próprio glúteo, em determinado momento, o desespero muda, você sairá correndo em linha reta, naquela hora do dia, havia poucas pessoas no supermercado, menos ainda pessoas dispostas a ajudar, afinal, é melhor que seu glúteo vire carvão do que eu arriscar minha mão tentando um simples procedimento de abafar o fogo em alguém passando difícil situação; é difícil saber se é misantropia, se é covardia, se é medo ajudar os outros, colocar-se no lugar dos outros, às vezes nem é necessário;
– Lembro uma vez quando eu estava em um supermercado Pão de Açúcar, e uma mulher parda, nordestina, de certa idade, perguntou a um garoto louro bem jovem "quanto custa esse biscoito?", ele respondeu de uma forma muito rude "não sei!", custar? Não custava nada ele ter ensinado a mulher a consultar o preço no leitor de código de barras



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– Toda vez eu mantenho na boca ao invés de cuspir, tenho de manter o flúor por quarenta minutos, você escorre veneno porque é veneno demais para manter na boca
– Ai, que saco, não cai demonologia no concurso público
– Ai, que legal, eu posso entrar nos Estados Unidos e fazer a Gwyneth Paltrow enfiar o Oscar dela no cu, e eu só posso entrar porque eu tenho cara de americano, lá ninguém me retém, nem retém meu celular, nem me levam para a salinha para tirar toda a minha roupa, ninguém examina meu cu para ver se tem algo escondido dentro dele
– Inventaram uma daquelas caça níqueis para homens gays conseguirem transar com outros homens gays, mas ao invés daquelas máquinas grandes, é possível jogar no celular, não é necessário entrar em fundos de bares para jogar, mas o resultado é o mesmo, você joga, joga e quase sempre perde, homens começam a conversar com você e depois a conversa acaba em quinze minutos, ou melhor, quando uma conversa "desaparece", fruto de uma mentira, a mentira existe, a mentira é "palpável", aqui, a conversa "implode", a pessoa implode, e a mentira implode em cima de você, e mesmo você sabendo o estado que você fica lá embaixo, o tempo que você demora para sair de lá, e mesmo e mesmo cheio de escoriações, pontos, gesso no braço, ainda em cima de uma cadeira de rodas, você se sente pronto para voltar a jogar, não se compreende como é se mexer nas sombras dos escombrar, e como é raro, do raro ao impossível ganhar, e quando eu ganho, é tão pouco, que é o suficiente para comprar uma escova de dentes nova, sabe quem ganha sempre? Demora para perceber, sabe quem ganha sempre? Aqueles que nunca jogam
– Sabe o que não é jogo? Sabe o que é saudável? Flertar com o motorista do ônibus
– Essa cor não é sua, essas fotos todas são cheias do máximo de luz, e você mesmo assim acha que essas luzes te abonam, e quando a máquina me mostra uma sequência perfeita de bananas, você me encontra sem poder carregar as luzes das suas fotos tratadas e ainda me olha com prepotência, eu que não preciso de luz nenhuma, talvez de tanto usar aquelas luzes você já crê que você as carrega, e não é só você, é moda por aqui negar a própria cor, a Shakira é preta, a Anitta é preta, você sabia que elas enchem a cara de pó? Querer relacionar-se com a própria raça, a uma parte do bolo da sua raça que é um esquilo que vê um gato persa no espelho, eu mesmo sou um gato, e gatos não são desprezíveis assim



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– Não vai terminar o estudo do dia, Hugo? São vinte e duas horas
– Não, com tristeza eu não consigo, vou ter que aceitar essa lacuna do excel do cronograma
– Se já tomou café da manhã, por que não vai fazer o estudo da manhã? Já são onze horas
– Cuida da sua vida? Porque eu não quero, posso muito bem fazer essas duas horas depois, duas horas depois do almoço, até lá eu me consolo deitado no sofá embaixo do cobertor
– O professor disse que tristeza não é desculpa para não estudar
– Ele não sabe o que é tristeza braba, achei que o médico tinha esquecido de colocar o único antidepressivo que restou na minha receita, mas vim a saber que ele retirou mesmo, sei que é saudável ele retirar o maior número de comprimidos possível que eu tomo por dia, mas me deixar sem nenhum antidepressivo é irresponsável, é perigoso, sendo que na mesma consulta eu falei sobre intenções suicidas com a maior naturalidade
– E você disse isso à ele?
– Eu não preciso dizer, ele que é o psiquiatra, ele é quem percebe tudo, e não, eu não preciso ir à consulta com a minha pior roupa, com os cabelos dias sem lavar, sem escovar os dentes, sem responder os sorrisos dele, falar muito sobre muita morte, nada disso... isso é uma atuação barata, batida, que os psiquiatras estão cansados de ver, quando o doutor diz
– Oi, Hugo, tudo bem?
Mesmo nada estando bem, eu respondo
– Tudo bem!

Ele só quer que eu seja educado e responda “tudo bem”, mas ele já sabe que nada está bem antes de eu chegar lá
– Por que será que ele acha que você melhorou tanto a ponto de lhe tirar todos os antidepressivos?
– Provavelmente porque eu não tive algo ténebre para contar, além disso, para mim tristeza não é antônimo de gentileza nem de cortesia, e sabe qual é a cereja do bolo que culmina nessa manhã?
– Não
– Está fazendo treze graus em São Paulo



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– Seu banco realmente te realiza?
– Nem o banco nem a mesa
– Não entendo nada de veterinária
– Por quê?
– Você já viu algum boi dormir com história?
Tá que tá muito ruim
O dia
Vai ficar muito pior
Sem energia
– Se que bem que aquele sovina jamais compraria um aquecedor para essa casa e, se comprasse não deixaria ninguém ligar para não encarecer a conta de energia
– Ouve-se o som de um interruptor e em seguida ouve-se um exú dizendo
– Aqui ninguém é sócio da companhia elétrica!!
– Que boa energia!  Como você chama?
Eu começo a chorar tentando esconder os olhos com os dedos
Eles dizem "drama, drama..."




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– Woe... horas naquela merda de aplicativo cheio de bicha feia pão com ovo que se acham a última bolacha do pacote por causa dos filtros que colocam nas fotos e os corpinhos "malhados" de fome para se acharem padrãozinho, e eu nunca acho que tenho atenção porque dizem que pareço "fake", por que pareço fake? Porque uso fotos reais e não procuro ser quem não sou e muito menos "padrãozinho"; menos de um minuto e finalmente resolvi o problema, limpei a porra da barriga com o cobertor e fui fazer um belo café orgânico para ver o quarto final do jogo da Áustria contra a Argélia na copa, que me arrependo amargamente de não ter visto desde o começo por estar procurando agulha no palheiro nessa porcaria de aplicativo, parece até que esqueci que o nóia, o demônio do meu ex, encontrei nesse mesmo aplicativo; vamos desligar o botão da raiva? O que é a busca do parceiro, afinal? Imagine estar se prostituindo em uma vitrine em uma daquelas ruas de Amsterdã, você fica lá parado e as pessoas vão passando, passando, até que alguém para e contrata o seu serviço, não é bem alguém que você quer casar e ter filhos, mas você aceita pelo sexo, e o sexo só pela prática, é aceitável, é recreativo, além do mais, o sexo só pela prática, teoricamente serve para manter "o bom funcionamento" da genitália, com a teoria de que “máquinas que ficam paradas muito tempo, quebram”, mas a recreação só se repete e você acaba se esquecendo que o objetivo do sexo casual não é o mesmo do instinto animal do acasalamento, ou seja, de encontrar uma pessoa que você consegue enxergar dentro da sua vida, onde o afeto mandatoriamente deve vir/deve ser mais importante que o sexo
"Ninguém tem tesão em uma pessoa só para o resto da vida" (Cássia Eller)
"O sexo é muito melhor fora do casamento" (Maria Callas)
Saiba lidar com isso.
Porém, você pode ficar na vitrine por quinze minutos ou pela vida inteira, o que vai fazer/pensar? Vai dar a razão da sua vida a namorar? Casar? Ter filhos? Separar? Namorar de novo? Casar de novo? E as contas? Ganhou mais ou perdeu mais?
"E fui aqui ficando
Só para poder ver
E fui envelhecendo
Sem nunca perceber

