7 de nov. de 2026

nº135/nº48


 


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– E você qual o seu nome?

– Sabrina

– Pois bem, já que não preciso de uma coisa que não para quieta, é melhor uma que fica escondidinha lá sob os pelos

– Aprendemos, aprendemos e aprendemos e seguimos subtraídos na nossa moral

– A hora de recuar está disponível, é só ter o raciocínio de que a opção do homem moderno, de viver uma vida satisfatória, sozinho criando gatos, é vantajosa, pelo menos do ponto de vista vascular, é; do que ter um relacionamento podre, com um homem podre, que vai te trocar por outro por uma vantagem qualquer, nem se trocam mais por outra pessoa

– Sexo? Sexo se faz com a própria mão

 

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– Foi uma pena, mas uma de ganso, pelo menos de pata, eu diria

– Certa vez passei vinte e quatro horas com um homem, que contava quatro anos a mais de idade do que eu, além de muito prazer carnal, também trocamos muito cultura, e eu me senti tão bem naquela rara oportunidade, de mostrar minha cultura, em diversas áreas do conhecimento, e não obrigação, mas por curiosidade para com o mundo; o homem também tinha muito conhecimento, mas me parecia que o conhecimento só era, sobretudo, interessante se o traria desenvolvimento financeiro; no que eu discordava, eu preferia me calar

– De qualquer forma, o que fizemos ali foi amor, creio piamente, você discorda? É por discordar de relacionamentos de pessoas do mesmo sexo, de odiar pessoas trans, é que você deixa de cuidar da sua vida, não é? E o seu relacionamento hétero corretíssimo, acaba em os piores tipos de assassinatos, não é verdade?

– Pois bem, eu e o André, quando não estávamos copulando, estávamos conversando sobre o desenvolvimento da Etiópia, até que fomos embora

– Pois mal, um dia depois, André me disse que estava com câncer, e que tinha pouco tempo de vida; honestamente, achei que ele estivesse mentindo, que só estava me dispensando porque eu não gostar de tomar banho e por mentir a idade; aceitei, não era a primeira vez que eu era dispensado; porém, por acaso, ao ver a foto do WhatsApp dele e me assustar, lá estava o convite para a missa de sétimo dia do André, que seria em 27 de outubro

– Morreu-se a cultura

 

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– Uma vez comprei dois jalecos

– Não, nunca fui médico

– Comprei para ser auxiliar de necropsia

– Por bem, não fui nem uma coisa nem outra

 

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– A determinação de fato é determinação quando ela se torna ódio

 

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– Completando a frase: "A teoria da sociedade moderna, de que um homem pode viver satisfatoriamente sozinho, refutando a tese da sociedade padrão, essa teoria é derrubada pelo nosso instinto animal, que se baseia no acasalamento"

 

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– Voltei à musculação, contanto que fosse leve; ao atingir um bom nível, os professores me encorajaram a dar um soco em uma parede de alvenaria, usando equipamentos muito bons, é claro

– Não, eu não quero

– E por que não?

– Acho que não tenho mais força pra isso

– Apenas tente, você verá que nada é impeditivo

Eu concordei e tive uma fratura exposta

 

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– Sim, eu sou um ator. Mas talvez eu só consiga interpretar papéis de onde a vida não está; ter que sobreviver tentando interpretar papéis para sobreviver, faz de mim "um homem de pequenos golpes"

– O azar e a velhice travam uma batalha diária de cabo de guerra, e quase sempre o azar vence

– Como acha que é ter um diploma, ter pisado em duas faculdades públicas, ser autodidata em inglês e ser coagido pela minha mãe a me inscrever em certos "processos"; desculpe, mas repetir coisas com uma antena na cabeça não atende ao meu perfil. E é recíproco, esses lugares só tem gente burra, conservadora, provavelmente por todas serem gordas e invejosas, gente que não tem cultura, porque, claro, não passaram pela educação; sim, eu preciso "fingir" ser alguém assim, porque minha mãe me disse que eu deveria, mas logo adiante eu disse não! Eu não vou mais ser a deputada cabeça de bosta com flores na cabeça que chicoteia as próprias costas, desculpe, mas eu não vou! Não vou!

 

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– Hoje, quando vou me deitar, não me importo mais se vou acordar vivo ou morto

 

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– Pareceu que o transatlântico da Clarice passou sobre mim hoje cedo; fui receber o entregador no portão e desabei sobre ele, visto que eu não tinha comido quase nada no dia anterior... logo gritou "ajuda" e logo eu estava com as calças mijadas e cinco pessoas na minha garagem;

– Será que o dessa ou daquela droga te faz homem mais ou menos conservador? Ou apenas escroto mesmo? Já ouvi várias coisas de pessoas sobre a cocaína

– Se ele é cracudo, você é farinheiro!

– E você é um alcoólatra, sua poc poc do caralho!

 

– Há quem dia que drogas sintéticas tomarão o lugar da cocaína, mas não lhes tomarão o coração... seja lá o que possa parecer

 

– O homem moderno: trajando um vestido de oncinha todo picotado. Poucos ossos na cabeça. Poucos cabelos

 

– Já eu sou um homem extremamente ultrapassado: ejaculando ao ver um vídeo de dois homens belíssimos transando; um deles em especial, e quantos mais não devem ejacular vendo aquele mesmo homem? Acontece que aquele homem ganha um bom dinheiro ao me fazer gozar atrás de uma câmera, mas e eu? Eu? Tenho certeza de que se eu cruzasse com aquele homem em uma calçada, ele agiria como se eu não existisse, afinal, o caixa do supermercado já faz a mesma coisa, e eu não devo/quero contribuir com mais um centavo dessa humilhação

 

– Extremamente ultrapassado

 

– Diabolicamente ultrapassado

 

xoxo