8 de mai. de 2026

Leia "((Nº135)Nº137)"

 



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– E aquela língua enorme que sai do pescoço? Deveria sair pela boca...


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– Aquelas câmeras que ficam dentro daqueles pequenos armários funcionam como armas de fragmentação, mísseis que liberam diversos drones baratos, são baratos, mas caros para se defender, acabam sendo muito eficazes 

– A minha aura é clara e a minha energia é leve, só precisa limpar, um pano sujo serve para limpar a fuligem 

 

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– Cansado dos homens desse raio de dois quilômetros, só porque é sábado e todos os outros homens estão sendo felizes por aí, eu achei que eu também deveria; dos que tinham disponíveis no App, um lourinho muito bonito, que usa muleta no braço esquerdo, era a melhor opção, mas o que logo me ocorre? Eu não mereço ter um homem inteiro? Sem problemas em nenhum dos membros? Mas não era isso, a questão é que qualquer um servia, que eu deveria ir tomar banho passar meu perfume francês e me deslocar por um quilômetro até a casa dele só para receber sexo oral; mas não é isso que eu preciso, não é um simples abate que vai me fazer feliz, a felicidade vem com o toque, com o frio na espinha, aquela vontade de juntar os corpos e não querer parar; o App me oferece uma lista de homens que não me responderam e que eu me corresponderam, escrever corretamente afasta todos esses homens que não sabem escrever, não fazem questão de saber, e usam essa característica para me excliur, sou muito diferente deles, eu sou muito para eles; talvez não seja o lugar, talvez seja eu, e que eu preciso logo tratar de me acostumar a viver sozinho, mas aí, eu mato meu sonho original desde que me descobri gay: ser amado, e ser amado por um homem, a carreira de artista de rock? Era só para ser mais conhecido e conseguir um homem mais fácil, mas e agora que não vai mais ter homem nenhum? Que o sonho acabou? Já posso tratar de comprar um revólver e deixar de viver uma vida que é cada dia mais insuportável? Estou preso desde 2018, já são oito anos, tenho nojo de tudo nessa cela, cada objeto, cada móvel, cada enfeite, os guardas dormindo, a minha mãe dizendo coisas terríveis e me falta coragem de dizer na cara dela

– Às vezes você é um monstro!

– Aqui não tem lençol para se enforcar, nem Tereza para fugir, ano passado eu fiquei quarenta e cinco dias em condicional, esse ano mais trinta e um dias, e quando eu volto os cachorros me culpam, a culpa é sempre minha, quando eu cheguei no seu útero, eu fui colocado lá, eu nunca quis ir, nunca

 

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– Aposto na sua breve morte, nesse momento aguardo a sua breve morte, a lei da causa e efeito funcionou para você? Parece que sim, eu não seria um ser humano tão cruel a ponto comemorar a que ponto você chegou e desse não sai mais; você está aí neste ponto para pagar por toda a maldade que fez comigo e decerto, com outros por aí; aguardo a notícia da sua morte como alguém sentado em um bote, em alto mar, resgatado do Titanic; por que não tentou colocar outra calota depois de tanto tempo em que a calota nova rejeitou? Provavelmente, ou para explorar o governo, ou porque os médicos te disseram que não é possível colocar outra; e aquele boy barato vagabundo que se vende por cem reais, valor baixo demais, e os que cobram isso, não tem muito a oferecer, ao final da "hora" do garoto, você disse que o chamaria para atender você e seu marido ao mesmo tempo, falava incisivamente na minha presença, para me diminuir; porém, com aquele moleque, seu marido aceitaria o ménage e sabe por quê? Porque ele não ofereceria competição, diferente de mim, que seu marido nunca quis por ter ciúmes, e tem porque eu sou diferenciado, e eu não era um boy em serviço, eu sempre fui a nossos encontros, você oferecendo quarto em motel e drogas, e eu fazia coisas que seu marido não faz. Porém, é melhor usar uma peneira mais grossa para tapar o sol, acha que aquele moleque vai se despencar da Aclimação até esse buraco, depois de ver que você ainda usa fotos antes do AVC no aplicativos, contando brevemente sobre situação, e quando o boy chega, você abre a porta em cima de uma bengala, e se apoiando sobre ela mancando como uma velha, o boy nota a sua cadeira de rodas, e por mais que você tente esconder, dá pra ver o estado da sua cabeça, o rosto muito envelhecido comparado às fotos do app, e o boy vendo você se arrastando pela cama feito uma lesma, apesar de você estar tão seguro naquele dia, há a atuação, aquele boy só fez o que pode para receber o dinheiro, e nunca mais você o verá. Eu tenho um nível de psicose sexual, a sua condição não era um problema, e embora ele já tenha me oferecido os mesmos cem reais, nunca aceitei, eram bons os nossos encontros, eram sim, mas infelizmente o seu mau caráter estragou tudo


