13 de set. de 2015

RELATO DE FÉRIAS 1

Férias. Disse que não viajaria. Como nunca viajo. Disse que faria um treino mais forte para competir em outubro. Bem, eu treinaria o mesmo se estivesse trabalhando. Na verdade, tirei duas semanas de férias para dormir doze horas por dia. E não me orgulho disso. Já se passou uma semana e eu não fiz coisas funcionais que prometi. Não marquei oftalmo. Estou ficando bem cego. Não fui tirar a segunda via do meu r.g. que esfarela. Pensei em ir a um puteiro no centro, cheirar bastante, no dia em que saí de férias, mas não. Preferi comemorar com homens e álcool como sempre. Eu tenho esse defeito. Fazer sempre as mesmas coisas. Bem, pelo menos fui conhecer o thermas lagoa. Veja só, fica tão perto da minha casa e nunca fui lá. Pois fui. Pois só tem os putos e as bichas septuagenárias que pagam por eles. Pensem que houvesse um terceiro publico. Pois não há. Visto que não sou prostituto nem septuagenário, não tinha negócios a tratar por lá. E eu não vou dar trezentos reais para chupar uma rola. Nem quando eu tiver trezentos anos. Permaneci lá por apenas vinte minutos. Afinal, é possível conseguir coisas tão grandes quanto, sem pagar um centavo (e esse garotão aí, além de tudo curte my bloody valentine (!) ):



Pelo menos ontem, após acordar ás 15 horas, comprei um cinto e uma carteira nova. Daí eu fui ao cinema, ah o cinema. Lembro que não comentei sobre cinema no meu último post. Acho que não tive espaço. Ou fôlego. Ok, eu já superei o fato de não ser crítico de cinema, de escrever sobre cinema. Afinal, escrevo sobre a vida e não existem críticos sobre a vida. O cinema é a vida na tela. Tenho ido muito ao cinema. Deixe eu pegar aqui os últimos ingressos que tenho. Em ordem crescente de data:

“Exorcistas do Vaticano” (The Vatican Tapes, 2015, U.S.A. dir: mark neveldine) Quando: 23/08 Onde: Cinemark Shopping Santa Cruz. Estrelas: 01. Comentário: Outro filme de BH Productions, cheio de sustos fáceis e com conclusão brochante. Ah que legal, quer dizer que a loirona se livra dos padres exorcistas e domina o mundo. Isso assim, de repente, nos minutos finais.



“Corrente do Mal” (It Follows, 2015, U.S.A. dir: david robert mitchell) Quando: 29/08 Onde: Espaço Itaú frei caneca Estrelas: 04. Comentário: O melhor filme de terror americano que vejo em muitos anos. Não é da BH productions. Claro, afinal é um filme bom. O que dizer da abertura clássica de filme de horror americano? Com aquela bela garota com as pernas de fora, correndo desesperada (de salto alto!!) de algo que não se vê na tela? E aquela conclusão splatter da sequência? Faz tempo que não via no cinema algo assim. Além disso, o filme tem coisas como nudez, incesto, estupro (Coisas que não se vê nos filmes da BH para pré-adolescentes). Além disso, “it follows” não abusa de sustos fáceis e mesmo assim, algumas sequências são realmente arrepiantes. E sim, a conclusão da sequência do conflito final, na piscina, o aproxima também de um filme de arte, não apenas de terror. Pena que ficou tão pouco tempo em cartaz e atrasou tanto para entrar em cartaz por esse motivo: Ele é bom demais para o público brasileiro.

“Que horas ela volta?” (2015, Bra, dir: anna muylaert) Quando: 29/08 Onde: Espaço Itaú frei caneca. Estrelas: 04. Comentário: a princípio a história não me apeteceu muito, a empregada nordestina que vem trabalhar em São Paulo como babá em uma casa de família de classe alta. Ela mora no trabalho. Bem, a começar que Regina Casé está ótima no papel principal, o da empregada. Isso já garante o interesse antes do conflito principal. A Filha adolescente da empregada, a qual ela não vê há 10 anos, vem morar com a mãe enquanto presta o vestibular para a FAU-USP. Para o mesmo curso que o filho da patroa também está prestando. Acontece que a menina filha da empregada se revela uma criatura surpreendentemente culta e o filho da patroa, o que tem de gostoso, tem de burro. Adivinha o que acontece? Pois bem, o filme é um documento sobre a ascensão das classes e o conflito que ela causa. Achei cruel, cruel, mas real a patroa interditando a piscina porque viu um “rato” nela, isso depois que a filha da emprega entrou na piscina.

