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– Hoje o Brasil vai dormir em primeiro lugar no grupo, e eu vou dormir no sofá
– Por conta disso milhões de pessoas vão dormir felizes, mas eu vou dormir
triste e não vou nutrir uma esperança irresponsável
– Há duas semanas atrás tirei fotos onde eu podia ver juventude, beleza e
sensualidade, ontem eu tirei fotos onde vi minha deterioração, e a plena
velhice que se instala em quinze dias, ou pode ser odores do borderline
voltando a somar a perturbação? Ou já eu estou buscando alternativas para negar
a velhice? Não me falta juventude, me falta a full face ou a wooden face?
– Não se dorme de sono de tarde, se dorme de tristeza, então acabo por dormir
muito
– Preciso ser entrevistado e chancelado, trabalhar calado, ter uma vida regular
e triste e, mais do que isso: vestir roupas tristes; e quando tudo der certo e
você conseguir a sua condicional? Vai continuar vestindo roupas tristes?
Mas é que eu já tô prontinho
Pra sair pra trabaiá
E depois comprar um lote
No resort Tayaya
– Eu não te disse por que eu não gosto de Legião Urbana? É porque quando eu era criança, na hora em que minha mãe me levava de carro para a escola, ela ligava o rádio sempre na mesma estação e sempre tocavam uma música do Legião Urbana, sempre bem naquela hora, até hoje não sei o nome da música e não lembro nada da letra, mas lembro a melodia direitinho até hoje, e sabe o que aquela melodia me lembrava? Que eu ia apanhar na escola
– Como eu lidaria com isso? Talvez aprendendo a me impor, mas o problema é que eu apanhava em casa também
– Você sabe? Você sabe por que hoje todos os meus amigos da minha vida não admitem sequer falar comigo? Postar qualquer foto posando do meu lado? Que as que já tinham, apagaram? Lá os amigos foram todos embora, os colegas se já pouco importavam... tudo por causa daquela frase de 2020, uma análise sócio demográfica mal pensada, que apaguei meia hora depois e pedi desculpas, sim, se não me perdoaram depois de seis anos, a polícia já perdoou, a pena para o crime de xenofobia dura no máximo cinco anos, sendo assim, já terminei de cumprir a pena há mais de um ano, agora de nada adianta a inocência e agora posso dizer que a polícia é mais minha amiga do que todas as pessoas que afirmaram ser minhas amigas durante toda a minha vida, os civis não perdoam, não tem clemência e só não matam por causa da consequência, e sabe por quê? A coragem e o perdão não se misturam, não para pessoas comuns, e o que eu percebi é que eu estava rodeado de pessoas covardes, rasas, é uma preta que se acha branca, que se acha uma grande merda só porque passou anos juntando moedas para ir viver na Irlanda, ou é o povinho da literatura paulistana, que por conta da lama que cobriu minha imagem, essa lama que endureceu, passou a ignorar a minha existência, com um silêncio sistemático, que me aplicou uma morte sutil, ignorando o fato que eu já saí da lama duas vezes com livros excelentes, e a única coisa que esse boicote nunca vai me tirar é o meu talento, coisa que noventa por cento dessa “cena” que se senta nas mesinhas da mercearia, não tem a palavra “talento” nem para ouvir (porque não tem), e nem para dizer (porque tem inveja dos outros), não me perdoo por ter dado meu livro do proAC para aquela editorazinha fundo de quintal da Reformatório, para aquele conservadorzinho do Noceli, que me chamou de moleque, (isso mesmo que vocês leram), que bom que ele pode, eu só não posso chama-lo de moleque porque ele já deve ter mais de setenta anos, e é mais um editor/péssimo escritor, não entendo o descontentamento, todos os meus livro que ele imprimiu esgotaram... e eu tive que cobra-lo minha cota das vendas mostrando-lhe o contrato, do contrário, ele faria a “molecagem” de não me pagar; depois fiz pior, dei meu livro mais conhecido até hoje para aquele obeso, conservador, do Staut, que se juntou ao "povinho" do cancelamento, tirou meu livro das únicas duas livrarias que conseguiu colocar, e tirou do catálogo de sua editorazinha anã, que ele não assume ser independente, diz muito sobre ele, uma capivara que se olha no espelho e se enxerga em elefantinho, mutilou meu livro inteiro, fez uma edição péssima, sequer me mostrou a prova final, não sei se fiquei mais com raiva o com vergonha quando