O mar
O mar"
(Rebeca Matta)
Além do equívoco da equiparação do palavra "acasalamento" nós escolhemos o sexo, nós não precisamos dele, o que nós procuramos não é a mecânica, e sim o orgasmo, nós conseguimos isso sozinhos, muito facilmente
"Masturbação é o tipo de sexo mais seguro que existe"

(Cindy Lauper)
Eu já disse isso antes, você não "tem" um namorado, você não "tem" um marido, pois pronomes de posse não servem para seres humanos, as pessoas entram e vão embora da sua vida, as pessoas morrem, e como lidar com uma possível vida de amargura com essas vertentes? A grande maioria de nós procuramos alguém para dividir a cama e o teto, não para mostrar para si mesmo que é feliz, porque é tão difícil dizer para si mesmo que é feliz, que é mais fácil “terceirizar” essa tarefa colocando alguém na sua vida, e além disso, mostrar isso para a sociedade, para a sua rede de apoio, não importa se você está bem, o que importa é que os outros pensem que você esteja bem, "A sua irmã já casou, todos os seus primos já casaram e você nada... bem, aturar você não deve ser fácil", é o tipo de pérola que a sua mãe te diz vez ou outra, mas isso é só o buraquinho do vinil, a sociedade deve achar coisa pior quando você está sozinho, mas eu mesmo vejo coisas nas redes sociais... "Namorar com esse diabo só para dizer que está namorando?"; flerto com a ideia de permanecer sozinho para o resto da vida, essa não é uma filosofia nova, pensando bem, de fato, eu não preciso de um homem para nada, sabe para que serve o sexo casual? 1. Para um ficar reparando os defeitos do outro 2. Para satisfazer o outro, sem a menor preocupação em se satisfazer; contratar garotos de programa? Naqueles sites de acompanhantes eles são um presépio, quando chegam na sua casa é uma presepada e, pelo que já ouvi falar, quase todos são ladrões
– É possível ser feliz sozinho, eu não concordo com Tom Jobim, porque o raciocínio é muito simples, nós vivemos no único planeta do universo onde existe vida, e nós estamos nessa potência de solidão, nós seres humanos somos sozinhos, nascemos sozinhos e morremos sozinhos e não sabemos para onde vamos e a origem de todas as religiões é o desespero




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– Sim, pelo menos fiz minhas horas de estudos para o concurso e fiz o checked na minha planilha, e não carreguei nenhuma bicha malvada em algo que é bom para mim, aliás, tem lá na planilha uma célula que ontem marcava dez e hoje vai marcar onze, ou seja, convites para sexo, cocaína e abandono, eu não estou disponível! Eu não estou disponível!
– Do lado do sofá tem a minha mesinha, o que tem nela? Uma cartela de Zolpidem, um brinco (eram dois iguais, mas o outro eu perdi da última vez que passei vinte e quatro horas em um motel), um livro sobre budismo que minha mãe acha que eu vou ler e, noto a falta do meu livro da Adília Lopes, que foi retirado por algum motivo pelo qual, às vezes, como diversos outros, sou retirado de situações da vida

xoxo


18 de jun. de 2026

"((Nº135)Nº40))"

 




40

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– Pode encostar o carro na bomba
Então eu encosto
– Não precisa sair do carro
– Eu costumo sair carro, sei que existe risco de explosão durante o abastecimento
Ele ri
– Isso é quase impossível, moço
Mesmo assim prefiro esperar ao lado do totem da Elma Chips
– O que vai querer, amigo?
– Pode completar de inveja
Ele estranha, se certifica
– Mas já está completo, moço 
Eu fecho a boca e penso "Eu sabia..."

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– Quando eu lembro que eles escondem os doces no carro, eu lembro que isso também está ligado pelo fato de que faz tempo que eu não entro naquele carro, que eu sou um saco de carniça que eles não sabem jogar fora sem que ninguém perceba
– Quando eu alugar um pequeno lar para mim, e eu olhar para o espelho, eu não vou enxergar um ser humano, vou precisar olhar muitas vezes até eu conseguir enxergar um ser humano nele depois de tudo o que me fizeram passar, depois de toda a carniça que me disseram
– Por isso hoje, estou tão triste; por isso ontem, estava tão triste; por isso amanhã, estarei tão triste

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– Existe a pessoa, mas existe o sonho, se não tiver sonho não vale a pena, meu três ex-namorados sequer eram pessoas; toda morte é a interrupção de algo que poderia ter sido, não importa em que momento, evitar a decisão legítima do suicídio é desejar concluir o que deve ser, é o medo de se acusar de não ter tentado, como se existisse algo na vida que valesse a pena a dor de permanecer nela, não passa da covardia de perceber uma atemporalidade do desaparecimento e tampouco da insignificância do ser ante da imensidão, ante da pobreza de uma vida cinza
– Eu não sou biológico, meus pais me acharam no lixo, graças à não haver nenhuma guerra civil nesse país, não houve necessidade de esforço de fugirmos para Londres assim que me pegaram do lixo
– Quer saber? Se não me pagar, se me enganar, que se dane, a vida não será mais nem menos horrível por isso

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– E ver a beleza, e ver saltar a palavra "nunca" como um algoritmo, nunca diga nunca resulta em sempre? E se sempre diga sempre resulta em nunca?
– Eu não sou a guerra, mas sempre sou eu que tenho de esquecer do ataque e sugerir a paz; o ambiente fica mais leve, eu sento em uma nuvem por um tempo, mas as luzes se apagam de novo, os raios voltam a incomodar, na impossibilidade momentânea é onde a vida não presta, no sumiço do cartucho é onde a vida não presta, e principalmente na inércia, é onde a vida é horrível; amanhã vai fazer uma década que eu pedi o meu resgate, até agora ninguém nunca veio fazer o salvamento, eu continuo refazendo o pedido do meu resgate, não adianta ficar na grade esperando, eles nunca vem, todos os dias eu peço socorro pela internet, eles me entrevistam, me humilham, mas me ignoram, acham que a minha miséria não é o suficiente; tenho dificuldades de me mover de um cômodo para outro, meu peso real é muito maior quando tento me cuidar, quando tento progredir, é onde a vida coça