“A Entidade 2” (Sinister 2, 2015, U.S.A. dir: ciaran foy) Quando: 1ª Tentativa: 05/09 á tarde (cinemark shopping center 3) 2ª Tentativa: 05/09 á noite (cinemark shopping Paulista) 3ª Tentativa: 11/09 (cinemark shopping Santa Cruz). Na primeira tentativa, uma bicha chata ficou tentando parecer engraçada tecendo comentários durante os trailers, em voz alta. Isso eu até poderia tolerar, visto que eu estava em um cinemark. O que eu não tolerei foi quando o som da sala ao lado começou a vazar para a sala em que eu estava. Saí da sala possesso, fui falar com o gerente, disse que aquilo era inadmissível, pedi meu dinheiro de volta e fui embora batendo cabelo. Que ódio. Na segunda tentativa, no cinemark do shopping paulista, uma gangue de pré-adolescentes estava na sala. Um deles fazia uma gracinha em voz alta em absolutamente todas as cenas. Consegui ficar na sala apenas vinte minutos. Passei o resto do filme no banheiro, no whatsapp, enquanto aguardava a próxima sessão, outra do “it follows”. Na terceira tentativa, ás 23h20 no cinemark do shopping santa cruz, pensei: “Acho que as mães não deixam as crianças irem ao cinema a essa hora”. Fora a costumeira falta de educação das pessoas (Gente passando na minha frente na fileira 10 minutos após o filme começar, e olha que são quase 20 só de trailer, contei oito atrasados passando na minha frente até descer para a primeira fila, onde é péssimo ver o filme nas salas do santa cruz), consegui ver o filme até o final. Estrelas: 01. Comentário: tanto trabalho para ver outro filme da BH productions. Outro filme cheio de sustos fáceis. Sim, os filminhos de tortura dentro do filme são realmente macabros e muito sádicos, porém é legal ver esse tipo de coisa dentro um contexto que não seja tão pobre, caso deste filme.



“Infância” (Bra, 2014, dir: domingos de oliveira) Quando: 12/09 Onde: Espaço Itaú Frei Caneca. Estrelas: 04 Comentário: Este, infelizmente não tinha conseguido ver na mostra do ano passado. Eram poucas sessões e tipo, na terça-feira ás 14h00. Sim, eu estava de férias na mostra do ano passado, mas quanto estou de férias, nem levantei da cama ás 14h00. Pois bem, no Itaú sim, dá para sentar na primeira fila e ver o filme perfeitamente bem. A tela não é tão alta. A sala cheia de velhinhos. O máximo que se podia ouvir da plateia era tosse! Hahaha. Bem melhor do que adolescentes histéricos. Pois bem, pouco importa que o começo do filme é um pouco chatão quando se tem Fernanda Montenegro arrasando como sempre. Como é prazeroso observá-la atuar. Ela está divertidíssima no papel da dona mocinha. Posso até dizer que ela É o filme. O filme, pois bem, é um bem humorado documento da sociedade brasileira nos anos 50, mais um documento de uma “decadente” (nem tanto) família da alta sociedade do rio de janeiro.

“Goodnight Mommy” (ich seh ich seh, Aut, 2014, dir: veronika franz, severin fiala) Quando: em algum dia de agosto Onde: Na casa do Daniel Estrelas: 04. Comentário: Bem, sou contra ver filmes na internet, antes da estreia no cinema. Porém estávamos de bobeira na casa do Daniel, eu ele e bruno, huguinho, Zezinho e Luisinho e Daniel sugeriu ver um filme. Quando Daniel disse que costumava ver todos esses filmes que vejo no cinema no computador dele, veio a ideia de ver este “Goodnight Mommy”. A história, de uma mãe que após um acidente e cirurgia de reconstrução facial, reaparece com a cara enfaixada e põe a dúvida nos filhos gêmeos se aquela figura realmente é a mãe deles. Você não esperava pela conclusão do filme? Nem eu. Mesmo a conclusão do filme sendo bem parecida com a do “The Other” (Robert Mulligan, 1972), um clássico de gênero, me arrisco a dizer que esse é o melhor filme de terror que vi desde “O Anticristo” do Lars Von Trier. Pode me xingar, não ligo. Esse “Goodnight Mommy” tem tudo que um grande filme de terror deve ter. É amargo, cruel, esquisito, violento e imprevisível. Mal posso esperar para ver na telona.

Elsewhere:

A grande notícia das férias! Meu terceiro e novo livro, o romance “o tiro de um milhão de anos”, contemplado pelo proac e que será lançado pela editora pasavento, já tem capa e data de lançamento:



Anote na sua caderneta:
O quê? Lançamento de “O tiro de um milhão de anos” de Hugo Guimarães
Onde? Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista nº 509
Quando? Dia 24 de Outubro
Que horas? Das 16h00 ás 18h30.

PS: Ah, estou de saco cheio de contrariar o microsoft word e colocar letras minúsculas no começo das frases.


XOXO

4 de set. de 2015

ZIMBABWE OCIDENTAL

untitled 01:

wondering life, the trees, I resolve that I never found myself as a part of the world. I do try the recreation. it doesn’t work. it’s not something that someone did to me, spoke to me but. it’s life itself, like if it’s a person. it’s not the flu. it’s not the real state. I thought again, by addiction, that a gorgeous boy would come from shower at this locker room, but life did.


“Elegie August the 31st, 2015”

Why am I here?
I’m here just because YOU are here
How does it feel down there, piece of trash?
It feels fine, it’s 31 degrees and it’s sunny.

fluxo:

