18 de abr. de 2016

OS DIAS QUADRADOS

amanhã:
-há mais de dez dias estou tomando essa mesma medicação e ainda me encontro um tanto depressivo e com ideias suicidas. Sei que você deve estar se perguntando ‘por que você não se mata logo, então?’ (sei que você jamais se perguntaria isso, pois você é o psiquiatra e. sim, pois é a pergunta no qual a resposta dá sequência ao diagnóstico). por causa do fio de esperança. este ano. este ano de 2016. vou aguardar o desenrolar para ver se terei algum reconhecimento pela minha pobre literatura. pobre de sofrida, não pobre de ruim. quero vestir um terno roxo para comemorar essa dolorida literatura, porque o roxo é a cor da dor. não vou. não vou deixar a minha mãe abrir a boca para sugerir o que vou vestir.

o que o psiquiatra novo com aquele rostinho bonito vai sugerir, então? dobrar a dosagem? sim, bonito ele. dobrar a dosagem. só dobrar, pois eu já disse a ele que tenho a sensação constante de estar enlouquecendo mas. o que dizem é que quando uma pessoa enlouquece, ela nunca percebe. logo, se estou desconfiando que estou louco, então isso significa que não estou louco.

sim, só mais este ano. não vou tolerar outros. filho, filho, por que você está usando roupa preta há quatro dias seguidos? porque estou de luto pelo meu marido que morreu afogado no mississipi. ah é mesmo, filho, tinha me esquecido. blah; na verdade o trecho acima é parte do meu quinto livro, o romance e. não preciso, não preciso me preocupar para querer fazer algo grande, ou algo excelente pois: eu vou fazer o que eu faria, é só dar sequência, eu não vou fazer nada que eu não faria, só serei eu mesmo e. terminei o dolorido e louco primeiro capítulo onde revisito a minha vida passada (eu era uma garota chamada ‘julia’ e vivi nos anos de 1960 em uma cidadezinha no interior da inglaterra chamada 'ipswich') e minha pré-adolescência, meus doze anos, mais precisamente e.

O fio. O fio de esperança. ás vezes ele parece de mel e ás vezes de algodão, entende? tão grudento e ameaçadoramente eterno ou frágil, terrivelmente frágil. não é um corpo se debatendo no mississipi. os dias quadrados... eu costumava fazer um círculo em cima de cada dia no meu calendário de papel, mas há sete dias passei a desenhar quadrados em volta deles.


XOXO

3 de abr. de 2016

A HABILIDADE DE FINGIR

A Técnica:

eu pensava que era só o sono após o almoço, pensei que era só o romance que estou escrevendo, aquele que relembro muito da minha adolescência, da minha infância e até mesmo da minha vida passada; escrevo sobre isso alguns minutos e então sinto vontade de chorar após ver o que escrevi. eu não chego a chorar, mas fico com falta de ar por alguns momentos mas. não, eu tomo um comprimido de alprazolan logo após o almoço todos os dias e isso tem se tornado um hábito. eu tomo porque eu sinto medo, desespero e uma intensa vontade de chorar (que nunca se concretiza em choro, claro). aliás, nem posso chorar no escritório mas. mesmo se eu pudesse, eu não o faria  por não conseguir. acho que é por causa da minha excelente habilidade de fingir e é isso o que separa pessoas loucas de pessoas normais, acho. eu ainda sou muito gentil quando as pessoas falam comigo, eu tento ainda bastante ser gentil até mesmo com as pessoas que não gosto, e ainda sorrio enquanto converso mesmo me sentindo tão mal por dentro. acho que isso engana meu corpo, engana meu cérebro. meu cérebro deve pensar “se ele está sorrindo, se está sendo gentil, então ele não quer chorar”.