vi o livro pela primeira vez, e ainda me cobrou uma fortuna por esse “serviço”, ainda assim, meu livro chegou à segunda edição... nesse povinho de terceiro mundo não se encontra gente diferenciada, é perda de tempo esperar uma Madonna nos anos 1980 tendo a coragem de falar sobre AIDS na televisão, aqui ninguém lhe defende apenas pela convicção da sua inocência, pela desencargo da consciência de estar colaborando pela reparação de uma injustiça, não, só tem essa gentinha egoísta, mal educada, movendo-se para a direita, nivelando-se, perdendo (se é que já teve) o conceito de arte e principalmente o que é ser artista e, quer saber? Se vocês querer que eu me foda? Eu quero que vocês se fodam em dobro, espero que vocês morram queimados, morram pobres
– Eles todos, tenham o telefone celular incendiado espontaneamente, que estejam em frente à uma prateleira de supermercado, que o celular esteja no bolso de trás no momento da combustão, e ao notarem o fogo, a dor extrema no glúteo, irão procurar desesperadamente em círculo pela origem do fogo, sem nunca perceber que vinha do próprio glúteo, em determinado momento, o desespero muda, você sairá correndo em linha reta, naquela hora do dia, havia poucas pessoas no supermercado, menos ainda pessoas dispostas a ajudar, afinal, é melhor que seu glúteo vire carvão do que eu arriscar minha mão tentando um simples procedimento de abafar o fogo em alguém passando difícil situação; é difícil saber se é misantropia, se é covardia, se é medo ajudar os outros, colocar-se no lugar dos outros, às vezes nem é necessário;
– Lembro uma vez quando eu estava em um supermercado Pão de Açúcar, e uma mulher parda, nordestina, de certa idade, perguntou a um garoto louro bem jovem "quanto custa esse biscoito?", ele respondeu de uma forma muito rude "não sei!", custar? Não custava nada ele ter ensinado a mulher a consultar o preço no leitor de código de barras
– Toda vez eu mantenho na boca ao invés de cuspir, tenho de manter o flúor por quarenta minutos, você escorre veneno porque é veneno demais para manter na boca
– Ai, que saco, não cai demonologia no concurso público
– Ai, que legal, eu posso entrar nos Estados Unidos e fazer a Gwyneth Paltrow enfiar o Oscar dela no cu, e eu só posso entrar porque eu tenho cara de americano, lá ninguém me retém, nem retém meu celular, nem me levam para a salinha para tirar toda a minha roupa, ninguém examina meu cu para ver se tem algo escondido dentro dele
– Inventaram uma daquelas caça níqueis para homens gays conseguirem transar com outros homens gays, mas ao invés daquelas máquinas grandes, é possível jogar no celular, não é necessário entrar em fundos de bares para jogar, mas o resultado é o mesmo, você joga, joga e quase sempre perde, homens começam a conversar com você e depois a conversa acaba em quinze minutos, ou melhor, quando uma conversa "desaparece", fruto de uma mentira, a mentira existe, a mentira é "palpável", aqui, a conversa "implode", a pessoa implode, e a mentira implode em cima de você, e mesmo você sabendo o estado que você fica lá embaixo, o tempo que você demora para sair de lá, e mesmo e mesmo cheio de escoriações, pontos, gesso no braço, ainda em cima de uma cadeira de rodas, você se sente pronto para voltar a jogar, não se compreende como é se mexer nas sombras dos escombrar, e como é raro, do raro ao impossível ganhar, e quando eu ganho, é tão pouco, que é o suficiente para comprar uma escova de dentes nova, sabe quem ganha sempre? Demora para perceber, sabe quem ganha sempre? Aqueles que nunca jogam
– Sabe o que não é jogo? Sabe o que é saudável? Flertar com o motorista do ônibus
– Essa cor não é sua, essas fotos todas são cheias do máximo de luz, e você mesmo assim acha que essas luzes te abonam, e quando a máquina me mostra uma sequência perfeita de bananas, você me encontra sem poder carregar as luzes das suas fotos tratadas e ainda me olha com prepotência, eu que não preciso de luz nenhuma, talvez de tanto usar aquelas luzes você já crê que você as carrega, e não é só você, é moda por aqui negar a própria cor, a Shakira é preta, a Anitta é preta, você sabia que elas enchem a cara de pó? Querer relacionar-se com a própria raça, a uma parte do bolo da sua raça que é um esquilo que vê um gato persa no espelho, eu mesmo sou um gato, e gatos não são desprezíveis assim