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– Ah, tá, é uma dopamina escorrida ralo sujo abaixo; sonho, se houver a mínima possibilidade de se tornar realidade, então não é sonho, sonhos foram feitos para serem impossíveis, sonho e realidade não se misturam, não há trégua, quando alguém diz que realizou um sonho, este não sabe o que é sonho, apenas perseguiu uma meta real, sabia o caminho para atingi-la e planejou o mapa e as contas para atingi-la, o sonho é outro fundo, é impossível saber como alcança-lo, o sonho é que faz contas para saber se você o merece e, na grandíssima maioria das vezes, o ser humano não merece viver um sonho, o ser humano nasce sonhando e morre sonhando, engana a si próprio e aos outros afirmando que é feliz, vivendo uma vida repleta de pesadelos reais, o ser humano ainda pretende vender uma imagem de que se aceita, mas essa imagem só serve para os outros, se o ser humano se aceita, não é necessário sonhar, mas como não se aceita, o sonho serve não mais como redenção, talvez, quando Plath disse que "uma vida sem sonhos é loucura", talvez seja sobre isso, todo mundo esconde a própria loucura, e a própria Plath acabou com a cabeça dentro de um forno de cozinha, vedando os filhos pequenos no quarto para os manter vivos, dando a chance ao marido; sonhos não envelhecem, mas nós envelhecemos, e é isso que nos deixam tão longe deles

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– Já me imaginei vivendo de várias formas, fazendo, sendo tantas coisas diferentes, se eu tivesse visto de trabalho para viver na Suécia, eu sequer passaria uma semana de férias no Brasil, mas olhando para a idade que eu tenho, agora não dá mais tempo de viver, só de sobreviver, visto que até o direito de morrer é dificultado, caio em saber que comprar um revólver no mercado negro custa bem mais do que eu esperava, é o mesmo valor que a editora pediu para publicar meu livro novo no Brasil e em Portugal, o que é mais sensato? Abreviar uma cilada ou investir em um sonho? Ficar lá esperando sentado em uma nuvem pesada, escura, balançando as pernas comendo pipoca de micro-ondas
– Quando você acorda, bom dia, vamos mascarar o dia? Os controles foram escondidos e os suecos estrearam melhor do que todos imaginaram no mundial de futebol, mas não consegui ficar acordado o suficiente para ver/ouvir isso, os processos ainda continuam acontecendo e eu ainda nutro pretensões empregatícias, chego ao quarto para fotografar objetos à que tenho afeto e encontro uma mesa suja
– Molham a ponta do cigarro da idosa para ela desistir de fumar, escondem os controles da televisão para eu levantar do sofá e me sentar em frente ao computador para produzir algo; no caso dela é para o bem, no meu é sempre para o mau
– Hoje eu vou tomar banho com ou sem a sua ajuda



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– Há uma semana atrás eu revivi o fato de que é possível buscar o meu perfil de aktep no kinopoisk, "aktep" significa ator em russo, kinopoisk é uma espécie de IMBD russo, lá é possível buscar meu nome de ator, os curtas em que atuei, e dar estrelinhas, mesmo eu não sendo uma estrelinha, se um russo ter me visto em uma telona, ou baixado algo em que colaborei, pode acessar o kinopoisk e, difícil alguém dá estrelinha, porque só dão estrelinha para quem é estrelinha, e eu sou atípico demais para isso, mas se deram o trabalho de fazer uma página para o "aktep" Hugo Rodrigo Guimarães, é sinal que há motivo
– O meu último convite para cinema, eu tive que recusar por conta do ex-namorado ciumento que me traía em aplicativos enquanto eu trabalhava para sustentar eu, ele e a casa

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– O dia mais feliz na terra não será quando a luz apagar dos seus olhos, vai ser quando a luz acender nos meus olhos

 

xoxo

8 de jun. de 2026

"((Nº135)Nº39))"

 


39

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– Hoje mesmo pensei no nobel, tinha 1 centavo na conta, bebia refrigerante em um copo de medidas, até os copos ele esconde, de todas as formas que uma pessoa consegue ser pobre: ele é pobre, quando ele chegar do outro lado, chegará nu, e será recebido pelo saco de gatos que matou, que lhe arrancarão a pele, e ele sentirá a dor que será só o mínimo; verá, que tinha o coração do tamanho de uma abelha
– Tá ocupada?
– Tô
– Vamo lá bater no Hugo comigo?
– Não

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– Como também há lugares para esconder dentro do corpo, eu abandonei meu sorriso; como não há nenhum lugar na internet que se saiba, onde eu possa expor o corpo sem me defender, eu abri mão da ilusão dessa liberdade, só eu é quem pago malas de dólares e ganho algumas moedas, aliás;
– Depois de mim, que é no começo a produção de mim, nem isso me sustenta boiando na enchente, ele, bonito demais, passa a não mais conversar comigo, começa a ser entrevistado, e depois, pior, começa a fazer o "favor" de responder, e o pior é que, nem sei se é o pior, é que hoje eu já percebo esse movimento muito mais cedo, e é melhor assim, não correr o risco de ir até ele e mostrar o que há de mim sem produção, porque onde há movimento o tempo todo não há produção, e é onde a vida é feia, por isso eu decidi me afastar da vida por uma semana, afastar-me do jeito que eu a conheço
– A reputação pode se ocultar, mas a conduta não é ilibada, a natureza humana não é ilibada, e tampouco a sua consciência;
– E então eu já chego à tal determinada idade da vida, não é uma "certa" idade da vida, é "determinada" idade da vida, pois se em um momento “qualquer” da vida você estipula casa, estipula marido, quando você "determina" a vida, a vida é errada
– Você sim, consegue perceber a idade, o que o tempo fez com você, mas o terror é tanto, que o corpo se defende dessa lástima e, mesmo naqueles momentos em que você percebe, logo você rebate, achando que sua inteligência, sua cultura, seu nível intelectual, sua negligência, sua maturidade seletiva e principalmente seu dinheiro, é triste, mas sobretudo seu dinheiro, compensa o rosto, o corpo e os dentes que você não reconhece e não quer reconhecer
– Você não quer juntar velhice; o fato de ter prosperado merece um casaco de general cheio de anéis, e isso significa um garoto vinte anos mais jovem e, sim, eles aparecem, é só mima-los com coisas caras, se o sexo que você oferece não for bom o bastante, eles tem muitos amiguinhos por aí que resolvem isso; até que vocês puxam o barbante até o final, e lá vocês se encontram muito bem vestidos na praia para se casarem, com as testemunhas compostas com aquelas famílias fraturadas, que sorriem só com a metade do rosto, parecem estar ali fazendo um favor, são famílias esburacadas, se não são de coração são de alma, de A ou B, ou ambos, já que ao inventarem a palavra “alma”, pretendiam se referiam ao melhor do ser humano, mas nesses tempos, parece que a alma ainda não chegou lá, não é mesmo? Um tio solta um pensamento no ar:

– Que situação... Sempre foi um menino escandaloso, minha irmã deve estar morta de vergonha... Deus me livre aparecer alguém conhecido por aqui, Será que vai ter troca de aliança? Beijo? Eu não vou sair em foto nenhuma! Vou pegar minha mulher e ir embora na ponta dos pés!