é quinta-feira, a esquerda na usp irá paralisar tudo, as salas, o clube de esportes, tudo o que puderem, mas mesmo assim eu não tinha planos de ir para lá, pois me dei um dia de folga, para fazer coisas que eu não deveria fazer, ir a lugares que eu não deveria ir. tenho treinado forte desde domingo e sinto dores do meu pescoço até meus pés. é tão difícil a “volta” ao treino de atletismo, o progresso dia após dia está acontecendo, mas é tão lento... já consigo fazer bons educativos de salto, consigo fazer bons exercícios de finalização de salto, na segunda-feira também fiz meu primeiro treino com sapatilha após a cirurgia, mas... o meu salto real ainda não está rolando. também vi que você ficou observando meu treino por vinte minutos, só para poder me julgar, depois você passa por mim e comenta “ele faz uma pose de quem sabe saltar...”. bem, você não pode apenas fingir que não existo? mesmo se eu ficar bom o bastante para ganhar de você em uma competição, eu ainda assim não estarei lhe subtraindo nada. aliás, você tem absoluta certeza de que nunca vou te vencer em uma competição, pois você e seu amigo acham que sou um lixo, e sei disso porque ouvi vocês dizendo.

vou ficar em casa no sábado, vou sim (mentira). eu deveria ir assistir a primeira etapa da copa usp de atletismo. assistir porque eu gosto de atletismo, porque eu quero ver o garoto bonito que eu gostaria de sair com, pois ele estará competindo; ver meus poucos colegas da fflch, mas esse é o problema. todos os dias alguém no grupo começa a me ignorar sem motivos. há um garoto no grupo que já estudou psicologia, eu gosto dele, ele é bem legal e ele me disse com bastante cuidado que eu sou louco e que “há coisas que não devemos dizer, só pensar”. mas eu não sou. e também lembrei hoje de colocar as cartelas de lítio e fluoxetina na mochila para tomar durante o dia porque a vida tem sido muito difícil para mim, não quero entrar no mérito do suicídio, mas a vida tem sido difícil para mim. é o que vou dizer para o último psiquiatra do meu plano de saúde que ainda não visitei. mesmo assim já voltei a tomar os remédios, pois é sempre isso que os médicos me mandam fazer, não importa como eu esteja parecendo, não importa o que eu diga: tomar lítio e fluoxetina.

Alguém ganha bochechas e alguém perde bochechas:

eu disse no facebook que não me importo com o que acontece nessa droga deste país mas. é claro que foi apenas um rompante. ainda é difícil ir trabalhar todos os dias na multinacional. parece que todos os funcionários são de direita e eles começam a falar sobre política após o almoço. ainda não é um tom de “dilma vadia”, mas é quase isso. eu me sinto acuado. eles sabem que eu faço fflch, e eles sabem que muitos ou todos na fflch são de esquerda e. fico só ouvindo eles conversando, conversando alto, me sinto acuado. a nossa “democracia” começou em 1989 e já temos dois presidentes derrubados por impeachment. isso diz muito sobre o tipo de povo que somos. uma gente ladra, ignorante e injusta; não importa quem caia, não importa quem suba. dilma perdeu as bochechas durante todo este processo. talvez também por acordar tão cedo para andar de bicicleta, talvez porque ela também é um ser humano que merece respeito (...)
já eu, ganhei bochechas por causa da síndrome de cushing, que desenvolvi por causa dos corticóides que tomei após a minha cirurgia no joelho  em dezembro do ano passado. a mudança na dieta, o treino, ajudaram o meu organismo a eliminar o excedente de cortisol mais rápido. hoje estamos em abril, essa é a primeira imagem que publico (sem as bochechas) após o episódio do cushing:


  

XOXO

22 de mar. de 2016

O PROJETO LIXO #1

você não precisa aprender a viver só. não tema a frase. apenas dê uma rápida olhada para trás e veja quanto tempo você já está só.

o projeto lixo #1 terminou ontem. 250 gramas de sobrecoxa de frango grelhado, salada de grão de bico e batatas fatiadas com molho; um pouco de proteína para fazer o lixo ficar forte, um pouco de salada para manter o lixo saudável, um pouco de carboidrato para dar ao lixo alguma energia. três salsichas viena para fazer o lixo ficar ainda mais forte, maionese para antecipar o ataque cardíaco do lixo. leite de madrugada porque o lixo sente um pouco de fome ás madrugadas. leite para piorar a acne do lixo, leite desnatado para não piorar tanto, chocolate em pó para dar ao lixo um pouquinho mais de energia, um pouco de gordura, a gordura do dia, porque o lixo também precisa de uma capa de gordura, para evitar que ele sinta um inexplicável frio.

está satisfeito com quem você é agora?

isso me faz lembrar um dos meus poemas novos:

***

“Elegie August the 31st, 2015”

Why am I here?
I’m here just because you are also here
How does it feel down there, piece of trash?
It feels fine, it's 31 degrees and it’s sunny.

