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- Já escovei meu cabelos e penteei meus dentes,
o banheiro é grande demais para lavar as louças e a pia da cozinha é pequena
demais para tomar banho; agora eu estou aqui em cima fazendo o meu curso de
reorganização da moral, enquanto ela está lá embaixo reorganizando as cadeiras;
basta ter em mente o fato de que se sou humilhado hoje, serei humilhado sempre,
e assim poderei emagrecer de desgosto
- Será que um dia alguém vai ter pena de mim? Porque eu estou cansado de ser odiado, haverá ceia aqui e na casa da rainha da baderna, porém, eu vou alegar o ateísmo, e mesmo refutado pela fato de não haver nenhum cristão sequer na ceia, vou alegar indisposição, e em qualquer outro lugar, eu vejo montanhas altas, as quais para mim são impossíveis de escalar, montanhas aqui e em qualquer lugar, eu não me preparei para chegar lá em cima, fumei por anos, abandonei meus músculos por anos, não fosse isso eu teria disposição para participar da ceia, porque eu seria um corpo na multidão, hoje eu ainda não sou um corpo na multidão, se eu não vou, deveriam ter optado por mim, se o natal é uma festa de família, deveriam ter optado por mim, pois agora sabem a motivação da filha para não vir, e a sobrinha não viria sozinha dado que saiu daqui aos prantos da última vez dado a falta de educação e coração deles, agora só sobrou nós três, sim a família se reduziu a nós três, e ao invés de zelo, a indiferença, você e ela foram passar o natal na casa da vizinha da frente, claro, a vizinha, o marido dela, os filhos dela, os gatos deles, tudo isso é mais divertido que eu, mas eles não são família; passam-se as décadas e as famílias escondem os filhos com síndrome de down, escondem os filhos homossexuais
- Você passou o natal sozinho?
- Sim
- Você não tem família?
- Tenho, mas eles não se importam que eu fico sozinho no natal, não passa pela cabeça deles que eu fico magoado sozinho em casa no natal
- Ah... nem sei o que dizer
- De cinco, a família caiu para três em uma história relativamente curta e recente, e eu não sei até quando vou tolerar ser o peso morto dela, de segurar o pêndulo, e quem sabe no próximo natal? Eu não sou rancoroso, mas tenho boa memória
Hiato 1
Hiato 2
- Ele chamou seu amigo deficiente de aleijado?
- Chamou, e disse para eu nunca mais trazê-lo em casa de novo
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- O que aconteceu em Fordow é paz, o que aconteceu em Gaza é paz, e todo mundo tem alguém para tirar foto junto, sorrindo em um dia ensolarado, e o aleijado mente pra mim dizendo que eu sou seu preferido, mas quando tem grana, sai com garoto de programa, quando está ferrado de grana, aí se lembra de mim, e ainda me usa para ir naquela biqueira que eu odeio, onde já me apontaram arma, para comprar aquela cocaína amarela nojenta que só ele gosta, cocaína essa, que já causou mal o suficiente na vida dele, e eu vago em um lixão tendo perdido a capacidade de análise desde então, e nem é da minha conta que ele tem marido, um que não lhe dá vida sexual, e amor assim tem prazo de validade, o que aconteceu ao estado islâmico no noroeste da Nigéria é paz, o que aconteceu aos pequenos barcos venezuelanos no mar do Caribe é paz;
- Minha literatura não desapareceu, eu é que desapareci, "perdi o contato", "cada um seguiu sua vida", "É normal certos amigos irem embora", quem disse? Quem vai embora são os colegas, os que toleramos, mas os amigos não, esses ficam, os amigos que eu pensei que tinha, me tinham por hábito, mas uma das alegrias da formatura, era não precisar ver de novo um facínora como eu após todos esses anos, será que em algum momento eles vislumbraram o que aconteceu comigo? Se agredi uma mulher? Se fui preso? Se fui linchado? Se fui enterrado vivo? E depois de pensar tudo isso, diriam ao ambiente "Foi pouco"; eu me misturo no lodo da sociedade e talvez seja um pouco difícil me reconhecer, visto aquela roupa que dificulta a minha respiração, sento em um banco em uma praça e ali como meu sanduíche, e percebo o quanto sou triste, quando volto, carrego alguns sinais visíveis no rosto e um sobrepeso que estou prorrogando a dissolver voltando à musculação; existem homens que me encontram? Que conversam comigo? Sim, mas sempre tenho de dar sexo em troca, e ainda tenho que aguentar a falta de cultura de gente que quando eu coloco o melhor disco do Caetano pra tocar, dez minutos depois ele solta um "Coloca uma Dua Lipa", como falar de Dua Lipa? Ela não é nada... como falar sobre o nada? Outro, contou sobre a saga para conseguir um ingresso para a banda favorita dele
- E qual é?
- T.A.T.U.
- (Vergonha alheia) subiu um balãozinho na minha cabeça
- Aquelas Russas, lá?
- Se eu não me engano a Cocorosie é contemporânea da T.A.T.U, só que fazem uma música muito superior, chegaram a tocar na The Week, e ninguém se descabelou por ingresso, ou seja, música ruim é para a massa
- Outro, veio até mim humilhado, constipado, “Por que que a Anitta perdeu o Grammy de revelação do ano para uma cantora de Jazz?”
