15 de ago de 2010

V CONCURSO DE POESIA FALADA ESPAÇO PARLAPATÕES

    aqui estou eu escrevendo em meu segundo blog (sempre em letras minúsculas). o primeiro, "35", durou três postagens. estive ontem declamando no v concurso de poesia falada do espaço parlapatões, na roosevelt, centro de sp. estive lá no ano passado com meu amigo gustavo vinagre e conheci outros poetas legais como rui mascarenhas e analu andriguetti.

   esse ano fui bem animado para a minha primeira leitura pública do ano, mas o resultado foi algo que eu poderia definir como 'parlapatacoada' mas não vou dizer isso porque levei meu amigo leandro perez, que acabou levando o segundo lugar por seu poema "cesariana, meu bem". bom para ele que é um poeta bom, cheguei a conclusão que não sou um poeta bom, mas um poeta único e isso não é atrativo para concursos, prêmios e blablabla.

   leandro também está organizando o "sarau da ursa" um sarau só para poetas homossexuais masculinos, o qual espero que será um evento bastante interessante. voltando ao concurso, ao pouco populoso concurso, fui o quarto a subir no palco para ler o meu "dizendo não". fui o primeiro poeta a desejar boa noite á platéia. li melhor do que no ano passado, quando li tremulamente meu "boa noite". nada relevante... preferiram premiar como melhor interpretação o homem mais sexy que subiu no palco, que estava sem cueca e declamou um poema sobre pássaros com seu passarinho marcando a calça... achei válido. como melhor poema, foi premiado um cara que declamou enquanto eu estava no banheiro. o júri popular premiou um senhor que declamou profeticamente, belamente, em alto tom, um poema irrelevante. fiquei feliz por ter levado o leandro, meu amigo, que foi parabenizado depois do evento por uma das poetas, que também me disse que meu poema era "depressivo". o evento foi depressivo, feita exceção os "pássaros": passei boa parte do evento notando a volumosa mala do assistente de palco. abaixo o meu "dizendo não", um dos melhores não-premiados da noite:

“Dizendo Não”


A sociedade disse ‘não’ para mim de novo
E eu disse ‘não’ para ela
Eu digo ‘não’
Em dobro

Eu fico muito fraco tão cedo ás manhãs
Meus amantes e meus ídolos dormem em lã

Eu fico muito decepcionado
Nessas roupas formais
Se você me perguntar quem eu sou
Não vou ter o que dizer, mas
Que o Hitchcock não me filmaria
Porque estou torto e amassado

Não sou eu
Me sinto muito mal
Por que a sociedade não pode
Desistir de desamassar?
Porque os rebeldes não podem
Ajudar o país a rastejar

Até podem, só os livres
Tão fraco e triste
Eu fui de novo para a estrada
Um longo caminho até Bill Gates
E uma última chance da sociedade
E não tenho pena
E chance de mim mesmo e me disse‘não’
Punk é utopia
E meu mundo empobrece e toca as minhas mãos

E eles disseram ‘não’ para mim em dobro
E eu disse ‘não’ ao quadrado
Talvez eles viram de novo
Meu coração amassado

Então eu fui para a marginalidade
Procurar meu velho príncipe no sexo sujo
Humilhado, eu voltei para casa
Com a camisa para fora das calças
Dizendo ‘não’
Não.

2 comentários:

JUNGLE.BOY disse...

Parabéns, sempre tem alguém lendo, never forget.

Vinegar disse...

hugo, ebaaa desculpa o sumiço, hj nos falamos e te envio as coisas q fiquei de mandar cheguei do rio ontem. adorei o blog, bjus