***

então eu fui dormir com a minha aura violeta, pois foi só o que me restou. não funcionou muito bem, pois acordei extremamente melancólico e isso me fez lembrar de outro dos meus poemas novos:

***

“Descer”

Mãe olha para baixo e vê a barriga murcha
O bebê se foi
O príncipe se foi

Fui dormir príncipe
Acordei uma pedra de gelo
E desci pelo ralo.

***

não consigo explicar, mas o que eu sinto pelo meu livro novo de poemas é amor. sim, amor. hummm então você sente amor por algo na sua vida, não é? sim, parece que sim. e eu até sorrio pensando neste livro. então temos aqui um motivo para você se segurar na sua frágil vida. veja bem: não a minha vida em especial, mas a vida por ela mesma. hoje eu consigo ver com muita clareza o quanto a vida é frágil, porque qualquer vida é muito pequena dentro da história da humanidade, da história do planeta e da história do espaço, terrivelmente frágil e. bem, animais sangram com tanta facilidade e. bem, nós não deveríamos ter medo. ter medo de sangrar, digo.
que mais? que mais o quê? que mais te faz sentir amor? atletismo? bem, eu não diria isso, pois eu sempre vou embora do treino insatisfeito e infelizmente é assim que deve ser: o atletismo consiste em nunca estar satisfeito e como há de se amar algo dessa forma? como não chamar de vício ao invés de amor?

XOXO 


6 de mar. de 2016

NADA É TÃO RUIM

nada é tão ruim que não possa piorar. alguns dos meus planos devem ser seriamente reconsiderados desde que eu lembrei que há algo de errado comigo, por dentro e por fora. passar um tempo sem ver pessoa nenhuma me faria bem, acho (1) mas, a vida me leva ao oposto: a infecção respiratória está prestes a morrer, meus dez dias de recuperação da cirurgia de desvio de septo estão para acabar [ medo de assoar o nariz, pois temo que os curativos internos vão sair se eu assoar. então eu aspiro e aspiro e temo que a secreção na minha garganta que eu engulo, ás vezes é sangue e não sempre água ]. terei de ver pessoas no meu emprego, pessoas na academia, pessoas no treino de atletismo, pessoas no curso de letras. tendo de ver pessoas na casa onde moro e no transporte público já é o suficiente para me deixar um pouquinho mais louco. sei que posso resolver os dois últimos tópicos alugando um apartamento bem pequeno e comprando um carro velho.



(1) ficar em casa tentado me tolerar, esperando que o tempo passe, me ajudaria a tentar tolerar os outros mas.

não posso mais tolerar esses óculos. vou comprar lentes logo, pois. esses óculos me deixam mais feio, um tanto mais feio. eu acho. na verdade, os óculos não me deixam um pouco mais feio ou um tanto mais feio, eu é que sou um pouco mais feio ou um tanto mais feio do que eu recentemente acreditava e é por isso que eu só coloco os óculos quando vou ao cinema. quando não quero ver a realidade, eu apenas tiro os óculos, é bom ver o mundo borrado, não ver nada. tenho 2,5 graus de astigmatismo. se eu usar lentes, não terei essa opção. sim, pensei em criar um personagem que tem 2,5 gaus de astigmatismo e não usa os óculos para evitar a realidade e ele fará o melhor para enxergar cada vez menos mas não, você não pode criar esse personagem, porque esse personagem é você, então não é um personagem.