espere sair para depois entrar. é algo que os negros nordestinos não conseguem entender. talvez essa sentença não esteja lá clara. eles devem pensar que você deve esperar duas ou três pessoas saírem do trem. e então avançam. os que não conseguiram sair, que fiquem lá dentro. não está claro que você devem esperar TODAS as pessoas saírem do trem para só então você entrar. sendo assim, a mensagem deveria ser: “espere TODAS as pessoas saírem do trem, para depois VOCÊ entrar”. espere um pouco... será que assim os negros nordestinos pensariam que deveriam esperar TODAS as pessoas que estão dentro do trem desembarcarem em sua totalidade? eles pensariam: “será que é para esperar esvaziar o trem para só então eu entrar?”. sendo assim, os negros nordestinos jamais entrariam no trem. eu gosto. neste caso, não podemos dizer que trata-se das sutilezas da língua portuguesa, mas temos aí um claro e grave problema de compreensão, onde uma simples mensagem não chega a seu destino. nesse caso, os negros nordestinos. ando alguns metros. ai ai, que homem bonito. na esteira só cabem duas fileiras de pessoas, há um importante afunilamento. assim, obviamente, algumas pessoas devem entrar na frente das outras para que as duas fileiras sejam feitas. mesmo assim a velha não queria me deixar passar de jeito nenhum. a senhora percebeu que aqui só cabem duas fileiras de pessoas? ah que bom. aí a bicha. a bicha cabeçuda desfilando meio que bambeando lá pelo fim da esteira, onde seria bom que as pessoas aproveitassem para andar mais depressa.
- ai. o igor estava lá sentado. ai.
- ai. aí você chegou. ai.
- ai. perguntou por que eu não respondia as mensagenx. ai
- ai. o namorado do lucas? ai.
as bichas miando com a língua presa.
- ai moço, desculpa!!!
a bicha pisa no meu calcanhar e quase me tira o calçado. só aí já foram três bichas. comigo já são quatro. sento a bunda no assento do trem. nem ligo para o preto folgado com as pernas abertas que dificulta com má intenção a minha sentada. sentar eu adoro. se tivesse uma rola nesse assento então, melhor ainda. falo mesmo. pra mim mesmo. não preciso ter vergonha de mim mesmo, oras. bom é ler. voltei a ler ontem. bom é ler, que assim a viagem horrorosa de metrô termina mais depressa. subo as longas escadas rolantes. ai meu deus, lá vem o negro com o saco de biscoitos na mão. vai passar por cima de mim! quase. na esquerda livre, subiu até que rápido, um senhor japonês que aparentava uns 80, mas devia ter uns 130. não é a toa que só os japoneses alcançam as categorias mais velhas do atletismo master. será que eu consigo, meu deus? chegar até as últimas categorias do atletismo com esse joelhinho podre? ai ai que menininhos lindos. não são gêmeos e estão com a roupa igual. até a mochila é igual. devem ter comprado na mesma promoção. ah, olhando bem tem uma detalhe diferente no fecho, apenas a cor é igual. eita, bicho gordo! olha que preguiça! quase não consigo entrar na fila do ônibus por causa desse gordo. aí, minha gente, sabe quem eu encontro no ônibus? a flora cardoso. e reproduzir aqui o blá blá blá dá um alcorão, não um fluxo.

***

calma, calma, também tudo não é assim escuridão e morte. sei que fazem dois meses que não posto nada. preciso ter calma para não ficar também tão influenciado pelo ‘fluxo floema’ da hilda hist, que recomecei a ler essa semana. meses que não lia. meses que não escrevia. só leio quando quero. só escrevo quando quero. Since this place is not sponsored. mesmo estando na letras. sim, ‘na letras’. quando se faz letras na faculdade, você está ‘na letras’ não ‘nas letras’. é estranho, mas é como é. bem, até escrevi um fluxo logo acima. na verdade não sei se é um fluxo, visto que literatura não é arquitetura. não é só uma questão estrutural.

preciso de um fôlego fundo, calma. melhor mudar o parágrafo agora. não mudar o parágrafo nunca me deixa com falta de ar. ‘fôlego fundo’, no meu livro novo, é assim que eu traduzo ‘deep breath’. legal né? eu sei. digo ‘traduzi’ porque eu escrevo em inglês. depois recrio o texto em português. mais uma vez, outro livro, está prestes a sair, mais uma morte próxima. dessa vez com proac, quem diria? tem gente que faz até curso para ser aprovado em edital, sabia disso, hugo? não, não sabia. lembra da entrevista de clarice lispector na tv cultura? ela dizendo que os livros morrem depois que vão para a editora? pois é exatamente essa a sensação que tenho, que meu livro está quase morrendo. porém, eu tenho orgulho, tenho sim. não espero muita gente no lançamento, não espero vender, não espero críticas, não espero nada. assim terei paz dessa vez, esperando o pior. a editora pasavento fez o melhor. a capa do livro, o projeto gráfico, tudo ficou tão lindo. a alícia peres, que fofa, fez imagens tão bonitas para o miolo.

dois meses. perdi até os cabelos.



perdi os cabelos, mas ganhei bandagens.

o esporte. ah, o esporte. pensei em parar de vez, ir pra casa dormir depois do trabalho todos os dias. aqui não é a america, aqui é o zimbabwe ocidental (essa frase também está no meu livro, mas é do adriano cintra). desde que aqui é o brasil, não há porque ter aquela sensação de que você como atleta universitário está contribuindo para o nível esportivo da sua modalidade. ou seja, quanto mais gente praticando, quanto mais gente tentando praticar bem, o nível eleva até chegar nas principais camadas, consequentemente. aqui não. atleta universitário aqui é um idiota. sabe quem é atleta universitário aqui? um profissional que está na seleção que ganha uma bolsa na unisantana (depois que já está na seleção brasileira). quando nós, de fato atletas universitários, vamos competir no ct da bm&f bovespa em são caetano, os caras sequer colocam uma tábua oficial para a gente saltar, temos que saltar naquele toco de madeira velha fixada na pista. por que decidi continuar saltando? porque gosto. assim como gosto de refrigerante, açúcar, álcool, sexo casual e cocaína. sim, com as bandagens no joelho já senti menos dor no salto e tive uma melhora de uns 20cm logo no primeiro treino com elas.

