26 de fev de 2017

A FELIZ AUSCHWITZ

Dos pouquíssimos sonhos que tive na vida, não consegui realizar nenhum.

É preciso uma frase de efeito para começar uma narrativa, não? Parece que está na moda. O melhor romance da nossa história, ao contrário, tem uma frase de efeito no final:

Não tive filhos. Não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Faço das palavras de machado, as minhas. Essa frase de machado é atualíssima, e eterna.

Julian Fúks e suas longas barbas, e seu jabuti, é elogiado pela autora da orelha de seu livro “A Resistência” a começar pela primeira frase do livro. A Noemi fez orelha, sim, júri de N prêmios literários, editais, etc.
Eu desisti de insinuar que é preciso ter os amigos certos para sobreviver no mundo literário, não posso escrever sobre o que não sei.
O que sei é que li a orelha, e não, não dá vontade de ler.
Pelo menos é um homem ganhando alguma coisa, já que as mulheres estão dominando o mundo.
Eu estava louco para ler o “Quarenta dias” da Maria Valéria Rezende. Li a sinopse e não: não dá vontade de ler.
Os autores de literatura brasileira contemporânea estão a deixando chata e isso encurta ainda mais o seu tempo de vida, a meu ver.
Infelizmente é difícil ser excelente e incrível como o Marcelino, como a Micheliny, como a Verônica.
Depois de ter lido Sylvia Plath, Dostoiévski e Micheliny, além de ter a dolorosa experiência de terminar meu próprio livro novo, pensei em comprar um gibi do Duck Tales hoje, edição especial, capa dura, mas achei desnecessário pagar 60 reais em um gibi. Sim, minha bipolaridade anda razoavelmente controlada, não tenho rasgado dinheiro com tanta facilidade.

***

Eu serei capaz de opinar.

Fui hoje ao cinema ver o novo dos irmãos Dardenne, “A Garota Desconhecida”(La Fille Inconnue) enquanto a feliz Auschwitz urrava pela rua Augusta. Todos os velhos que lotavam a sessão saíram reclamando. Ok, ok, é o filme mais monótono dos irmãos Dardenne, mas está longe de ser um filme ruim, eu achei classudo no último. Já que os irmãos não precisam mais provar nada para ninguém, apenas fizeram o que queriam fazer e fodam-se vocês. Não gostou? Vá ver La La land.

Essa foi uma das metas do dia, além de conseguir cortar os cabelos. Cortar os cabelos me acalma quando tenho excesso de ódio.

Eu percebi mais uma vez que não tenho educação. Não se responde deselegância com deselegância. Sim, ao ser absurdamente maltratado pela garota na bilheteria do cinema, eu disse a ela “Se não fosse esse vidro te protegendo, eu meteria a mão na sua cara!”

E eu já tinha cortado os cabelos.

Descendo a augusta, procurando o cabeleireiro, na feliz Auschwitz, cheio de meninos sem camisa com músculos mixurucas, que devem ter conseguido em um intensivo de três meses de academia, eu mantive minha camiseta preta, eu não precisava mostrar os meus músculos, que são bem maiores e mais bonitos do que a maioria, construídos em pouco mais de três anos treinando o mais nobre dos esportes: o atletismo; porque hoje é meu dia de ser invisível, eu quero ser invisível hoje.  


            XOXO

Um comentário:

Anônimo disse...

Abandona seus leitores não, piá
Stay strong
:)
XOXO