"eu não tenho carreira, eu tenho hábito"(2). bem, é difícil admitir, mas é verdade. já paraste para curiosar o que as pessoas publicam na internet sobre publicar poesia? ótimo, então não interrompa meu café da manhã dizendo que você quer escrever e/ou publicar um livro. sabemos, sabemos que ninguém ou quase ninguém vai ler o seu livro novo mas ok, é nossa obrigação continuar publicando essas coisas que ninguém lê ou quase ninguém lê. é uma obrigação moral. obrigado. talvez não seja pelos leitores que escrevo mas, é pelas pessoas que fazem essas "obrigações", esses que trabalham em editoras, pequenas ou grandes, e julgam os textos nos editais do governo. quer saber? e quanto a nós que escrevemos? nós temos obrigação de "manter a poesia viva" neste país? ficar dando tiro no vento? bem, talvez sim, mas saiba que é mentira, escrever não é algo que não podemos evitar, nós que escrevemos, podíamos canalizar essa energia fazendo qualquer outra coisa, aprendendo a tocar harpa, jardinagem... mas escrevemos porque queremos e é muito mais vaidade do que amor, se é que você já não sabe disso. lá vamos nós de novo, meu livro novo de poemas, agora eu posso voltar a trabalhar em um bom texto para introduzir o livro, agora que terminei de co-escrever um argumento para o roteiro de um longa metragem com gustavo vinagre. agora que não fiz o que prometi, as página que prometi, agora que fodi a coisa toda e gustavo deve estar brabo como o diabo comigo. disse a ele que estive doente muitos dias. doente na mente, doente no corpo e diabos... ele deve estar pelos infernos comigo. não posso culpar o meu gerente no meu emprego, ele não podia me deixar escrever e deixar as tarefas de lado. 

(2) apenas mantenha em mente que "I'm not the shampoo girl, I'm the real thing". é ruim traduzir essa frase, mas é do filme "monster" (sim o da charlize). 

tudo o que eu tenho para dizer sobre cinema, além de que não sou crítico e grande cocô para o que eu penso sobre os filmes que vejo, é que amanhã eu poderia passar o dia trancado no quarto, tentando ficar um pouco positivo para enfrentar a semana, para ter minha vida de volta, e talvez, daqui a muito , muito tempo eu tenha um casamento igual ao da viúva porcina, com rua fechada e um monte de criança preta correndo atrás e jogando arroz, mas quero dizer que amanhã: eu vou encarar cinco horas e meia de um filme do lav diaz no ccsp e eu até mereço uma medalha por isso.



XOXO



15 de fev. de 2016

AS ESTRELAS

dizer "sim". sei que pode parecer cafona citar a Clarice. não é, sabe. as pessoas é que fizeram com que fosse cafona citar a Clarice. no começo de “a hora da estrela” ela disse que o mundo se formou porque uma estrela disse “sim” para outra, daí causou-se uma grande catástrofe que resultou em algo tão fantástico como esse planeta, ou este mundo. dizer "sim".

cafona é você. o começo de “a hora da estrela” é um dos melhores começos de livro que li na vida. aliás, “a hora da estrela” é um dos melhores livros que li na vida. você leu obrigado para o vestibular? achou chato? não se emocionou? então você não tem coração. cafona é você.

bem, o que eu ia dizer sobre dizer “sim” na verdade, é uma conclusão (sempre acho melhor dizer “conclusão” do que dizer “tese” ou “teoria”, pois ainda me confundo ao identificar o que é tese e o que é teoria): sobre a minha relação com o mundo; tudo o que é preciso ser feito para algo extraordinário acontecer na minha vida, é eu dizer “sim” para o mundo e o mundo dizer “sim” para mim. honestamente, eu não sei dizer se o mundo já disse “sim” para mim, mas eu com certeza ainda não disse “sim” para o mundo.

o mundo, eu quero dizer. não a vida. sim, na minha cabeça são duas coisas diferentes. eu tenho quase certeza de que a vida é uma mulher. e eu acho que o mundo é um homem. talvez seja mais fácil, mais fácil o mundo dizer sim para mim. e eu também acho que, talvez, o mundo seja bom. a vida é má, tenho quase certeza. porém, contudo, se haver esse “sim”, esse esperado “sim”, algo extraordinário aconteça. esse “algo” extraordinário pode até ser algo que eu tenho perseguido há trinta anos, e que parece cada dia mais impossível: eu aceitar a vida.