– Não vai terminar o estudo do dia, Hugo? São vinte e duas horas
– Não, com tristeza eu não consigo, vou ter que aceitar essa lacuna do excel do cronograma
– Se já tomou café da manhã, por que não vai fazer o estudo da manhã? Já são onze horas
– Cuida da sua vida? Porque eu não quero, posso muito bem fazer essas duas horas depois, duas horas depois do almoço, até lá eu me consolo deitado no sofá embaixo do cobertor
– O professor disse que tristeza não é desculpa para não estudar
– Ele não sabe o que é tristeza braba, achei que o médico tinha esquecido de colocar o único antidepressivo que restou na minha receita, mas vim a saber que ele retirou mesmo, sei que é saudável ele retirar o maior número de comprimidos possível que eu tomo por dia, mas me deixar sem nenhum antidepressivo é irresponsável, é perigoso, sendo que na mesma consulta eu falei sobre intenções suicidas com a maior naturalidade
– E você disse isso à ele?
– Eu não preciso dizer, ele que é o psiquiatra, ele é quem percebe tudo, e não, eu não preciso ir à consulta com a minha pior roupa, com os cabelos dias sem lavar, sem escovar os dentes, sem responder os sorrisos dele, falar muito sobre muita morte, nada disso... isso é uma atuação barata, batida, que os psiquiatras estão cansados de ver, quando o doutor diz
– Oi, Hugo, tudo bem?
Mesmo nada estando bem, eu respondo
– Tudo bem!
Ele só quer que eu seja educado e responda “tudo
bem”, mas ele já sabe que nada está bem antes de eu chegar lá
– Por que será que ele acha que você melhorou tanto a ponto de lhe tirar todos
os antidepressivos?
– Provavelmente porque eu não tive algo ténebre para contar, além disso, para
mim tristeza não é antônimo de gentileza nem de cortesia, e sabe qual é a
cereja do bolo que culmina nessa manhã?
– Não
– Está fazendo treze graus em São Paulo
– Seu banco realmente te realiza?
– Nem o banco nem a mesa
– Não entendo nada de veterinária
– Por quê?
– Você já viu algum boi dormir com história?
Tá que tá muito ruim
O dia
Vai ficar muito pior
Sem energia
– Se que bem que aquele sovina jamais compraria um aquecedor para essa casa e, se comprasse não deixaria ninguém ligar para não encarecer a conta de energia
– Ouve-se o som de um interruptor e em seguida ouve-se um exú dizendo
– Aqui ninguém é sócio da companhia elétrica!!
– Que boa energia! Como você chama?
Eu começo a chorar tentando esconder os olhos com os dedos
Eles dizem "drama, drama..."
– Woe... horas naquela merda de aplicativo cheio de bicha feia pão com ovo que se acham a última bolacha do pacote por causa dos filtros que colocam nas fotos e os corpinhos "malhados" de fome para se acharem padrãozinho, e eu nunca acho que tenho atenção porque dizem que pareço "fake", por que pareço fake? Porque uso fotos reais e não procuro ser quem não sou e muito menos "padrãozinho"; menos de um minuto e finalmente resolvi o problema, limpei a porra da barriga com o cobertor e fui fazer um belo café orgânico para ver o quarto final do jogo da Áustria contra a Argélia na copa, que me arrependo amargamente de não ter visto desde o começo por estar procurando agulha no palheiro nessa porcaria de aplicativo, parece até que esqueci que o nóia, o demônio do meu ex, encontrei nesse mesmo aplicativo; vamos desligar o botão da raiva? O que é a busca do parceiro, afinal? Imagine estar se prostituindo em uma vitrine em uma daquelas ruas de Amsterdã, você fica lá parado e as pessoas vão passando, passando, até que alguém para e contrata o seu serviço, não é bem alguém que você quer casar e ter filhos, mas você aceita pelo sexo, e o sexo só pela prática, é aceitável, é recreativo, além do mais, o sexo só pela prática, teoricamente serve para manter "o bom funcionamento" da genitália, com a teoria de que “máquinas que ficam paradas muito tempo, quebram”, mas a recreação só se repete e você acaba se esquecendo que o objetivo do sexo casual não é o mesmo do instinto animal do acasalamento, ou seja, de encontrar uma pessoa que você consegue enxergar dentro da sua vida, onde o afeto mandatoriamente deve vir/deve ser mais importante que o sexo
"Ninguém tem tesão em uma pessoa só para o resto da vida" (Cássia Eller)
"O sexo é muito melhor fora do casamento" (Maria Callas)
Saiba lidar com isso.