o esporte. ah o esporte. passou tanto tempo sem postar que não falei sobre “o” evento esportivo recente. a disputa de mma entre a brasileira beth correa contra a americana ronda rousey. lembro que postei no facebook chamando mma de ‘rinha humana’. desde que o tempo pouco importa, posso falar sobre isso só agora. since this place is not sponsored. o esporte, ah o esporte. quando vejo a selvageria do mma, não consigo enxergar a magia do esporte naquilo. não consigo entender por que ronda trocou o judô por aquilo. consigo diferenciar mma de esporte com um claro conceito na minha cabeça: esporte é tudo aquilo que crianças podem assistir. agora temos outra questão no citado evento, muito discutida: a luta aconteceu no brasil entre uma brasileira e uma americana, mas as pessoas torceram para a americana. primeiro: deveriam ter torcido para a brasileira. sabe por quê? beth correa é a típica mulher brasileira: feia, burra, rude e mal educada. por quê o povo brasileiro não simpatizou com beth, então? porque o típico povo brasileiro é assim: feio, burro, rude, mal educado, mas não se enxerga.  



XOXO


7 de jul. de 2015

HEAVEN ADORES YOU

acabo de voltar do cinema e acho que estou cansado de ver esses andinos na cozinha o tempo todo ouvindo música sem fones de ouvido. pensei em comprar muitos iogurtes no supermercado e muito refrigerante também, custam a metade do que custam na padaria, mas meu espaço na geladeira é muito pequeno. eu tenho uma geladeira, tenho sim. tenho uma máquina de lavar também, minha tia me deu. estão no quintal da casa da minha mãe. acho que seria melhor alugar um lugar menor só para mim em um bairro com nome de fruta talvez, onde é difícil levar um homem, explicar o endereço, mas. ok, moro nessa puta casa grande e bonita há mais de um ano e ainda não consegui descolar uma droga de namorado para me visitar aos fins de semana. contudo, apenas há muitas horas em que não quero ver ninguém e tratando-se de hugo guimarães, isso acontece muitas vezes. 
minha gata, minha única amiga, vomitou nesse exato momento e eu disse a ela "parece que você faz de propósito só para tirar minha concentração ao escrever". sobre ela, a gata, em um lugar só meu, eu não teria de explicar o tempo inteiro por que ela tosse tanto. em tal lugar, eu poderia observá-la morrer em paz. é triste, mas eu sei que ela já começou a morrer, minha única amiga...




estive doente desde sábado, 27 de maio até última sexta feira. problemas com o meu estômago. estive sem treinar atletismo desde então. melhorei no sábado após passar cinco horas no hospital recebendo medicação para dor. minhas pequenas férias do treino terminam hoje quando decidi ir ao cinema. está acontecendo nessa cidade o "in-edit brasil", um festival de documentários sobre música. além do Dylan, o que realmente me chamou a atenção foi um documentário sobre o anjo do Elliot Smith chamado "heaven adores you" (e.u.a. 2014, dir: nikolas rossi). não é possível sentar-se ao lado de um senhor de idade no hall minutos antes da sessão sem que ele comece a conversar com você e criticar a sua geração e os ídolos da sua geração como o Elliot ( ele estava segurando um ingresso para ver o heaven adores you enquanto conversava comigo ). que geração? eu sou um adolescente dos anos 90, não sou da geração brittney spears, mas isso faz alguma diferença para um senhor de idade que pensa que todos os jovens são um bando de idiotas? mais que isso: idiotas tristes. ele dizia que histórias que chamam a atenção de jovens nos dias de hoje, são histórias de depressão e tristeza (sim, a sala estava lotada para ver o documentário sobre o Elliot). musicalmente, ele ainda disse que esses ídolos contemporâneos de hoje, como Elliot, são reconhecidos pela desconstrução, não pela construção, ao contrário dos ídolos da geração dele. provavelmente, ele ia começar a falar sobre o Dylan quando eu me levantei e disse que queria pegar um bom lugar na sala. não, no cinesesc não tem lugar marcado. sim, eu não gosto de conversar, por isso que não tenho nenhum amigo e sempre vou sozinho ao cinema.
e é isso, minha vida começou a passar pelos meus olhos ao invés da vida de Elliot. tenho observado que durante sessões de cinema, eu começo a pensar na minha própria vida obsessivamente e perco muito do filme. a experiência humana na tela é muito rapidamente comparada a minha própria experiência e a minha própria realidade. eu lembro de Elliot com sua antiga banda dizendo coisas como "não devemos tentar fazer ou ser de determinado jeito para chegar a algum lugar, porque não vamos chegar a lugar algum mesmo, então é melhor fazer só o que queremos fazer". acho que é exatamente o que eu faço como escritor, que é o que sou. não sou músico como sempre sonhei que seria, não sou ator e não sou atleta, eu sou um escritor; é o que eu tenho feito e melhorado desde que eu tinha 13 anos de idade. por que ninguém me conhece? por que não estou em uma editora grande? porque não era pra ser e isso é tudo. apenas como existem bons, muito bons engenheiros que projetam edifícios que caem e matam pessoas. a parte triste é que eu tenho tentado fazer tantas coisas diferentes para tentar esquecer, para não aceitar que sou apenas um escritor, porque isso é muito insignificante (aliás, insignificante é ser um escritor insignificante, não ser um escritor em si). eu via Elliot, a cena hard core da cidade de portland e todas aquelas pessoas jovens juntas, em pequenos bares, no underground; mas isso apenas não existe na literatura, não existe nem mesmo ground aqui, quiçá underground. ela é uma arte morbidamente solitária, estou prestes a publicar meu terceiro livro, eu o li mais de dez vezes, ele me faz chorar, me faz tão orgulhoso, mas esse livro é tão pequeno, mas tão pequeno que me faz sentir inútil, faz com que meu talento pareça tão inútil.