*** 
repita para você mesmo: você não é a kelly key cantando a música da rosana (google it) e você não é a Catherine Deneuve passando roupas com o fio do ferro fora da tomada em “repulsion” (google it either).
***

sei que estamos no zimbabwe ocidental e não na américa, mas é impossível não se lembrar que é valentine’s day. embora eu esteja mais calmo, bem mais calmo por voltar a tomar xanax para tolerar melhor a vida, eu achei melhor vir para casa antes de terminar de ver o filme “brooklin” que está em cartaz no cinema. eu devia ter escolhido “joy” ou “a garota dinamarquesa”. “brooklin” é apenas divertido e a garota protagonista desenvolve uma história de amor tão bonitinha com um bofe tão bonitinho que não me contive de inveja. bem, na verdade não é bem isso. a verdade é que passaram por mim vários flashbacks da minha relação com homens no que diz respeito a relacionamentos amorosos. tive trabalho ao escrever “relacionamentos amorosos” ao invés de “sexo”,  pois eu não sei mais o que é um relacionamento amoroso há muito tempo. e é sempre o meu problema de dizer “sim” a mim mesmo antes de me oferecer a outro homem e dizer “sim” para ele, e esperar e acreditar que ele também diga “sim” para mim. primeiro é o corpo. três meses atrás, com o corpo perfeito, em pleno treino, com a pele perfeita, eu não me achava apto a ter um relacionamento com ninguém por causa da minha cicatriz nas costas, que nem se vê, que nem é o fim do mundo. e agora então que estou fora de forma e com acne? sei que já estou recuperando a forma e a acne já está melhorando, mas nessa exata condição, eu posso já ter a exata vertigem de outra certeza que eu já havia comentado por aqui, no réveillon: o corpo não é seu, você apenas o está usando, e você tem de devolver no fim da vida. nesse exato momento, eu tenho a sensação de que já devolvi o corpo.

conclusão: eu preciso voltar a conhecer o nome do homem antes de conhecer seu pênis. estou com saudades de conhecer primeiro o nome do homem, para depois conhecer seu pênis. ok ok, mas só depois que eu estiver em forma. só depois que a acne sumir totalmente.

XOXO

8 de fev. de 2016

A CRUZ DE ESCADINHA

tudo o que eu pretendia escrever era triste. putz, não dá pra se manter triste quando se coloca o “vanishing point” do primal scream para tocar, não? saco. melhor desligar por enquanto e ouvir apenas vozes. vozes feias na varanda. uma tristeza.



a cruz de escadinha:

você já viu o vídeo de “heart shaped box” do nirvana? pois bem, então entenderá a metáfora, ou o paralelo (a metáfora do vídeo, o meu paralelo, quero dizer): quinta-feira, lá estava eu subindo na cruz de escadinha, isso para alcançar melhor os ombros da cruz, eu já todo velhinho e enrugado. saco... o problema é que ainda estou jovem e ainda não posso dar a desculpa da velhice para subir na cruz de escadinha, o que acaba com a metáfora do vídeo. bem, mas aí vem a minha metáfora e o meu paralelo: subir na cruz de escadinha é a própria imagem ou da covardia ou do cansaço (explicarei), ou do medo da dor que impede muitos de nós de abreviar a vida. quinta-feira foi demais, sabe? difícil, difícil tolerar a própria imagem. “vou embora, não estou bem” ‘você precisa de alguma coisa?’ “uma pele nova”. bem, também seria bom não passar nove horas por dia cercado por pessoas burras que me detestam e é isso que causa mazelas como o sobrepeso e algumas espinhas. é capaz que seja o trabalho, a macumba mas se: não acredito no senhor jesus, que é apenas uma imagem, nem no diabo por tabela, por que eu acreditaria em entidades e trabalhos? além do olho gordo. é melhor você ficar quieto por um bom tempo e perceber que o problema não consiste nas pessoas burras e sim em você, que está demonstrando um comportamento pouco maduro, incompatível para um homem da sua idade e ok ok, vamos para a cruz de escadinha de novo: frase que se considere: ‘ninguém tenta se matar; quem quer se matar, se mata’ justo. justíssimo. porém todas as formas infalíveis de se matar envolvem a dor. mas a vida já não é uma dor do caralho? por que ter medo de uma última dor e que será bem rápida e que sanará todas as dores da vida? primeiro porque estou morta de cansaço. você nem imagina o esforço que eu fiz para me mover do escritório até a minha casa. nem banho eu consegui tomar, quiçá procurar um prédio para me jogar de cima. ainda tive que dormir no chão do banheiro para não ter de aguentar a chata da minha gata em cima de mim. cortar o pulso dói. cortar a garganta dói. além do mais não tem nenhuma faca boa nessa casa. pensei em ir ao hospital psiquiátrico pedir uma ajuda, mas se eu tivesse forças para ir até lá, eu me jogaria do prédio, que é mais perto. então achei melhor ficar deitado no chão do banheiro mesmo. bem, subir na cruz de escadinha significa em súmula, o medo da dor e a futilidade. parece fútil querer tanto morrer e não enfrentar a dor, parece fútil marinar o pulso com xilocaína antes de corta-lo como luís no livro “eis o mundo de fora” da adrienne myrtes. pois bem, esse foi um breve relato de um dia na vida de uma pessoa depressiva, uma utilidade pública aos pouquíssimos leitores desse blog.