- Jazz é música e cultura centenária
- A menina que ganhou, vestia roupas "normais"
- A menina que ganhou sabia cantar, é difícil cantar jazz sem saber cantar
- A Anitta não sabe cantar
- O Grammy é uma premiação de música, ninguém estava disposto a ver a Anitta mostrando a bunda pela milésima vez, portanto é possível compreender, subtraindo os amigos que eu pensei um dia ter e os acéfalos que me davam atenção em uma cama suja, eu não tenho nenhum amigo, e isso me assusta, me empurra para o desaparecimento mais rápido que o medo
- Talvez, apenas talvez, seja melhor um sexo mudo, cumprimentar, rumar até o quarto, e sim, fazer o sexo intenso, recuperar o breve fôlego, fumar um cigarro, levantar da cama, vestir-se, rumar até porta e ir embora, sem uma só palavra
- Melhor que isso, é que faz alguns dias que minha libido tem me derrubado, o que é fabuloso considerando os homens que frequentam os Apps nessa área, feios, canibais, falam português básico, femboys, os poucos bonitos se vendem, muitos casais na descendente do relacionamento, ninguém tem casa, ninguém tem dinheiro, tem ladrões, tem assassinos, tem psicopatas... como vou abrir minha porta para um estranho considerando todas essas premissas? Prevendo a fraca libido, eu comprei um brinquedinho novo (um brinquedão), e usei pela primeira vez ontem à noite, sem nenhum ser humano por perto
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- Qual o seu desejo para 2026?
- Ser livre
- Ser livre? Em que aspecto?
- A minha rede de apoio mais me prende do que me liberta
- Então abra a porta para a felicidade!
- Eu não acredito no significado dessas portas
- Vai fazer um desejo para 2026?
- Esses desejos não muito utópicos, eu não faço desejo nenhum
- Nem que seja algo terrivelmente possível?
- Desejar saúde, minha saúde mental está um caco, esteve assim no ano passado, esteve assim nos últimos quinze anos, o que me faz acreditar que ela estará um caco no ano que vem também, os médicos sempre colocam nos meus laudos "sem previsão de alta", então como vou acreditar que terei alta? Como não vou acreditar que terei baixa?
- Terá ceia?
- Depois que os outros foram embora, terei o título de ser o último a ser humilhado; a propósito, que marcos históricos podem se repetir no ano que vem? A noite das garrafadas ou as eleições do cacete?
- Pouco importa, já que você não foi fazer a prova alegando uma crise de soluços!
- Pelo menos eu tenho compreendido melhor a paranoia, em determinada noite, em uma confusão de sons, achei melhor manter a calma por três segundos, para que eu tivesse três segundos para analisar melhor os sons, e concluí os sons que ouvi não eram do meu pai se estabacando escada abaixo para me dar um flara, eram apenas sons estranhos que meu estômago emite em situações como essa, em situações patéticas como essa, em situações diminutivas como essa, em situações rastejantes como essa, em situações restritivas como essa, em situações de perigosa e grave direção como essa e que, só não causou ou poderia causar um dano leve, grave ou fatal a terceiros por causa da ausência de terceiros, pois sim, eu só dirijo em desertos
- Quer dizer então que o seu pai não se estabacou pela escada para te dar o flagra?
- Até parece! Mais fácil eu mesmo me estabacar por causa da cãibra na minha panturrilha esquerda, ou então a minha mãe se estabacar por causa das cãibras nas duas panturrilhas
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- Ano novo bem-vindo, ano novo bem-vindo? A mudança do ano é apenas uma organização da marcação do ano, para que a civilização seja marcada com pedra e barro no decorrer do tempo, é só isso, é só uma conta, não há nada para ser celebrado, a astrologia é, historicamente, uma das maiores picaretagens que existe, o cristianismo, usa o final o ano, para praticar a maior hipocrisia de todos os tempos, o natal, o mega capitalista natal, que vai contra o cristianismo na essência, que é sobre a simplicidade, a pobreza, não, é sobre a forçação de barra de reunir a família que já não se bica; tomei atitude de cortar os cabelos no início do processo e, toda vez, toda vez que me encontro na necessidade de fazer isso, para entrar em uma "competição", uma "rinha", por uma "vaga" em um ambiente corporativo, sinto-me como mutilado, uma mulher somaliana tendo o clitóris subtraído, nas duas últimas das quatro etapas, fizeram que eu me sentisse a um mentiroso, tolo e insignificante, como vou sofrer esperando o resultado desse evento?
- O ano não poderia começar pior, poderia pedir uma segunda chance? Não, segunda chance, não, mas se você quiser ficar se humilhando, fique à vontade; parece que as nações não são ruins, eu é que sou ruim; o cheiro de queimado subindo da castração do meu clitóris
Elsewhere;
Os vizinhos vieram para almoçar. Eles são família. A casa é só do meu pai, nunca foi minha, eu não posso receber visitas, já não basta o enjoo de tolerar um gay, imagine dois, já não posso ter mais animais mais, meu pai toma todas as decisões da casa, então eu não sou família, que, assim, só existe como agrupamento
ISSO é caça às bruxas; há uma onda de ódio contra atletas mulheres trans nos EUA, depois tudo o que foi superado. As trans tiveram que devolver as medalhas de Paris 2024, e as trans já estão banidas dos próximos jogos, que serão aonde? EUA? E quem está por trás disso? TRUMP
Se o Diogo Nogueira fosse feio, morreria de fome fazendo música
Você e seu love decidem fazer uma viagem agradável e escolhem "Porto de Galinhas". PÉSSIMA escolha. A verdade? O casal não foi agredido por causa de R$30 a mais na conta, foram agredidos por serem gays, aliás a dona da barraca mandou a conta para o hospital que eles estavam, sim, com os R$30 corrigidos
Projeto n#2: as catracas no metrô e da cptm não teriam mais visores. Quem os substituiriam? Mulheres. Em cada catraca haveria uma mulher e ela informaria a situação do seu cartão. Seria monótono ficar repetindo "passe!", "passe!", "passe!", mas é o trabalho! Trabalho!
Não! Nós aqui não temos ponto final aqui
xoxo






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