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– E você qual o seu nome?
– Sabrina
– Pois bem, já que não preciso de uma coisa que
não para quieta, é melhor uma que fica escondidinha lá sob os pelos
– Aprendemos, aprendemos e aprendemos e
seguimos subtraídos na nossa moral
– A hora de recuar está disponível, é só ter o
raciocínio de que a opção do homem moderno, de viver uma vida satisfatória,
sozinho criando gatos, é vantajosa, pelo menos do ponto de vista vascular, é;
do que ter um relacionamento podre, com um homem podre, que vai te trocar por
outro por uma vantagem qualquer, nem se trocam mais por outra pessoa
– Sexo? Sexo se faz com a própria mão
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– Foi uma pena, mas uma de ganso, pelo menos de
pata, eu diria
– Certa vez passei vinte e quatro horas com um
homem, que contava quatro anos a mais de idade do que eu, além de muito prazer
carnal, também trocamos muito cultura, e eu me senti tão bem naquela rara
oportunidade, de mostrar minha cultura, em diversas áreas do conhecimento, e
não obrigação, mas por curiosidade para com o mundo; o homem também tinha muito
conhecimento, mas me parecia que o conhecimento só era, sobretudo, interessante
se o traria desenvolvimento financeiro; no que eu discordava, eu preferia me
calar
– De qualquer forma, o que fizemos ali foi
amor, creio piamente, você discorda? É por discordar de relacionamentos de
pessoas do mesmo sexo, de odiar pessoas trans, é que você deixa de cuidar da
sua vida, não é? E o seu relacionamento hétero corretíssimo, acaba em os piores
tipos de assassinatos, não é verdade?
– Pois bem, eu e o André, quando não estávamos
copulando, estávamos conversando sobre o desenvolvimento da Etiópia, até que
fomos embora
– Pois mal, um dia depois, André me disse que
estava com câncer, e que tinha pouco tempo de vida; honestamente, achei que ele
estivesse mentindo, que só estava me dispensando porque eu não gostar de tomar
banho e por mentir a idade; aceitei, não era a primeira vez que eu era
dispensado; porém, por acaso, ao ver a foto do WhatsApp dele e me assustar, lá
estava o convite para a missa de sétimo dia do André, que seria em 27 de
outubro
– Morreu-se a cultura
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– Uma vez comprei dois jalecos
– Não, nunca fui médico
– Comprei para ser auxiliar de necropsia
– Por bem, não fui nem uma coisa nem outra
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– A determinação de fato é determinação quando
ela se torna ódio
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– Completando a frase: "A teoria da
sociedade moderna, de que um homem pode viver satisfatoriamente sozinho,
refutando a tese da sociedade padrão, essa teoria é derrubada pelo nosso
instinto animal, que se baseia no acasalamento"
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– Voltei à musculação, contanto que fosse leve;
ao atingir um bom nível, os professores me encorajaram a dar um soco em uma
parede de alvenaria, usando equipamentos muito bons, é claro
– Não, eu não quero
– E por que não?
– Acho que não tenho mais força pra isso
– Apenas tente, você verá que nada é impeditivo
Eu concordei e tive uma fratura exposta
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– Sim, eu sou um ator. Mas talvez eu só consiga
interpretar papéis de onde a vida não está; ter que sobreviver tentando
interpretar papéis para sobreviver, faz de mim "um homem de pequenos
golpes"
– O azar e a velhice travam uma batalha diária
de cabo de guerra, e quase sempre o azar vence
– Como acha que é ter um diploma, ter pisado em
duas faculdades públicas, ser autodidata em inglês e ser coagido pela minha mãe
a me inscrever em certos "processos"; desculpe, mas repetir coisas
com uma antena na cabeça não atende ao meu perfil. E é recíproco, esses lugares
só tem gente burra, conservadora, provavelmente por todas serem gordas e
invejosas, gente que não tem cultura, porque, claro, não passaram pela
educação; sim, eu preciso "fingir" ser alguém assim, porque minha mãe
me disse que eu deveria, mas logo adiante eu disse não! Eu não vou mais ser a
deputada cabeça de bosta com flores na cabeça que chicoteia as próprias costas,
desculpe, mas eu não vou! Não vou!
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– Hoje, quando vou me deitar, não me importo
mais se vou acordar vivo ou morto
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– Pareceu que o transatlântico da Clarice
passou sobre mim hoje cedo; fui receber o entregador no portão e desabei sobre
ele, visto que eu não tinha comido quase nada no dia anterior... logo gritou
"ajuda" e logo eu estava com as calças mijadas e cinco pessoas na
minha garagem;
– Será que o dessa ou daquela droga te faz
homem mais ou menos conservador? Ou apenas escroto mesmo? Já ouvi várias coisas
de pessoas sobre a cocaína
– Se ele é cracudo, você é farinheiro!
– E você é um alcoólatra, sua poc poc do
caralho!
– Há quem dia que drogas sintéticas tomarão o
lugar da cocaína, mas não lhes tomarão o coração... seja lá o que possa parecer
– O homem moderno: trajando um vestido de
oncinha todo picotado. Poucos ossos na cabeça. Poucos cabelos
– Já eu sou um homem extremamente ultrapassado:
ejaculando ao ver um vídeo de dois homens belíssimos transando; um deles em
especial, e quantos mais não devem ejacular vendo aquele mesmo homem? Acontece
que aquele homem ganha um bom dinheiro ao me fazer gozar atrás de uma câmera,
mas e eu? Eu? Tenho certeza de que se eu cruzasse com aquele homem em uma
calçada, ele agiria como se eu não existisse, afinal, o caixa do supermercado
já faz a mesma coisa, e eu não devo/quero contribuir com mais um centavo dessa
humilhação
– Extremamente ultrapassado
– Diabolicamente ultrapassado
xoxo