o pênis:

bem, se me pedissem para escrever sobre o pênis, a percepção do pênis pela sociedade e a minha percepção sobre o pênis, eu diria que; bem, imaginando uma clássica imagem de estupro coletivo que habita o imaginário de boa parte da população, é possível perceber que não é a violência, não é o pênis, nem os pênis que constrói toda a magia da situação, mas a beleza. só ela e sempre ela. o pênis, ou os pênis; bem, são uma proporção, apenas, a beleza do pênis ou dos pênis, e o tamanho. o que você escolheria? um belo homem com um lamentável pênis ou um homem feio com um belo pênis? claro que o ideal seria um belo homem com um belo pênis, mas como se daria a proporção da importância entre a beleza do homem e a beleza do pênis? eu, por eu mesmo, ainda prefiro a beleza do homem sobre a beleza do pênis, visto que um pênis é apenas um pênis mas. claro, um belo homem que tivesse por acaso um belo pênis seria mais agradável que tolerar um lamentável pênis e aff... quanto pênis, meu deus. e também não, a população não pode explicar ao terapeuta, eu não posso explicar ao terapeuta que o estupro coletivo, veja bem, não é bem o estupro coletivo visto que estupro consiste em penetração, na verdade é apenas uma situação de opressão e violência, uma violência onde não haja a penetração visto que bem, não lido muito bem com a ideia da penetração ultimamente e bem, essa violência toda que tem tomado muito do meu imaginário e me faz perder a hora de acordar, ou me atrasar para dormir, é utópica além de tola, pois somos diferentes, sim, somos muitos diferentes: eu e os opressores. e assim seria melhor, será melhor que essa violência de fato nunca aconteça pois assim, as minhas perninhas vão continuar se recuperando bem, a minha capa de gordura não terá o trabalho de amortecer tanto impacto. obrigado.

o rabo do olho:

é por ele que você percebe a verdade. uma pessoa que tem nojo de você e outra que te acha o maior imbecil. ambos lhe tratavam muito bem, até; com sorrisões. tratavam, pois depois que percebi a realidade pelo rabo do olho, quero que vocês dois se fodam. e eu? será que eu também faço isso com os outros? será essa uma tendência do ser humano? dar sorrisões quando se pretende manter em segredo que você tem nojo ou acha alguém o maior imbecil? deixe-me pensar... não, eu sou bem transparente, não dou sorrisões nem pra quem eu gosto e isso é outro problema.

o poema:

o poema não foi feito para ser lido, foi feito só para existir. quando você estiver bebendo, não utilize a internet; seja em aplicativos ou no facebook ou whatever. aliás, não beba. se mesmo assim você quiser ler o meu poema, o que eu duvido muito, ele está neste link:


XOXO

26 de jan. de 2016

O TERAPEUTA BRANCO

estou revisitando muito da minha infância e da minha adolescência no meu próximo romance, que está em processo de criação. sempre me dá vontade de chorar. claro que nunca choro, acho que já comentei por aqui que não consigo chorar. muito do pior da minha infância e da minha adolescência. talvez seja mais vergonha que tristeza, eu não sei mas. do livro eu não tenho vergonha, não tenho medo de dizer nada para ele. do terapeuta sim. eu sempre começo a mentir na segunda sessão. e já que mentir não faz sentido para o propósito, então talvez seja melhor falar só com o livro. desisti de todos os psiquiatras do meu plano de saúde. são todos bem ruins. o último, quis ouvir minha respiração, me mandou tirar a camisa, e ainda ficou falando comigo como se eu fosse uma criança, demonstrando pena tanto na expressão quanto na voz. uma bicha gorda. fiz uma reclamação ao plano de saúde e não volto lá nunca mais. 