– É sempre assim, o novinho que não é lá tão novinho, levou tempo, mas você descobriu que ao invés de dezenove ele tem trinta, bem para algumas pessoas, a boa genética fomenta a prática desse tipo de enganação; o novinho vê a grossa aliança de ouro e o primeiro pensamento é vendê-la; os pedidos quando se fecha os olhos antes de se dizer “sim” no altar? O velho quer amor e quer casa, o novinho quer dinheiro e quer casa, na realidade, aquela que se está atrás do para-brisa, o que ele quer é a sua morte e que seja rápida, para ficar com tudo o que você tem, para aí sim, ter a oportunidade de casar por amor; por enquanto, sejam felizes! Felizes? Ou melhor: aproveitem o quanto dure

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– Quando vou fechar o plano, você abre esse sorrisinho sacana, veste esse shortinho minúsculo, de putinho fácil, parece que só tem esse, quando vou cancelar o plano, você faz uma cara de cu e pergunta o meu nome, como se eu não tivesse nome, mas você sabia meu nome, você não merece sentar nessa cadeirinha, você merece ter nascido em Ruanda, merecia estar lá, lá não tem São Paulo para você migrar, o inferno está apertando, a ereção começa a ficar mais difícil, e acho que é melhor assim, sabe de uma coisa? Eu nem lembro da última vez em que um homem me abraçou, é tudo tão rápido, dura minutos, tanto que aprendi com eles para fazer com os outros, não porque eu também quis ser ruim, é porque eu não vejo mais relações entre homens que não são mais vazias assim, e nós aprendemos o que vemos
– "Quem não deve, também teme", vi hoje essa frase com letras garrafais pintada na lateral de um prédio aqui em Pinheiros, eu tinha acabado de sair da estação Faria Lima, e o prédio ficava em uma rua quase na esquina com a Avenida Faria Lima, o contexto é sempre implacável, naquela Avenida, todos os que devem, nada temem, e você, não se atreva a dizer o contrário, "Quem não deve, não treme", será que essa faz mais sentido?

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– Muitas vezes, ao abrir os olhos, não se trata de um dia de vida, pois se não é vida para todos, se é morte para muitos, então é problemática, ou então é ignorar a morte cegamente até que ela surpreenda, mas o que ela implica não é só um buraco, é um abalo sísmico, e ante a morte do vizinho, as senhoras budistas começam a chegar, uma a uma, sempre muito sorridentes, para mais uma reunião, mais uma "celebração" da vida, ou uma renovação de energia e paciência para continuar aturando os maridos; o jovem vizinho da casa em frente morre de enfarto em uma cidade do interior do estado, ofereceram muitos trabalhos de corridas de aplicativos por lá, mas ficamos sabendo há casal de dias atrás que ele foi encontrado morto na casa onde estava, ele tinha uns vinte e cinco anos e nós já sabemos o que mata jovens de enfarto, não é mesmo? Claro que soube que alguns vizinhos disseram coisas desagradáveis, maldosas, apenas por hábito, mas e a memória, e os votos pelo descanso? Onde ficam? Em nosso tempo mais e mais certas palavras se tornam "ofensivas", caem em desuso, assim como a palavra "cadávil" evolui para "cadáver"
– Só três atletas tem direito à última tentativa nas provas de campo nas etapas da Diamond League de atletismo agora, não? E nos outras que ficam de fora, pintam com um lápis preto grosso uma lágrima em cada olho, um risco que sai do ângulo do olho e vai quase até a mandíbula; eu, eu mesmo, raramente ficava entre os três melhores, e não tinha lápis preto escuro nenhum para desenhar as lágrimas, depois de ouvir risos após gritar ao soltar o dardo da mão para ajudá-lo a ir mais longe, eu tinha medo por não saber por que riam, nunca soube e eu engolia um vômito escuro no lugar

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– O sete de junho mudou meu aniversário, a luz da lâmpada me faz ajustes importantes, a luz do sol me traz de volta alguém que eu nem lembro, mas até me orgulho; pena que todo dia vira noite
– Se eu aceito qualquer um daqueles que eu chamo de lixo só por causa da porcaria pesada que eles tem a me oferecer, então o lixo sou eu, não eles, não entendo porque demorou tanto para eu perceber; quando o absurdo acaba, quando se percebe quantas colheres de sopa de açúcar foram colocadas naquele café curto, você percebe que ligar um ponto ao outro, no caso você, em condições muito ruins, desde a sua casa, requer esforço, força de vontade, coragem, mesmo não havendo físico, não havendo psicológico para isso, e você só tenta porque o ponto de partida já se tornou insuportável, não é o corpo que vai, é a alma que puxa, quando não funciona ela empurra, mesmo eu sendo ateu, mesmo eu não acreditando, não sabendo, e não podendo descrever, desenhar a alma, talvez não seja nada, só um nome, mas ás vezes sim, algo além do meu corpo, às vezes me move
– Ligar um ponto ao outro? Parece fácil? Você já pensou nos seus trajetos diários? Da sua casa até o trabalho? Ao ensino? Os caminhos que escolhe? Quanto tempo leva? E quando volta? São os mesmos? Como você sobe uma escada? Sobe do jeito mais saudável? Mais rápido? Bem, são perguntas que ouço muito na área em que atuo profissionalmente enquanto não me torno best seller ou músico relevante; slogan como "ajudamos você a ligar um ponto ao outro da melhor forma possível", parece fácil? Não, é bem difícil, importar uma carga da Conchinchina e entregar no destino final aqui no nosso país, dá um trabalho do c******! E para ligar esses dois pontos, costumamos aplicar conceitos como melhoria contínua e otimização de processos

v

– Existem pontos onde eu não quero chegar, mas o ponto onde eu estou é mil vezes pior

 

xoxo


25 de mai. de 2026

"((Nº135(nº38))"


38

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- Daniel?
- Presente
- Fabiano?
- Presente
- Maria?
- Presente
- Angústia de fragmentação?
- Pânico-like?
- Presente
- Presente
- Presente...
- Danilo?
- Presente
- Aline?
- Presente
- Anastácia?
- Presente
- Postura sorumbática?
- Presente
- Belle indifference?
- Presente

v

- Meu amor foi embora, mas a carteira ficou, a piroca boa foi embora, mas o celular eu escondi, mandou uma carruagem para eu ir resolver seu problema, mas tive que ir embora de bonde-caveira, com direito à escala em Campos do Jordão, bem na noite em que previu-se um frio de -3, vestido com uma roupa fina toda furada, fui maltratado por todos no caminho, ou eu dormia no caminho ou eu escondia meu pênis inchado, e que coisa, Manauara, que coisa, toda vez que você usa uma imagem com drogas para me atrair até você, é porque até você sabe que, por si só, você não atrai ninguém sem elas, e o pior, as fotos das drogas sempre são temporárias, e não porque você tem vergonha delas, é porque você é contra elas e contra quem as consome, você é mais um conservador hipócrita, que odeia tudo o que secretamente, você também é, e o pior, da última vez que eu vi aquela foto porosa que você me mandou, eu percebi que se tratava de uma ratoeira; não se morre lá dentro, mas é difícil sair, e se for pra ser rato, eu prefiro queijo, queijo, queijo, e o pior ainda: não se usa ponto final nesse texto
- O bebê foi embora, mas a barriga ficou; um dia chegou, outro dia foi-se, será que aquilo foi culpa minha também?
-Acordei em uma feira de coisas velhas-dentro dela umas crianças dentro de uma feira de maconha-sob um chão de bonecas mortas despedaçadas e sujas sorrindo pela metade-eu fiquei sem minhas chaves, mas algum Bonnie ficou sem o Clyde-olha o passo do canibalzinho, veja como ele é feinho...