Porém, você pode ficar na vitrine por quinze minutos ou pela vida inteira, o que vai fazer/pensar? Vai dar a razão da sua vida a namorar? Casar? Ter filhos? Separar? Namorar de novo? Casar de novo? E as contas? Ganhou mais ou perdeu mais?
"E fui aqui ficando
Só para poder ver
E fui envelhecendo
Sem nunca perceber
O mar
O mar"
(Rebeca Matta)
Além do equívoco da equiparação do palavra "acasalamento" nós escolhemos o sexo, nós não precisamos dele, o que nós procuramos não é a mecânica, e sim o orgasmo, nós conseguimos isso sozinhos, muito facilmente
"Masturbação é o tipo de sexo mais seguro que existe"
(Cindy Lauper)
Eu já disse isso antes, você não "tem" um namorado, você não
"tem" um marido, pois pronomes de posse não servem para seres
humanos, as pessoas entram e vão embora da sua vida, as pessoas morrem, e como
lidar com uma possível vida de amargura com essas vertentes? A grande maioria
de nós procuramos alguém para dividir a cama e o teto, não para mostrar para si
mesmo que é feliz, porque é tão difícil dizer para si mesmo que é feliz, que é
mais fácil “terceirizar” essa tarefa colocando alguém na sua vida, e além disso,
mostrar isso para a sociedade, para a sua rede de apoio, não importa se você
está bem, o que importa é que os outros pensem que você esteja bem, "A sua
irmã já casou, todos os seus primos já casaram e você nada... bem, aturar você
não deve ser fácil", é o tipo de pérola que a sua mãe te diz vez ou outra,
mas isso é só o buraquinho do vinil, a sociedade deve achar coisa pior quando
você está sozinho, mas eu mesmo vejo coisas nas redes sociais... "Namorar
com esse diabo só para dizer que está namorando?"; flerto com a ideia de
permanecer sozinho para o resto da vida, essa não é uma filosofia nova,
pensando bem, de fato, eu não preciso de um homem para nada, sabe para que
serve o sexo casual? 1. Para um ficar reparando os defeitos do outro 2. Para
satisfazer o outro, sem a menor preocupação em se satisfazer; contratar garotos
de programa? Naqueles sites de acompanhantes eles são um presépio, quando
chegam na sua casa é uma presepada e, pelo que já ouvi falar, quase todos são
ladrões
– É possível ser feliz sozinho, eu não concordo com Tom Jobim, porque o
raciocínio é muito simples, nós vivemos no único planeta do universo onde
existe vida, e nós estamos nessa potência de solidão, nós seres humanos somos
sozinhos, nascemos sozinhos e morremos sozinhos e não sabemos para onde vamos e
a origem de todas as religiões é o desespero
– Sim, pelo menos fiz minhas horas de estudos para o concurso e fiz o checked na minha planilha, e não carreguei nenhuma bicha malvada em algo que é bom para mim, aliás, tem lá na planilha uma célula que ontem marcava dez e hoje vai marcar onze, ou seja, convites para sexo, cocaína e abandono, eu não estou disponível! Eu não estou disponível!
– Do lado do sofá tem a minha mesinha, o que tem nela? Uma cartela de Zolpidem, um brinco (eram dois iguais, mas o outro eu perdi da última vez que passei vinte e quatro horas em um motel), um livro sobre budismo que minha mãe acha que eu vou ler e, noto a falta do meu livro da Adília Lopes, que foi retirado por algum motivo pelo qual, às vezes, como diversos outros, sou retirado de situações da vida
xoxo







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