se você gosta de um anjo como o Elliot como eu gosto, esse documentário traz detalhes do começo de sua vida, coberturas de seus excelentes discos, mas nada, quase nada sobre sua macabra morte (ele se golpeou no peito duas vezes com uma faca). sim, eu pensei em convidar o meu ex namorado christian para assistir a esse documentário hoje comigo, porque dei a ele de presente de dia dos namorados na época, uma cópia do álbum "figure 8" do Elliot. christian não me deu nada naquele mesmo dia. provavelmente porque só eu acreditava que eu era seu namorado, mas eu era apenas um passatempo para as noites de quarta feira. ele nunca me via aos finais de semana. eu era o passatempo enquanto ele esperava que seu ex namorado murilo voltasse para ele. dias atrás, encontrei o tal murilo no tinder, passei o dedo para a direita, mas não houve combinação. claro, por isso que eu sou o passatempo e ele é 'o' garoto. murilo, é mais rico, de melhor família, é mais bonito e possivelmente deve ter o pau maior que o meu, mas isso não fez com que eu me golpeasse duas vezes no peito com uma faca, baby. a merda da cópia do "figure 8" agora, deve estar jogada no chão da casa do christian junto com algum resto de maquiagem.

enquanto isso, observo meu rosto morrer. sim, meu rosto está morrendo e quer saber por quê? nunca há ninguém comigo em situações felizes para fotografá-lo. sim, não tenho amigos ou namorado para tirar fotos de mim e eu não sei tirar boas selfies. veja essa:



então a juventude morre, morre o rosto; mas eu mesmo já estou morto. já disse isso aqui antes, quando você faz 30, você já se sente morto e quer saber por quê? todas as coisas que você sonha para a sua vida, são coisas que uma pessoa jovem faz, é o que você sonha quando é criança.

*homens

*uma semana doente e uma semana sem sexo e eu me sinto muito melhor, muito melhor do que ter de chupar um cara o qual percebo que tem nojo de me beijar e eu o chupo porque gosto e isso é o pior.

*sinto-me melhor, mas não consigo ser um homem romântico. não posso contemplar um homem muito belo do meu convívio social e apenas ser agradável e gentil com ele, tentar me aproximar, tentar conversar para investigar se existe alguma possibilidade de convidá-lo para sair e sabe por quê? quando chego perto dele, não sinto inveja de sua beleza, sinto ódio, um puta ódio de sua beleza, tanto que apenas viro as costas.

*acho que coisas assim acontecem ou sinto coisas assim porque meu rosto está morrendo ou porque estou já todo morto. acho que é por isso.

bem, não pude ver nada do festival do panorama do cinema suíço contemporâneo de são paulo na última semana porque eu estava doente, mas consegui ver um muito bom do festival "cinema contemporâneo do quebec", que aconteceu nessa cidade de 24 de junho a 1º de julho. lendo as sinopses, fui levado ao "3 histoires d'indiens" e o diretor robert morin estava na sala para apresentar seu filme, e eu gosto muito de ver diretores apresentando seus filmes. eu ainda quero morrer por ter perdido geraldine chaplin falando sobre o 'dólares de areia' nessa mesma cidade, naquela mesma sala no ano passado.
no canadá, assim como em outros países da américa e no brasil, os povos indígenas tem direitos por uma parte do território. no canadá, o terrítório dos índios fica em uma área concentrada e não em áreas separadas distribuídas pelo país. robert disse que isso acontece para que os índios possam viver entre os seus similares para que não percam a cultura e também disse que esses índios não estão presos ou restritos a esses territórios. porém, a triste realidade é que eles migram desses territórios para sobreviver, e acabam vivendo marginalizados em grandes centros urbanos trabalhando com reciclagem ou como empregados domésticos. há também no filme, o chocante ritual religioso das meninas índias, onde elas queimam a sola dos pés na brasa e depois fazem buracos em um rio congelado e mergulham o pé lá dentro. nunca pensei que índios viviam no gelo. esquimós, mas não índios. será que esquimó é um tipo de índio? bem, não sei, mas eu sei que é difícil viver na marginalidade, em um lugar onde você é diferente dos outros. ás vezes, sim, eu quero explodir uma filial do wall-mart.




elsewhere:

no último vinte de junho sim, eu competi minha primeira competição master de atletismo, o I festival de atletismo do cepeusp 2015. ganhei quatro medalhas bem bonitas. a competição foi fraca e não consegui fazer marcas boas. das quatro, foram 2 ouros (salto em distância e revezamento 4x400m), 1 prata (arremesso de peso) e 1 bronze (100m rasos), todos na categoria 30 a 39 anos. sim, tive de parir um selfie bonitinho para mostrar as medalhas:



a melhor parte, a melhor vitória, é ver pessoas de mais de 60 anos fazendo esse esporte incrível com tanta paixão e alegria. a melhor vitória foi ter decidido que eu quero treinar e competir esse esporte pelo o resto da minha vida.


veja mais:
http://www.cepe.usp.br/?news=i-festival-de-atletismo-movimenta-pista-do-cepeusp

ah! no mesmo vinte de junho, a fflch perdeu a semi final da copa usp de voleibol para a escola fascista politécnica. aliás, sim, a fflch perdeu, eu não perdi nada, pois fiquei no banco o tempo inteirinho, pois o treinador não me julga capaz de entrar em quadra em um jogo difícil por apenas um minuto. afinal eu só sirvo para cobrir faltas dos titulares. não é injusto, mas não é bom para o meu ego. abandonei a equipe de voleibol da fflch por tempo indeterminado. preciso me dedicar ás minhas prioridades, tenho um recorde para bater em outubro.