v

- Andrea?
- Presente
- Cláudio?
- Presente
- Gustavo?
- Presente
- Mímica expressiva desanimada?
- Presente
- Predominância de ideias de ruína?
- Presente
- Otávio?
- Presente
- Sônia?
- Presente
- Regina?
- Presente
- Afetividade com ressonância diminuída?
- Presente
- Tônus afetivo diminuído?
- Presente
- Pragmatismo prejudicado?
- Presente
- A noite não convida para dormir, ela demanda, não se recusa o sono, se foge dele, faltou a voz gentil de uma mulher, a que me diria que era melhor sair para comprar sorvete e sairíamos para comprar sorvete, e então eu não compraria porcaria nenhuma, mas não havia mulher gentil nenhuma, e então eu não comprei sorvete nenhum, e então eu fugi do sono, e a noite foi uma porcaria
- Hoje, estou de frente para o museu do amanhã
- Será que vai ser hoje?
- Não, é só amanhã

v

- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- É queijo!
- É lixo!
- É doce!
- É lixo!
- Se eu tivesse a chance de vir ao mundo novamente, e tivesse alguns pedidos atendidos, será que seria o suficiente? Mesmo com essa manobra, será que, aquele ordinário e belo ser humano, que uma vez chamei pelo nome e sobrenome em uma descida ao inferno, prestaria atenção a essa minha segunda descida? Faria fazer sentido a ponto de eu gastar uma das minhas vidas em um jogo de azar? E o prêmio é um corpo, um corpo finito, e finita é a vida, you're the querido y finito, you're the querido, oh my corazón

v

- Minha cicatriz atriz, meu frango em frangalhos, minha junta Júpiter, minha apoteose a paula Tina mente, á tartaruga madrugo, tempão e embutido

                                                     

                                                              xoxo 

8 de mai. de 2026

Leia "((Nº135)Nº37)"

 



37

 

v

 

– E aquela língua enorme que sai do pescoço? Deveria sair pela boca...


v

 

– Aquelas câmeras que ficam dentro daqueles pequenos armários funcionam como armas de fragmentação, mísseis que liberam diversos drones baratos, são baratos, mas caros para se defender, acabam sendo muito eficazes 

– A minha aura é clara e a minha energia é leve, só precisa limpar, um pano sujo serve para limpar a fuligem 

 

v

 

– Cansado dos homens desse raio de dois quilômetros, só porque é sábado e todos os outros homens estão sendo felizes por aí, eu achei que eu também deveria; dos que tinham disponíveis no App, um lourinho muito bonito, que usa muleta no braço esquerdo, era a melhor opção, mas o que logo me ocorre? Eu não mereço ter um homem inteiro? Sem problemas em nenhum dos membros? Mas não era isso, a questão é que qualquer um servia, que eu deveria ir tomar banho passar meu perfume francês e me deslocar por um quilômetro até a casa dele só para receber sexo oral; mas não é isso que eu preciso, não é um simples abate que vai me fazer feliz, a felicidade vem com o toque, com o frio na espinha, aquela vontade de juntar os corpos e não querer parar; o App me oferece uma lista de homens que não me responderam e que eu me corresponderam, escrever corretamente afasta todos esses homens que não sabem escrever, não fazem questão de saber, e usam essa característica para me excliur, sou muito diferente deles, eu sou muito para eles; talvez não seja o lugar, talvez seja eu, e que eu preciso logo tratar de me acostumar a viver sozinho, mas aí, eu mato meu sonho original desde que me descobri gay: ser amado, e ser amado por um homem, a carreira de artista de rock? Era só para ser mais conhecido e conseguir um homem mais fácil, mas e agora que não vai mais ter homem nenhum? Que o sonho acabou? Já posso tratar de comprar um revólver e deixar de viver uma vida que é cada dia mais insuportável? Estou preso desde 2018, já são oito anos, tenho nojo de tudo nessa cela, cada objeto, cada móvel, cada enfeite, os guardas dormindo, a minha mãe dizendo coisas terríveis e me falta coragem de dizer na cara dela

– Às vezes você é um monstro!

– Aqui não tem lençol para se enforcar, nem Tereza para fugir, ano passado eu fiquei quarenta e cinco dias em condicional, esse ano mais trinta e um dias, e quando eu volto os cachorros me culpam, a culpa é sempre minha, quando eu cheguei no seu útero, eu fui colocado lá, eu nunca quis ir, nunca

 

v

– Aposto na sua breve morte, nesse momento aguardo a sua breve morte, a lei da causa e efeito funcionou para você? Parece que sim, eu não seria um ser humano tão cruel a ponto comemorar a que ponto você chegou e desse não sai mais; você está aí neste ponto para pagar por toda a maldade que fez comigo e decerto, com outros por aí; aguardo a notícia da sua morte como alguém sentado em um bote, em alto mar, resgatado do Titanic; por que não tentou colocar outra calota depois de tanto tempo em que a calota nova rejeitou? Provavelmente, ou para explorar o governo, ou porque os médicos te disseram que não é possível colocar outra; e aquele boy barato vagabundo que se vende por cem reais, valor baixo demais, e os que cobram isso, não tem muito a oferecer, ao final da "hora" do garoto, você disse que o chamaria para atender você e seu marido ao mesmo tempo, falava incisivamente na minha presença, para me diminuir; porém, com aquele moleque, seu marido aceitaria o ménage e sabe por quê? Porque ele não ofereceria competição, diferente de mim, que seu marido nunca quis por ter ciúmes, e tem porque eu sou diferenciado, e eu não era um boy em serviço, eu sempre fui a nossos encontros, você oferecendo quarto em motel e drogas, e eu fazia coisas que seu marido não faz. Porém, é melhor usar uma peneira mais grossa para tapar o sol, acha que aquele moleque vai se despencar da Aclimação até esse buraco, depois de ver que você ainda usa fotos antes do AVC no aplicativos, contando brevemente sobre situação, e quando o boy chega, você abre a porta em cima de uma bengala, e se apoiando sobre ela mancando como uma velha, o boy nota a sua cadeira de rodas, e por mais que você tente esconder, dá pra ver o estado da sua cabeça, o rosto muito envelhecido comparado às fotos do app, e o boy vendo você se arrastando pela cama feito uma lesma, apesar de você estar tão seguro naquele dia, há a atuação, aquele boy só fez o que pode para receber o dinheiro, e nunca mais você o verá. Eu tenho um nível de psicose sexual, a sua condição não era um problema, e embora ele já tenha me oferecido os mesmos cem reais, nunca aceitei, eram bons os nossos encontros, eram sim, mas infelizmente o seu mau caráter estragou tudo


 


v

 

– Após um pouco de raciocínio, um pouco de perspicácia e um pouco de inteligência, consegui ver uma luz no fim do túnel; após o elevador que peguei no fundo do poço, que me deixou em um subsolo que não sei se era o último, se estava perto ou tão perto do mais fundo, eu só sabia, eu só aceitava envolto a uma bruma, que eu não sairia de lá, é preciso muita força para o elevador subir 

– Além dos sonhos muito difíceis que eu estipulei para mim, poucos, mas muito difíceis, a ponto que só continuam vivos por causa de uma possibilidade mínima

– Eles fizeram mais que bullying, nunca precisaram fazer bullying e não precisam fazer bullying depois, e após tudo ter acabado, hoje, nove anos depois, quando todo mundo que era perfeito, ficou com a cara inchada, com olhos cansados, mas deixaram lixo pra trás, carregaram o cadáver, mas deixaram um pouco de sangue, sem a menor preocupação com a consequência 

– Me deixaram lá por nove anos, e a exposição não era o bastante, fizeram também legendas cruéis, que ameaçavam a minha segurança alimentar, retardaram a minha saída do cárcere, quiseram rasgar meu diploma; mas agora, tanto tempo depois, o crime está descoberto, talvez porque não existe crime perfeito, e agora, será que vou poder, eu mesmo rasgar meu diploma? Aquele canudo da tristeza? Só faltariam vinte anos para eu me aposentar, sei que nada será como antes amanhã...