chorar. faz tempo que não vou ao sebo. é algo que me deixa feliz. porém, o sebo fica no mundo, no mundo cheio de pessoas e o mundo me deixa triste, as pessoas me deixam triste. o idealismo de um fim de semana perfeito tem sido a porta do meu quarto, trancada. e contar com a sorte de não encontrar com ninguém quando desço até a cozinha, ou até a área de serviço. mas ir ao sebo era uma ideia de algo nostálgico que faria muito bem, pensei. pude ir porque finalmente o sindicato a que pertenço decidiu a porcentagem de reajuste e pude receber os atrasados referente ao aumento. (...) eu acho que estou desenvolvendo a misantropia. eu lembro que a karol, uma estagiária do jurídico que trabalhava comigo em uma indústria química em 2011 me perguntou se eu era misantropo. eu pareço misantropo? pois bem, ela veio fazer amizades comigo e o tempo em que permaneci trabalhando por lá, almoçávamos juntos quase todos os dias. raridade, pois fora ela, eu não tinha relações pessoais com mais ninguém naquela empresa. normalmente, prefiro ficar quieto, me cansa falar com as pessoas até, quiçá fazer amizades. e é pior ainda com homens, pois eu nunca consigo diferenciar quando um homem está apenas sendo gentil ou se está flertando comigo. sempre acabo me desapontando e é por isso que tenho me tornado cada vez mais amargo, mas talvez eu esteja mesmo desenvolvendo a misantropia [ eu não sei explicar, mas passei o domingo inteiro na cama, não consegui levantar para fazer a musculação. era só o mundo desmoronando outra vez, as nevascas, os velhinhos morrendo de frio em taiwan porque não perceberam que o frio chegou e não se agasalharam. minha gata, que não tem tido muita paciência em me fazer companhia, até abriu uma exceção, passou o domingo inteirinho na cama do meu lado tentando me confortar. ela sabe, ela sempre sabe. parece que ainda permanece aquela ilusão de que vou ter alguém para abraçar depois de levar mais de trinta socos, como uma lutadora de mma após perder a luta ]. gente, todo tipo de gente me incomoda. ou talvez eu seja exigente demais. eu tenho me estressado muito com os serviços, as pessoas que ficam atrás do balcão, especialmente. é por isso que eu quero tanto ir embora de são paulo. eu sei que não sou assim, tão amargo, mas. são paulo e suas pessoas amargas, mal educadas, mal humoradas e maus profissionais, me enlouquece mais um pouquinho a cada dia. me recusei a dar dinheiro ao primeiro sebo, de imigrantes andinos, mal educados. será que eles pagam impostos? também não quis deixar dinheiro no segundo, tocava música gospel e o dono, tentava empurrar um dicionário vagabundo para uma estrangeira negra por um absurdo de dinheiro. crente pilantra. sem contar o cinema. cobram 30 pilas por uma sessão dentro da prezada crise e a funcionária estúpida da bilheteria do espaço itaú do shopping frei caneca diz que estou na fila errada, que é para eu ler a placa para saber a fila correta. posso não saber ler, mas por bem, não sou eu que estou do outro lado do balcão. não, não disse isso por mais que eu ache que ela mereça. sem contar a funcionária negra da ofner, que só diz boa noite para os clientes que estão bem vestidos. coloque todos em um roteiro e faça um filme fiel sobre são paulo. subi a augusta e entrei naquele sebo perto da loja colaborativa endossa, perto da paulista. saí de lá com seis cd’s, todos importados, baratos e em bom estado. a mulher loura e simpática do caixa, parece ser a dona. chorar. o “poses” do rufus wainwright, a canção “poses” já é suficientemente emocionante quando só o rufus está cantando, daí ainda por cima entra a irmã dele cantando. é para chorar mesmo. bem na hora que chega a minha pizza. tive que descer para buscar com os olhos cheios de lágrimas. sim, outra pizza.

XOXO