XOXO

26 de jun. de 2015

A BAIXA SOCIEDADE

imagem: família tradicional brasileira

não sei por que eu como em uma mesa não sei porque durmo em uma cama despeito á alta sociedade vejo logo todos nós na baixa sociedade indiozinhos e africaninhos é o que somos a mesma coisa até que não consigo entender o racismo eu não sou branco apenas pareço um pouco pálido papai me bateu tanto ao que apenas tentava copiar a alta sociedade eles sim espancam as crianças nós não mas papai não sabia e agora cá estou tentando possuir aquele animal mesmo sabendo que o tal morrerá esse é um fio permanente enxergar a clara possibilidade de ter o animal e ter a certeza de sua morte temo que uma hérnia poderá afetar ou matar o seu imenso pau quando eu vou a competir em esportes com os outros animais e fico olhando as pernas grossas tão grossas antes disso uma grande fila de animais para fazer a inscrição uma confusão noite passada passei um tempão na cama tentando sonhar eu tentava e tentava mesmo dizendo para mim mesmo tão alto que se tratava apenas de fantasia e ainda não conseguia colocar a fantasia dentro do sonho é um problema até já tratado na minha literatura a vergonha de sonhar depois do treino eles apagam as luzes da pista e então um grosso animal cai sobre mim minhas costas na grama e ele não se importa com os formigueiros e ele não se importa com os pernilongos e eu mesmo não me importo com os formigueiros eu mesmo não me importo com os pernilongos mas leio o começo do texto sobre o problema dos tipos de sociedade e veja por que tenho vergonha se sonhar.


imagem: animais competindo

XOXO

15 de jun. de 2015

O PULO DO GATO

lembro que planejava escrever aqui antes. não o fiz porque estava chateado por não ter sido convocado para a seleção de atletismo da usp para os jogos regionais em julho. eu não teria como, pois terminei apenas em 9º lugar no salto em distância na segunda etapa da copa usp em 17 de maio passado com a marca de 5,49m. além disso, eu tinha apenas a décima marca do ano entre os atletas da usp no momento da convocação. que vontade de chorar. que ódio. como diria seu jorge. fiquei triste porque veria os garotos da fea, da med e da poli treinando para a competição enquanto eu ficaria apenas olhando.

mas passou o ódio. no presente momento, eu posso treinar saltos horizontais, posso cursar a minha segunda faculdade. se eu olhar para dois anos atrás, eu era um viciado em cocaína, sedentário e tinha um relacionamento com um viciado em crack, pobre e grosseiro, parasita e feio. bem, agora estou aqui produzindo um salto de 5,49m. não é tão difícil, mas não é tão fácil. tente em seu quintal. é como o salto da tenente ripley sobre um precipício em um dos filmes da série 'alien', se você se lembrar.

estou treinando a paciência e a perseverança também. meu joelho direito está melhorando (tive uma pequena lesão na copa usp, o que me impediu de fazer o melhor nos meus treinos por duas semanas) e na última sexta feira eu consegui fazer bons educativos de salto com boa verticalização. possivelmente, eu vou fazer minha primeira competição master ever (sim, eu já tenho 30) neste sábado, no cepeusp. depois disso, vou começar o treino de base para me preparar para as competições do fim do ano, que são as mais importantes. estou excitado para empurrar carros. minha meta é terminar o ano saltando além de 6 metros e terminar o ano com uma das cinco melhores marcas da usp no salto em distância, pulando que nem uma bariba, correndo como um ladrão.



de acordo com o imbd, hugo guimarães é um ator, conhecido por atuar em três filmes (logo, serão quatro). seriam cinco se gustavo vinagre não tivesse ficado doente quando filmaríamos um curta para o 'pop porn festival'. gustavo acabou por mandar seu "nova dubai" (onde também atuo).
tenho menos estrofes para escrever aqui sobre o cinema, mas eu ainda continuo frequentemente comprando ingressos de cinema quase todo final de semana. até em shoppings estou indo. até pipoca com manteiga estou comendo (ao ver filmes blockbusters, claro). vi o 'jurassic world' no último sábado. depois, vi 'os pássaros' do hitchcock no cinema pela segunda vez na vida, em uma sessão semi vazia, tranquila. sem nenhum sono. prestando muita atenção. nem lembrava o quanto esse filme é brilhante. "perfeito e eterno", como diria um crítico na primeira revista de cinema que comprei na vida, quando eu tinha 13 anos. a extrema atenção deve ter sido por causa dos três tiros de cocaína que fiz no meio da tarde. tinha esquecido como é bom. e como é bom um homem com cocaína.