– Esse bebê, esse bebê reborn que caiu no meu colo, eu vou cuidar muito bem, parece que ainda há tempo para sonhar 

 

v

 

– Eu esperava encontrar chocolates dentro da minha caixa de madeira onde tem um monte de cabelo meu, que eu mesmo cortei quando eu olhava para o espelho e me odiava tanto 

 

v

 

– Eu não consigo raciocinar, que a maior barata que tem no banheiro é maior do que eu, além das baratas muito jovens, que se parecem com formigas, mas são muito mais ageis, até que, nesse momento, não sei se as baratas muito jovens são três 

– Coloquei colocar na televisão da sala o filme "Quando eu era vivo" de 2012, baseado no livro "A arte de causar efeito sem causa", do Lourenço Mutareli, consegui arrastar minha mãe para a sessão, e ela até gostou, até saber que ela esperava que fosse acontecer alguma coisa, e no final não aconteceu nada; eu, dessa vez, fiquei interessado em saber mais sobre ocultismo 

– Sob os olhos do mundo, duas tenistas tiram foto uma do lado da outra em direção à arquibancada direita, depois viram-se para tirar foto de frente para a arquibancada esquerda, uma é do Cazaquistão e a outra é da China, aparece uma legenda na altura da barriga delas: "0% cocaína", as duas não se cumprimentam, dão as costas uma para a outra e vão cuidar da vida! Cuidar da vida!

 

xoxo


17 de abr. de 2026

"((Nº135)Nº36)"





36


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    - É de chorar, de desidratar, de se afogar, abrir os olhos e mais um se foi; eu adoraria ser cego, eu só não seria porque seria difícil escrever, se eu não escrevesse, eu adoraria; muito do que eu vejo, parte me dá nojo, parte me dá raiva


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    - Um mendigo pode ter um cachorro, eu não posso


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    - É possível ter esperança? De um futuro enfim próspero onde poderei viver com espaço, privacidade absoluta, um pouco de conforto onde se possa criar um cachorro feliz? A essa altura tenho medo por excesso de futuro ou tenho ansiedade pelo pouco dele que tenho? Em parte, também cabe a mim escolher, já estamos em abril, e a minha Sue Sue, a minha querida chu chu, já está ansiosa para saltar da tela para o papel, para sair dessa bolha e respirar os ares que merece, ares muito distantes daqui, desse ano não passa, embora o fato de termos ultrapassado um terço do ano me espanta, me acompanha um frio na espinha, hoje é sábado, ontem foi a sexta-feira do peixe, pra mim não faz sentido chamar de santa, eu não acredito em nada que é santo, sim, eu comi o peixe e, os finos filés de tilápia, por que não paramos com isso? O almoço se reduziu em três, eu (ateu), minha mãe (budista) e meu pai (crença indeterminada), onde um é desafeto do outro, uma páscoa em Isfahan; amanhã será o dia dos ovos de chocolate, nem galinha nem coelho põe ovo, eu comi meu ovo ontem de propósito, não me pergunte o que acontece com Jesus na páscoa, não me pergunte o que acho de uma religião em que os fiéis acreditam que um homem foi crucificado e depois ressuscitou; é impossível um homem ressuscitar, impossível! Como essas pessoas ficam cegas a tal ponto? Defender isso? Matar por isso? Há pessoas que afirmam que Jesus não foi crucificado coisa nenhuma, que ele fugiu para a Índia, quem está falando a verdade? Outras pessoas afirmam que Jesus sequer existiu..; e quanto a Bíblia? Aquele instrumento de manipulação que a igreja usa há milhares de anos como fonte de difusão, de medo e ódio contra qualquer um que vá contra todas aquelas histórias fantásticas, aquela miséria impraticável, um homem abrir uma fenda no mar para alguns velhinhos de bengalas passarem, isso não é escandaloso o suficiente para que essas pessoas tão pobres de recursos, também sejam tão pobres de raciocínio para perceber que algo está muito errado? Eu não sabia, juro que não sabia que as igrejas evangélicas tem CNPJ no Brasil; falar sobre aborto é um peso que não estou podendo carregar, e uma energia que não estou podendo gastar


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    - Eu sou tudo o que minha mãe sempre quis, um cachorro que não cresce


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    - Virou o ciclo e eu perdi a juventude, virei um monstro de cem anos vagando pela noite, identificado por uma lanterna no rosto por alguém encucado pela minha presença estranha rondando, e horrorizado com o que a luz mostra; no outro dia, minha mãe teve de procurar a didática para explicar que não virei o ciclo assim, que somente a aparência dentro de mim aflorou para o lado de fora, por fim, na luz do dia, preferi passar por dentre as nuvens pretas usando um capacete, ouvir a primeira música desse nesse deste novo ciclo? Acabei escolhendo "It's A Beautiful Day" do Pizzicato Five, sim são japoneses, é possível ser adulto e parar de odiar todos os japoneses só porque uma japonesa me fez mal? Eu não odeio chineses, apenas muitos deles; repeti "Adam Lives in Theory", não abri o App, e decidi não abrir mais, esse aplicativo é um jogo, e um jogo que vicia, onde você se oferece, oferece, e tem uma fração de respostas, os que entram em contato comigo parecem meme de feiúra, esses é o que tenho de aceitar? Será que sou tão feio quando eles? Depois de muito scrolling, na maioria das vezes fico sozinho, na maioria das vezes sou desmerecido, uma ou outra vez sou buscado em casa, para um encontro frio, rápido e que nunca mais se repetirá, será que é porque preciso emagrecer, ou porque aparento mais velho do a idade informada? Porém, eu parecia muito melhor do que aqueles dois últimos homens