 


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– Após um pouco de raciocínio, um pouco de perspicácia e um pouco de inteligência, consegui ver uma luz no fim do túnel; após o elevador que peguei no fundo do poço, que me deixou em um subsolo que não sei se era o último, se estava perto ou tão perto do mais fundo, eu só sabia, eu só aceitava envolto a uma bruma, que eu não sairia de lá, é preciso muita força para o elevador subir 

– Além dos sonhos muito difíceis que eu estipulei para mim, poucos, mas muito difíceis, a ponto que só continuam vivos por causa de uma possibilidade mínima

– Eles fizeram mais que bullying, nunca precisaram fazer bullying e não precisam fazer bullying depois, e após tudo ter acabado, hoje, nove anos depois, quando todo mundo que era perfeito, ficou com a cara inchada, com olhos cansados, mas deixaram lixo pra trás, carregaram o cadáver, mas deixaram um pouco de sangue, sem a menor preocupação com a consequência 

– Me deixaram lá por nove anos, e a exposição não era o bastante, fizeram também legendas cruéis, que ameaçavam a minha segurança alimentar, retardaram a minha saída do cárcere, quiseram rasgar meu diploma; mas agora, tanto tempo depois, o crime está descoberto, talvez porque não existe crime perfeito, e agora, será que vou poder, eu mesmo rasgar meu diploma? Aquele canudo da tristeza? Só faltariam vinte anos para eu me aposentar, sei que nada será como antes amanhã...

– Esse bebê, esse bebê reborn que caiu no meu colo, eu vou cuidar muito bem, parece que ainda há tempo para sonhar 

 

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– Eu esperava encontrar chocolates dentro da minha caixa de madeira onde tem um monte de cabelo meu, que eu mesmo cortei quando eu olhava para o espelho e me odiava tanto 

 

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– Eu não consigo raciocinar, que a maior barata que tem no banheiro é maior do que eu, além das baratas muito jovens, que se parecem com formigas, mas são muito mais ageis, até que, nesse momento, não sei se as baratas muito jovens são três 

– Coloquei colocar na televisão da sala o filme "Quando eu era vivo" de 2012, baseado no livro "A arte de causar efeito sem causa", do Lourenço Mutareli, consegui arrastar minha mãe para a sessão, e ela até gostou, até saber que ela esperava que fosse acontecer alguma coisa, e no final não aconteceu nada; eu, dessa vez, fiquei interessado em saber mais sobre ocultismo 

– Sob os olhos do mundo, duas tenistas tiram foto uma do lado da outra em direção à arquibancada direita, depois viram-se para tirar foto de frente para a arquibancada esquerda, uma é do Cazaquistão e a outra é da China, aparece uma legenda na altura da barriga delas: "0% cocaína", as duas não se cumprimentam, dão as costas uma para a outra e vão cuidar da vida! Cuidar da vida!

 

xoxo


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