de acordo com a livraria da folha, meu primeiro livro está esgotado. bom. graças á deus. serei a xuxa e vou esconder de todos as últimas cópias existentes. 
de acordo com todas as livrarias do mundo, meu segundo livro sequer existe. existe para mim. existe na minha casa e nas mãos de algumas dezenas de pessoas. e estou orgulhoso. muito orgulhoso. mais do que qualquer garoto que metralha o professor de literatura todas as noites com questões que pensam ser excelentes. mas eles não são excelentes. nem os garotos nem as perguntas. eles procuram a mesma coisa que carlos drummond de andrade sempre procurou: ser excelente. a diferença é que carlos conseguiu. meu primeiro livro de poemas... deus. bem, não estou com vergonha dele. eu só acho que eu poderia ter feito melhor e com a mesma proposta. hoje eu não posaria de cuecas na capa. lembro da minha primeira mesa de literatura. eu tinha vinte e quatro anos, mas eu ainda era tão tolo... deus. eu ainda não gosto do carlos drummond de andrade, mas agora, eu sei exatamente por que eu não gosto dele. eu fui aceito na universidade de são paulo para o curso de letras  no ano passado. dois de três professores de literatura que tive, são fãs do carlos. a parte boa é que eu acredito que eles devem gostar de qualquer análise de poema que eu fizer. o professor do iel 1 me deu nota 8 por uma louca análise que fiz do "o útero é do tamanho de um punho" da angélica freitas. uma das idéias daquela análise, era criticar o feminismo, por exemplo. agora eu tenho planos piores. vou analisar o "morte no avião" do carlos e vou mostrar na análise o quanto ele é excelente, é claro, mas também deixarei claro que não gosto dele. e não acho que o professor irá me reprovar. 

meu terceiro livro sim, irá. estará nas melhores livrarias no segundo semestre deste ano (vide post abaixo). e isso me faz mais orgulhoso do que saltar 7 metros, ou do que ser uma animal como sophia longoni. isso me lembra que o glorioso time de voleibol masculino da fflch jogará a semifinal da séria principal da copa usp contra a fascista escola politécnica neste sábado. veja uma imagem do nosso time após bater o ime, a medicina e a farmácia, para terminar em primeiro lugar do grupo.



de pé (left to right): lucas gonzaga, bruno fleischer, sinei sales, roberto antiga, cauê ranzeiro.
abaixados (left to right): eu, joão melo, pedro castellan, luca kauffman, caio de giovani, filipe. 

#eusoufflch! ha!

XOXO



8 de mai. de 2015

SOB A LUZ QUE NÃO NOS ALCANÇA

leia texto da querida Micheliny Verunschk, escritora fodaaaa, para a orelha do meu romance "O tiro de um milhão de anos" a ser lançado este ano pelo selo pasavento da editora reformatório:

Sob a luz que não nos alcança

Há uma luz continuamente presente e tão ofuscante que traz consigo sua própria escuridão, uma luz circundante, mas que não nos alcança no comum dos dias, no rastro do cotidiano. Perceber essa luz é precisamente ser contemporâneo, algo raro, como nos diz Agamben, porque enxergá-la “é, antes de tudo, uma questão de coragem: porque significa ser capaz de não apenas manter fixo o olhar no escuro da época, mas também perceber nesse escuro uma luz que, dirigida para nós, distancia-se infinitamente de nós”. É essa luz e esse escuro que a leitura de O tiro de um milhão de anos, romance de Hugo Guimarães, evoca .

À primeira vista, o mundo criado pela narrativa sugere uma paisagem para além do real, um daqueles mundos alternativos que surgem, com maestria, vez por outra, no cinema e na literatura, como a futurista Los Angeles, de Blade Runner, para citar apenas um exemplo. Entretanto, nos entreatos da leitura, o leitor vai percebendo, não sem algum horror: é deste mundo, é deste tempo no qual vivemos que parte a narrativa. Um mundo em decomposição, atravessado por severas perdas de sentido, por uma apartação desagregadora entre o ser humano e instâncias poderosas como a beleza, a natureza, o sonho.

Na travessia por São Paulo, essa megalópole que é uma mãe com colo de arame, mas ainda assim, uma mãe, a personagem Corvo, uma mulher de olhos azuis e alma despedaçada, oscila entre o voo e a queda, o amor e a repulsa pela figura materna, pela própria vida. Essa personagem principal, cuja agonia se desnuda ao leitor, é interessantíssima. E cabe aqui, ainda que brevemente, recuperar a mitologia do corvo, figura polêmica e ambígua que, como trickster, herói/vilão/trapaceiro, se situa no limiar entre dois mundos, o terreno, e o espiritual. Sobre o Corvo, Claude Lévi-Strauss comenta: “o pensamento indígena situa o Corvo no limiar entre duas eras (…). Já não se pode fazer qualquer coisa. O trickster descobre isso — muitas vezes ao custo da própria integridade”. E é essa a trajetória da personagem, atravessar limiares, estando ela mesma no limite: “Desisti de cometer suicídio ao pular na linha do trem desde que percebi que trens são lentos demais”, diz ela, nesse romance que tem, na sua experimentalidade, a possibilidade também de ser uma memorabilia ou, quem sabe, transformar-se numa carta de despedida, esse estranho gênero epistolar de que faz parte os últimos escritos dos suicidas.

Essas referências me sugerem uma atualização/apropriação poderosas das narrativas míticas. Os mitos, como se sabe, sempre serviram para explicar poeticamente um mundo que, aos humanos, parecia excessivo: barulhento demais com seus trovões, assustador demais em suas decomposições. Num estar contemporâneo fraturado por perdas absurdas, vícios severos de estar na moda, novas formas de morte (como os caixões de 50 metros quadrados vendidos pelas imobiliárias), Corvo, e a escritura de Hugo Guimarães, surgem como elementos capazes de transitar entre polaridades, atravessando os mundos, como um psicopompo num tempo em ruínas mas, ao mesmo tempo ensinando que “atirar-se de um prédio não é a única forma de um ser humano voar”. Ensinando como estar de olhos abertos para a luz absurda do que chamam “contemporaneidade”.