    - Parecia certo que ao comprar cocaína de boa qualidade e boa quantidade, assim que recebesse dinheiro em breve, eu o usaria para isso; porém, eu tenho algum lugar no mundo para fazer isso em paz? Ficar nu em paz? Não, não tenho, aqui nessa casa onde vivo tem câmera no meu quarto, e quem pôs fez questão que eu soubesse que tem, e isso se chama terrorismo, ele faz isso porque não tem vida, por isso se empenha tanto em rastrear a vida dos outros, hackeia minha mãe e eu por ter uma vida vazia e por ainda achar que eu e minha mãe pertencemos a ele; mesmo com intensa vontade, não esqueci da cocaína, mesmo não querendo mais ter plateia nas minhas intimidades, além da câmera no meu quarto, o meu vizinho da janela da janela da frente consegue me ver nu pela minha janela de alumínio repleta de furos, não sei como; além do mais cansei de mandar imagens inadequadas para os meus contatos e depois entrar em App, jurando que não iria, e mandar minhas fotos estranhas para todos os homens daquela constatação, lamentação, já no caminho da descendente rumo à morte; eu plenamente sóbrio, há uma câmera escondida na sala de estar, nos armarinhos dos dois banheiros, e no meu quarto, por essa eu não esperava; paciência tem limite, nem mais um dia aqui


v


    - Sim, eu finalmente peguei novamente a minha apostila de Ucraniano, vou retomar essa noite. Dessa noite não passa. O Duoligo insiste tanto para eu voltar, provavelmente porque eu já paguei pelo curso
    - About a Boy: bem, escolher a opção certa, de viver sozinho SEM precisar de um homem, é uma realidade que persigo há anos; o desespero é algo que transparece, a pressa também transparece, e outros homens percebem, quando você é um bosta, os caras vão te olhar como bosta, é o que tiver ao psiquiatra, conto o que acontece na sociedade, eu olho para um belo homem, mas ao mesmo tempo eu me ponho no lugar dele, e se estivesse no lugar dele, eu diria não para o Hugo, se eu diria não no corpo dele, é porque eu continuo não me aceitando, e essa auto rejeição, é um muro de concreto tão alto que eu não reúno forças mínimas para atravassar, há pessoas na Internet que prometem ter a fórmula mágica para escalar, passa-lo sem uma escoriação sequer, mas será crível começar um processo assim? E depois? Terei envelhecido mais três anos? Quando eu finalmente me aceitar, a psiquiatria vai cuidar das minhas rugas? Dos meus cabelos finos e brancos caindo dia após dia? Da perda progressiva da minha visão? Da demência que não vou escapar porque um psiquiatra passou a batata quente para o outro de fazer o meu desmame de ansiolíticos? Ou de nada disso acontecer porque ao invés de comprar aquela roupa bem cara, vou comprar um revólver antes como "passaporte"? O lugar me dá nojo, a pessoa me dá nojo, mas é preciso lembrar que eu não sofro contaminação, que eu não sou nojento


v


A vida é como tudo na vida
Começar bem
E acabar mal

xoxo




3 de abr. de 2026

"(Nº135)Nº35)"

 



35


v

-- Eu não vou comer a carne, tampouco chupar a linguiça
- O garoto louro? Também faltou, e não trouxe atestado, e é melhor que seja assim, ele não embarcar, nem partir comigo
- Eu sim fui convidado para entrar naquele carro branco e, secretamente, mesmo na sua condição de empoderada, você também adoraria entrar
- Como pode um lugar chamar Vila Nova York e ter uma fábrica de cuba? Bem, faço aniversário no mês que vem, a única coisa boa? Sugerir o presente aos velhos; do lado da empresa que eu TRABALHAVA, ficava uma fábrica de cuba! Juro, e eu quero ter a imensa cara de pau, de ver o meu pai chegando na sala, me ver com as pernas cruzadas "Igual ao Silvio Santos", como ele mesmo diz, e perguntar "O que você quer de presente de aniversário?", vou olhar bem nos olhos dele, usar uma voz que não uso na vida real e dizer "Uma cuba!", realmente quero ver a feição de indignação e surpresa daquela cara grossa
- Se eu dei outras opções? Lógico! Pode ser outra gata ou uma réplica idêntica à da estátua da Huihui (a mesma que está na China)
- Nova York e não tem UM prédio sequer
- O que tinha muito naquele inferno de lugar era desmanche! Eu fiquei indignado, humilhado e a minha história que construí em todos esses ANOS, neste ramo desgraçado! Que eu odeio! Nessa PROSTITUIÇÃO, nessa área que me fez conviver com pessoas horríveis, HORRÍVEIS, MONSTROS, pois, ter chegado até aqui, olhe, nem vou me prolongar, melhor roteirizar, gente, eu nem sabia que existia desmanche de carro velho! Pois foi ali, no meio daqueles carros em estado realmente assustadores, que eu finalmente superaria Nana Gouveia e faria um ensaio melhor que o dela posando no meio daquelas carcaças queimadas


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- Eu não posso mais me oferecer para visitar um homem menos másculo ainda do que eu, uma bicha que mente para me encher de adjetivos que eu sei que eu não tenho (Slam + o mais artificial do radiante), disse a ele que eu ia fazer coisas que normalmente não faço, até que todos os adjetivos que ele me deu, simplesmente desmoronaram, as coisas inteligentes que eu dizia sofreram uma implosão, um razoável terremoto, ele cuidou da minha substituição com uma competência invejável, tinha aplicado SLAM, e disse na minha cara que estava cansado e precisava dormir, conseguiu dizer duas mentiras ao mesmo tempo, foi escroto, era escroto, é o pior tipo de homem que existe. É por isso que não se deve usar drogas modernas, elas te fazem uma pessoa pior do que você já é, obrigado, boa morte


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- Eu não desejaria, mas não me oporia que o banho o derretesse

- Eu já sei como o cracudo vai morrer, vai ter cinquenta anos, usuário de drogas, em situação de rua, em uma zona de baixada; em uma enchente, ele será levado pela correnteza até parar em um monte de lixo, afogado

- E você? Já sabe como seu ex-namorado vai morrer?

- E aquele outro? Já entrou com o pedido de recuperação anal?

v

"A Vida Pela Metade" um conto de Hugo Guimarães

Em uma segunda-feira terrível, no banco, finalmente é chamada a senha da sra. Zhao para falar com o gerente

Gerente: Infelizmente só foi aprovado este valor para o seu crédito imobiliário
Zhao: Mas é a metade do que eu preciso para o financiamento
Gerente: Talvez a senhora deva reconsiderar seus planos

Na imobiliária, responsável pelo apartamento que Zhao pretende comprar, dois corretores ficam de plantão, Gilda e Carlos, na hora em que Zhao toma um ônibus para visitá-los, Gilda dorme sobre os braços em cima da mesa, e Carlos fuma um cigarro dentro da sala

Quem vê uma chinesa dentro do ônibus com uma cara tão boazinha, não imagina o filme dentro daquela cabecinha;

"É tão bonitinho aquele apartamento, né? Parece a muralha favelada! Mais bonito do que qualquer coisa na China, né? Trabalhei feito uma cachorra nesse país de merda, cheio de gente vagabunda, para quando eu precisar comprar um imóvel para cair morta, aquele gerente analfabeto negar o meu financiamento, que merda porca... trabalhei tanto... não é justo, não estou velha, não tão velha, eu quero e vou pagar aquela porcaria!"