Micheliny Verunschk

XOXO

27 de abr. de 2015

FRANGO ATIRADOR

prolonging the dream:

#
did you even pop yourself ode to rejection, piece of crap? that guy had a big dick and even smiled while public indecency. a lovely smile. does anyone smile doing it? I don’t. I just make a thirsty face. and he was ugly. I mean the other guy who half accepted me. he wasn’t fully ugly at all, he was just a half ugly. that half acceptance made him fully ugly. last dick I sucked I guess it was a little dirty. last one, you full of crap? did you even pop yourself after that lovely smile guy, smile against you. he may be gone to a motel to that chubby blonde who sucked him off, while I went to buy bacon. I can avoid it. the one and the most serious form of humiliation of my life for sure, men, was getting out of my life forever. don’t need them. and how many times did you took this extreme decision? how many times have you been extreme, you extreme piece of crap? this time, I won’t tell to myself I’m good, well I shall be really not. not while being so vicious. tnstead of tell me good things I’ll tell to myself are you popping yourself again, piece of crap? are you sucking a dick again, piece of crap? making men muses at street again, piece of crap?

I don’t have hate in my eyes here during lunch, don’t misunderstand it. it’s just hurry. hurry about end of the life, ok? what does it rest besides all these dirty cocks around? my inability of performing a good long jump and my knee pain, which stops me to try it. untouchable after thirty. Did life has just began?
#
more than ashamed to dream, now I’m sure that dreaming is not a good Idea.
when I think of the man I want and then I see myself, I’m sure that something doesn’t match.
do you like to keep your fit and hot body and your face in the mirror? that’s just good parts, but still is not enough. ‘not enough’ I say to the mirror.
when I was younger, I felt that something good was about to happen to me. I feel that the world believed me. but now it doesn’t anymore. I don’t believe that anyone around me still talks about me when I believed, when I was younger. now I feel that it’s just question of time to people stop to respond when I talk to them.
I used to dream of being spanked by a pretty guy as a last lust trial but [or being killed by a pretty guy].  well, why should a pretty guy spank me? an ugly guy should spank me. or kill me. then should I spank a pretty guy? or kill?
#

é lamentável que muito da minha vida tenha praticamente se resumido a isso. não sei se é amor ou vício o que sinto por esse esporte. só sei que penso muito em salto. melhorar o salto. quase o tempo inteiro. tanto que fui a são carlos. eu não estou entre as vítimas no nepal. são carlos é o lugar mais longe em que estive nos últimos tempos. só o que tremeu em são carlos foi a fflch. c.u.p.a. (copa universitária paulista) evento este que reúne o grêmio fascista da usp são carlos, a caaso, alguns cursos de engenharia, todos com pessoas bem nutridas e conservadoras, a eefe da usp e a fflch... perdemos tudo. só um tenista ganhou medalha. e um fundista. só. eu não ganhei nada. bonitinho meu salto, né? uma pena que o tim maia que aparece no vídeo de fiscal de tábua o invalidou criminosamente. difícil ir até a fascista são carlos, dormir mal, comer mal, ter treinado com dor, competido com dor. além disso, minha linha do gráfico de performance no atletismo esteve diminuindo mesmo antes do cupa. saltei apenas 5,17m na primeira etapa do tuna. saltei apenas 5,12m na copa usp. longe dos 5,78m que fiz no início da temporada. eu havia abandonado a musculação por um mês. é por isso, eu sei. eu acredito. fiz um triplo de apenas 10,27m também na copa usp, para somar pontos para a equipe da fflch. somei. torci o pé no quarto salto. ainda fiz os dois últimos saltos. a árbitra me deu parabéns por ter continuado na prova. o rafael da poli, vice campeão, também me deu parabéns. terminei a prova em sexto lugar. o rafael, dge da minha equipe, depois que eu pedi gelo para o meu pé torcido, apareceu com o gelo e um salgado na boca um tempão depois, quase no final da prova...
voltei para a musculação. voltei a me dedicar a musculação e ver vídeos da tatyana lebedeva no youtube. a segunda etapa da copa usp será em algum dia do mês de maio. espero ter notícias melhores.
#
elsewhere.
é meio triste que tudo o que não tenha a ver com atletismo apareça em "elsewhere". nem a capa do romance que publicarei esse ano escapou do atletismo. a ideia para a capa é a imagem de um corpo saltando, em pleno voo. alicia peres fará a capa. a mesma fotógrafa que trabalhei junto no curta metragem "corpo do texto - nossos ossos" em que protagonizo. 
#
elsewhere 2:
o meu primeiro livro, "poesia gay underground: história e glória" está esgotado. não é mais possível encomendar nas livrarias. ainda existem algumas cópias espalhadas em algumas livrarias por aí. bom que esteja esgotado. agora, quem quiser um, terá de pedir para mim. envio autografado para todo o brasil, para todo o mundo.
#
elsewhere 3:
agora, dois anos depois o senhor quer colocar algo do meu segundo livro "o estranho mundo" na sua revista? legal que quando o livro foi lançado e eu precisava de uma força você não quis colocar. agora que você não deve ter nada para colocar na sua revista, você me pergunta se pode colocar algo do meu livro? 
#




XOXO