Toca o interfone da imobiliária

Gilda acorda com um susto e um berro, Carlos dá uma cuspida
Gilda: Será que é a chinesa?
Carlos: Só pode ser
Gilda se levanta e desamassa a saia
Carlos se levanta e ajeita o pênis para a esquerda
Gilda e Carlos tapam os ouvidos, Zhao toca a estridente campainha, os corretores tremem e fazem careta, Carlos tira um sorriso do cu e abre a porta
Carlos: Como vai, sra. Zhao?
Zhao: Vou como posso...
Carlos: Pois sente-se! Quer um café?
Zhao: Não tem chá?
Carlos: Só de cadeira e de sumiço
Zhao: Então serve uma água gelada para aguentar o inferno
Carlos: Os seus conterrâneos ficam poluindo o mundo, agora aguente esses quarenta graus que está fazendo
Zhao: aquele arrombado daquele gerente do banco só liberou metade do meu financiamento
Carlos: compra só a metade!
Zhao: ué, mas eu quero o inteiro!
Carlos: mas se a senhora só pode pagar a metade, por que não compra só a metade?
Zhao: E pode?
Carlos: Dá-se um jeito

Em casa, Zhao ainda ouve música em micro system, em CD, cozinhava lámen enquanto ouvia uma compilação de sambas enredo, falava sozinha;
- O que tem de bom nesse país é samba e poder ser sapatão em paz, ainda bem que consegui sair da velha China cedo o suficiente antes de ser pressionada para casar, pior ainda seria ter filhos, tenho horror à criança catarrenta!
Zhao nota o telefone chamando, olha para ele e vê o número do corretor, diz para o telefone;
- Quer ver que esse bosta não pode me financiar nada por causa dos meus sessenta e seis anos?
Zhao: Pois não...
Carlos: Boa noite, dona Zhao!
Zhao: Boa
Carlos: Podemos visitar o apartamento amanhã?
Zhao: Visitar? Mas nós já não o visitamos?
Carlos: Sim, mas para a proposta que vou te fazer é preciso visitar de novo

Carlos desliga o telefone, estava com Gilda, no boteco mais barato da região
Carlos: Mas que mulher amarga!
Gilda: Amarga e meia!
Carlos: Espero que esteja mais bem-humorada amanhã...
Gilda: Carlos, você acha mesmo que vai conseguir vender meio apartamento para ela?
Carlos: Claro que sim!
Gilda: E por que você não me diz como? Lembra que é cliente minha e que vamos dividir a comissão
Carlos: Por isso mesmo que não te digo, para você não estragar tudo com o seu pessimismo
Gilda então, ao invés de dizer, olha para o ceu e pensa;
- Estranho o banco ter concedido metade do valor, que é um bom valor, financiado em trinta anos a uma mulher de sessenta e seis anos... que irá quita-lo aos noventa e seis... mesmo se tratando de uma oriental que vive muito, ele nunca teria de fato a sensação de posse, eu financiaria no máximo em trinta dias
Trinta minutos vezes três, o tempo em que Gilda triste... leva no transporte público via férrea para chegar em casa
Trinta colheradas, é o que Gilda leva para jantar sua comida enlatada, e olhar com medo para sua balança de chão

No dia seguinte, Carlos e Zhao dão entrada no prédio onde fica o apartamento onde a velha mulher pretende passar seus últimos dias. Zhao não tem cara boa, como na maioria do tempo, quando adentram o apartamento, a chinesa leva um susto;
- Esses móveis ainda estão aqui??
- Sim, estão! A senhora não gostaria de ficar com eles?
Zhao empina um rompante passeia pelo estar, analisa os móveis, a cara até melhora um pouco;
- Sim, eu gostaria de ficar com eles! - finalmente saiu um sorriso daquela inchada cara amarela!

Cozinhando outro lámen, logo mais à noite, Zhao recebe uma ligação de Carlos;

Zhao: O que quer?
Carlos: Compareça cedo amanhã ao imóvel!
Zhao: Para quê?
Carlos: Ora, você não quer morar nele?
Zhao: Ué, mas já mudo amanhã?
Carlos: Amanhã tomará posse!
Zhao: E qual a diferença?
Carlos: Você vai descobrir
Zhao: Levo mudança?
Carlos: Leve! Leve tudo!
Gilda: Olha, isso vai dar uma confusão dos infernos!
Carlos: Você vê outra forma de entregar pela metade do preço?
Gilda: As partes concordaram?
Carlos: Claro
Gilda: E a verba está onde?
Carlos: Com a imobiliária, é claro
Gilda: Então trate de desviar a nossa comissão logo
Carlos: Eu fiz mais que isso
Gilda desliga o telefone, vai até a janela do apartamento e dá um berro


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- O inferno astral, que cessa daqui a doze dias, quando faço aniversário de novo, tenho planos que se inicie um ceu astral diferente; os piores seres humanos do sexo masculino, e sendo eles todos gays, eu acreditava ser uma questão dessa vizinhança asquerosa, mas eu estava errado, nas últimas duas vezes em que fiz sexo, na primeira vez fui expulso, na segunda vez fui humilhado, e ainda por cima por um sujeito com a cabeça amassada, que tem quarenta e oito anos, mas aparenta sessenta, mal consegue se sustentar em pé, metade dos membros estão comprometidos, algumas pessoas, parecem nunca ter levado um banho de realidade e quem você pensa que é? Você é insignificante, nem mais nem menos, nunca mais é pouco pra você, parecia radiante diante da oportunidade de me humilhar, e quando o fez, raspou a panela, lambeu o que caiu no chão, mas quer saber? Não fiquei nem vinte e quatro horas com ódio, nunca mais você vai encontrar outro igual a mim para humilhar, humilhante é você e o que o espelho te devolve, você consegue ser um monstro por dentro e por fora, você só consegue chupar um pau pagando e não por muito tempo, você virou o monstro que é por causa do abuso de drogas, e logo vai morrer por causa do abuso ainda mais intenso delas que pratica hoje, ou você pensa que o vigarista que dorme na sua cama gosta de você? Ele só continua porque é confortável, porque está só está esperando você morrer por conta do seu abuso para ficar com tudo o que você tem, algo tão flagrante, que só você e seu QI de chimpanzé não conseguem perceber; virando o inferno astral, eu colocarei o sexo na classe dos vícios, e os vícios são mazelas, um homem da minha idade, que toma os psicotrópicos que tomo, tem uma libido baixa, eu não preciso de sexo, porque percebi que tenho feito sexo para agradar os outros, e quem agrada à mim? É só uma questão de deixar a fissura passar, a ereção também passa rápido, é só esperar ela passar, e assim evita-se encontrar mais um homem gay totalmente desprovido de caráter, será que é possível perseguir uma meta de ficar pelo menos um ano sem sexo? Posso, eu posso, é uma questão de desmoronar todas as peças do lego e ver que é possível reorganizar a construção dos sonhos excluindo as peças que se referem aos homens e ao amor romântico; e a cachorra Olivia? Que me recebeu tão bem? Ela sim é o ser provido de coração e afeto naquela casa, não você, que vai aplicar SLAM no banheiro e volta parecendo Mr. Jekyll e Dr. Hyde, esse era o Ed, da Praça da árvore, que apesar de longe desse pântano, era um Macunaíma, não tinha nenhum caráter; eu prefiro perseguir uma medalha olímpica, pensa que é tarde? Mas não é, há sempre horizontes a serem descobertos quando a fumaça preta cessa


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- Hoje o homem vai voltar a lua, e quem vai para o centro da terra?

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- Não ter a sensação de estar vivendo a vida, não notar a presença da vida, significa estar "moralmente" morto; é possível viver quando se é dado a bênção de trabalhar com o que gosta, ser livre, o que inclui: sair de um ambiente familiar onde existe assédio moral, violência, medo, hackeamento... inclui ter uma vida sexual saudável e até poder ter um relacionamento, comprar uma arma e poder usa-la no momento certo


xoxo